"No castelo de Bamburgh
Histórias ainda há
De que certo nobre
prossegue em vagar
Ainda a assombrar
Quem seu caminho
cruzar.
Em meus dias o conheci
Infortúnio meu, de sua
traição padeci
Um dia o confiei
Como irmão o amei
Incontáveis vezes junto
a ele jantei.
Outrora inimigos
O perdoei
Do norte ao sul,
diziam-me
‘Senhor, tendes
cautela; do lado errado ainda permanece nela’
E assim errei, assim
errei.
Em segundas chances
acreditei
Pus no seio da família
Na paz sonhei
Quão pouco concretizei
Em dia chuvoso, em seus
olhos mirei
Crendo-no fiel, certas
questões a ele confidenciei.
Pelo derramamento de
sangue, lamentei.
Pelo quê? Pela coroa
que aceitei.
E ele disse, e ele
disse
‘Senhor, nada há a
rememorar. O passado lá deve ficar.
Aqui entre nós, nenhuma
vingança
Deve a espada bradar.’
Parecia-me triste,
quando por poeta se passou.
E nunca casou
Contra mim conspirou
Contra minha carne
atentou
Vingativo espírito se
esquivou.
Não por muito mais
tempo
Orgulhosos nós dois
permanecemos
Reflexos do que vivemos
Era eu diferente?
Ah, como quisera eu ter
sido a Deus
Mais temente
No dissabor da anarquia
Escondi minha tristeza
na armadura
Fiz minha cama e nela
deitei
Em vícios, mergulhei
Ao redor da luxúria,
pranteei.
Se fui bom ou não,
Quem me julgará
É aquele que jamais
falhará
Em verdade, fui árbitro
de tantos
E de mim, esqueci-me do
que era
Meu ofício ser santo.
Quanto a ele
Vingador, oh tolo
amigo!
Te perseveras na dor?
Ouço teu pranto, mas
não passo ainda ser teu salvador!
O sal das tuas lágrimas
Fizeste-te crer
Que ao Senhor podemos
vencer
Não fui justo com
vosmecê
Mas e agora, deves-te
perder?
O caminho só é ilusão
Para os que se
desvirtuam, irmão
Ide em paz
Se assim te apraz
Para que o tormento não
te atrase mais
Erramos todos, oh
Senhor
Coroei-me pecador
Antes pobre e dos
vícios desertor
Do que rico, perdido no
falso amor
A roda da Fortuna a
todos gira
Se ontem estive em cima
Procuro agora tua
estima
A fim de me reerguer
Depois de tanto padecer.”
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