sábado, 24 de dezembro de 2022

Ciclos de Poemas XIII: A traição do Senhor. Pelo Espírito Édouard

"No castelo de Bamburgh

Histórias ainda há

De que certo nobre prossegue em vagar

Ainda a assombrar

Quem seu caminho cruzar.

 

Em meus dias o conheci

Infortúnio meu, de sua traição padeci

Um dia o confiei

Como irmão o amei

Incontáveis vezes junto a ele jantei.

 

Outrora inimigos

O perdoei

Do norte ao sul, diziam-me

‘Senhor, tendes cautela; do lado errado ainda permanece nela’

E assim errei, assim errei.

 

Em segundas chances acreditei

Pus no seio da família

Na paz sonhei

Quão pouco concretizei

 

Em dia chuvoso, em seus olhos mirei

Crendo-no fiel, certas questões a ele confidenciei.

Pelo derramamento de sangue, lamentei.

Pelo quê? Pela coroa que aceitei.

 

E ele disse, e ele disse

‘Senhor, nada há a rememorar. O passado lá deve ficar.

Aqui entre nós, nenhuma vingança

Deve a espada bradar.’

Parecia-me triste, quando por poeta se passou.

 

E nunca casou

Contra mim conspirou

Contra minha carne atentou

Vingativo espírito se esquivou.

 

Não por muito mais tempo

Orgulhosos nós dois permanecemos

Reflexos do que vivemos

Era eu diferente?

Ah, como quisera eu ter sido a Deus

Mais temente

 

No dissabor da anarquia

Escondi minha tristeza na armadura

Fiz minha cama e nela deitei

Em vícios, mergulhei

Ao redor da luxúria, pranteei.

 

Se fui bom ou não,

Quem me julgará

É aquele que jamais falhará

Em verdade, fui árbitro de tantos

E de mim, esqueci-me do que era

Meu ofício ser santo.

 

Quanto a ele

Vingador, oh tolo amigo!

Te perseveras na dor?

Ouço teu pranto, mas não passo ainda ser teu salvador!

 

O sal das tuas lágrimas

Fizeste-te crer

Que ao Senhor podemos vencer

Não fui justo com vosmecê

Mas e agora, deves-te perder?

 

O caminho só é ilusão

Para os que se desvirtuam, irmão

Ide em paz

Se assim te apraz

Para que o tormento não te atrase mais

 

Erramos todos, oh Senhor

Coroei-me pecador

Antes pobre e dos vícios desertor

Do que rico, perdido no falso amor

 

A roda da Fortuna a todos gira

Se ontem estive em cima

Procuro agora tua estima

A fim de me reerguer

Depois de tanto padecer.” 

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