quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Ciclo de Poemas I: "A Balada dos Reis", pelo Espírito Édouard.

Assim no Céu como na Terra

A vontade divina impera

Mas por quantas mais eras

Afundam os homens em querela?

 

A paz é comprada

Como mercadoria tratada

Pelos fariseus

Que se julgam acima dos seus

 

Na guerra adiante

Do outro lado, vem medicante

A lamentar

Pela coroa a usurpar

 

Pela vaidade que sobre ele veio reinar

Fraco como és

Incapaz de verdadeiramente amar

Sustenta-te, Eduardo, caminha por teus pés

 

Em ilusões, eram profundamente

Agora, criança, estão descontentes

Sem terras, sem títulos

Sobrepujados pelos inimigos

São abandonados pelos amigos

 

Na política dos tronos

Esquecem-se os sonhos

Adormecem os ensinamentos

Leis de Deus caem no esquecimento

 

O trono é simbólico

Mas ontem abençoado foi apostólico

E aquele que nele sentou

Com frequência fracassou

 

E agora pranteiam, como lastimam!

Reis sem coroas, sem títulos, sem terras

Percebem tarde demais

Do que podiam ser capaz

Amado Henrique, quanto eras está triste?

 

De justas e um pouco

Todos têm de louco

Nas chuvas de fora

Contemplam o agora

 

O mendigo de hoje

Gastou o que não devia

Chamado a prestar contas,

De nervoso João ria.

 

E o povo ignorante

Aplaude rei cantante

Que guerreia e loureia

Falso comandante.

 

De que adianta tantas terras sobrepujar

Se, caro Quinto, não soube a ti domesticar

Sequer tentastes teu orgulho refrear?

 

Como observador, poeta e trovador

Menina, eu te digo,

Rei nenhum merece teu amor.

 

O dissabor gritante é

Para aquele que não tem fé

Crês em mim quando digo

Que é melhor ser ralé.

 

Em teus estudos vejas o sofrimento

Movido pelo orgulho, causa de padecimento

De homens que de nobre

Somente tinham nome.

 

Mas nada lamente

Se na Terra monarquia há

É que a humanidade ainda dela vem precisar

Para se modificar

 

Desapegar de etiquetas e imagens

Somente para o orgulho imperar

Mascarando a vaidade do que

O inimigo não souberam amar

 

Agora me despeço

Se devo, não peço

Aqui contemplar, meu passado a lamentar.

Tua alma falará

Por que causa vim falhar

Amada amiga que no pretérito

Fiz-te coroar.”


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