"Sonhas com facilidade
Que outrora foste tua
realidade
Mas agora é hora
De ir-te embora
Causos teus poderia
nestas linhas escrever
Por medo, porém, de me
arrepender
Devo antes te convencer
De que para em ti crer,
não precisas ver
Na era do materialismo
Tantos são os que se
cercam de pessimismo
Que em verdade
Olham para o pretérito
com saudade
Se com ouro ou coroa
A tudo se resolvesse
Quão poucos problemas
de fé teriam se assim cresse
E te diriam: a vida é
boa!
No silêncio da ilusão
Vê-se movimentar a
sombra da traição
Irmão contra irmão
Quem de vós hei de
pedir o perdão?
Em meus tempos de
vaidade
Acreditei ser dono da
verdade
Mandei tantos à marcha
Deus, tendes de mim
piedade!
Fiz sangrar a terra do
estrangeiro
Esquivei-me de promover
a paz em seu seio
Valhei-me de títulos e
terras
Mergulhei na sombra
situada na estratosfera
Não portei espada
Nem designei conquistas
a partir de coordenadas
Mas permiti usarem meu
nome
Para fazerem tantos
padecer em minha jornada
Soberbo fiz-me crer
Que era meu dever
Santa pátria,
Protestante deveria ser!
De idade juvenil
Em meu espírito tão
pueril
Voltei ao que me foi
tirado
Pelo destino, fui
injustiçado
E agora, estás em paz?
Orei, meu bom Deus,
para que assim te apraz
Que, em verdade, jamais
Quis ser
Boneco para tolos,
mereci agora receber
Consciência culposa
Às sombras,
misericordiosa.
Santa e sangrenta
Em toda tua história
Levanta-te, Inglaterra,
onde está tua glória?
Do túmulo virão amigos
e benditos
Guiar-te-ão ao coração
enobrecido
Da tutela divina
De onde tens sede por
disciplina
Eis aqui teu servo,
Senhor!
Não mais do sangue do
conquistador
Desprovido de terreno
amargor
Em incredulidade minha,
fiz-me devedor
Deveria ter tentado
mais
Impedir discórdias,
fazer vale a paz
Boa amiga, escutai-me
agora
Não é o momento de te
ir embora
A coroa nunca pertenceu
a nenhum de nós
Perdoai este que te
fala, não estivestes sós.
Ai de mim, pecador
Não tão distante,
causei tua dor.
E agora adiante
seguimos
Cada qual com seu
próprio destino
Quando fiz-me poeta
protestante
Fiz valer minha
educação edificante
A Fausto recusei
companhia
A Karenina, me recolhia
Não de amor nem amizade
Em Wuttemberg quis a
veracidade
Até à Rússia chegar
Minha amada amiga, na
França estiverdes lá
No entendimento maior
da fé
Regressastes melhor em
teu presente lá
Nas campinas verdes, me
dediquei
Pelo vergonho
pretérito, a lamentar me recusei
Adiante, adiante
Vamos trabalhar! Sabeis
tão bem
Quanto eu que não há
tempo de murmurar
Em verdade, verdade
Camponês vim
Aprender e ensinar
Nas feiras da Costa de
Marfim
E é assim que vim ao
fim
Nas obras do Senhor
Me redimi enfim
Mas é sempre tempo de
melhorar
E aprimorar, erros há
de remendar
Por isto digo-te, minha
cara
Aproveite a seara
Não te deixes ao medo
sucumbir
Tenhas coragem, não
deves desistir
É preciso tentar
E a fé fortalecer
Se quiseres a montanha
vencer
Agora regresso
Por isto te peço
Não me despeço
De ti te quero
O bem, espero
Guardai-me em ti
A memória do dia
Que te fiz rir.”
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