quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Ciclo de Poemas VII: O Caminho da Fé pelo Espírito Édouard

 "Sonhas com facilidade

Que outrora foste tua realidade

Mas agora é hora

De ir-te embora

 

Causos teus poderia nestas linhas escrever

Por medo, porém, de me arrepender

Devo antes te convencer

De que para em ti crer, não precisas ver

 

Na era do materialismo

Tantos são os que se cercam de pessimismo

Que em verdade

Olham para o pretérito com saudade

 

Se com ouro ou coroa

A tudo se resolvesse

Quão poucos problemas de fé teriam se assim cresse

E te diriam: a vida é boa!

 

No silêncio da ilusão

Vê-se movimentar a sombra da traição

Irmão contra irmão

Quem de vós hei de pedir o perdão?

 

Em meus tempos de vaidade

Acreditei ser dono da verdade

Mandei tantos à marcha

Deus, tendes de mim piedade!

 

Fiz sangrar a terra do estrangeiro

Esquivei-me de promover a paz em seu seio

Valhei-me de títulos e terras

Mergulhei na sombra situada na estratosfera

 

Não portei espada

Nem designei conquistas a partir de coordenadas

Mas permiti usarem meu nome

Para fazerem tantos padecer em minha jornada

 

Soberbo fiz-me crer

Que era meu dever

Santa pátria, Protestante deveria ser!

 

De idade juvenil

Em meu espírito tão pueril

Voltei ao que me foi tirado

Pelo destino, fui injustiçado

 

E agora, estás em paz?

Orei, meu bom Deus, para que assim te apraz

Que, em verdade, jamais

Quis ser

Boneco para tolos, mereci agora receber

Consciência culposa

Às sombras, misericordiosa.

 

Santa e sangrenta

Em toda tua história

Levanta-te, Inglaterra, onde está tua glória?

Do túmulo virão amigos e benditos

Guiar-te-ão ao coração enobrecido

Da tutela divina

De onde tens sede por disciplina

 

Eis aqui teu servo, Senhor!

Não mais do sangue do conquistador

Desprovido de terreno amargor

Em incredulidade minha, fiz-me devedor

 

Deveria ter tentado mais

Impedir discórdias, fazer vale a paz

Boa amiga, escutai-me agora

Não é o momento de te ir embora

 

A coroa nunca pertenceu a nenhum de nós

Perdoai este que te fala, não estivestes sós.

Ai de mim, pecador

Não tão distante, causei tua dor.

 

E agora adiante seguimos

Cada qual com seu próprio destino

Quando fiz-me poeta protestante

Fiz valer minha educação edificante

 

A Fausto recusei companhia

A Karenina, me recolhia

Não de amor nem amizade

Em Wuttemberg quis a veracidade

 

Até à Rússia chegar

Minha amada amiga, na França estiverdes lá

No entendimento maior da fé

Regressastes melhor em teu presente lá

 

Nas campinas verdes, me dediquei

Pelo vergonho pretérito, a lamentar me recusei

Adiante, adiante

Vamos trabalhar! Sabeis tão bem

Quanto eu que não há tempo de murmurar

 

Em verdade, verdade

Camponês vim

Aprender e ensinar

Nas feiras da Costa de Marfim

E é assim que vim ao fim

 

Nas obras do Senhor

Me redimi enfim

Mas é sempre tempo de melhorar

E aprimorar, erros há de remendar

 

Por isto digo-te, minha cara

Aproveite a seara

Não te deixes ao medo sucumbir

Tenhas coragem, não deves desistir

 

É preciso tentar

E a fé fortalecer

Se quiseres a montanha vencer

Agora regresso

Por isto te peço

Não me despeço

De ti te quero

O bem, espero

 

Guardai-me em ti

A memória do dia

Que te fiz rir.”

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