quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Ciclo de Poemas II: Sociedade dos Poetas Mortos pelo Espírito Édouard

"Na Antiguidade

Em minha mocidade

Dei início à busca pela verdade

Que só terminou na modernidade

 

E, no entanto, minha conduta

Iludiu minha formosura

Levando a minha ruptura

Quando demorei-me em travessura

 

Vincent, Joseph

Tantos nomes, nenhum registro

Do que foi padecido

Em longo suplício

 

Armand e Louis

Tão infeliz

Mergulharam em poemas

Sem se despirem de sua verdadeira vestimenta

 

Goethe e seu Fausto

No campo vasto

Das palavras, seu poder ignoraram

À morte daqueles cujas almas profanaram

 

Pilar, olhe lá!

Quis o homem pela poesia ensinar

O próximo a amar

Afundou-se, entretanto, nas batalhas

Que jurou findar!

 

Homero ou Otello

Quem de vós sois mais belo?

Ninguém é como Sappho

De Afrodite, pelo tempo apagado

 

O santo que errou

Thomas More à luz pregou

No entanto, inocentes poéticos ele crucificou

 

Já quanto a mim

Bom Deus, qual será meu fim?

Ir ao céu de jasmim

Que farei no interim?

 

Em retrospecto

Vejo todos meus aspectos

Antes de Marco Aurélio

Assombrei abandonado cemitério.

 

Nas letras, o amor

Mescla-se ao ódio, resultando em dor

Fui como o bardo

Proclamado, amado, mas pela história apagado

 

De nobre a freguês

Foi Camões português

Em versos poéticos

Lançou ao mar o cético

 

E que dirá aquele dos Anjos

Augusto em nome,

Lamento sem pronome

Que do além túmulo veio socializar

 

Com o romântico Alves

Um dia tão suave

Cuja companhia

Me traz tanta alegria

 

Nos braços de Ofélia

Ofertei a deusa Camélia

Mas depois de longa jornada

Pelas palavras, de madrugada

Regressei ao verdadeiro lar

 

De onde, ontem há

Tempo de voltar

À luz de Jesus

Que no pretérito falhei em amar

 

Segue conselho, menina

E em si vá trabalhar

Para na aurora repousar

 

Cada poste de luz

Brilha um santo

Que Jesus à seara irá modificar

No beira-mar

Está à espera, longe da estratosfera

Aquele que de longas vestes virá te ensinar

 

E agora concluo

O início do fim

Deste poeta que é cercado de jasmim..."

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