sábado, 24 de dezembro de 2022

Ciclos de Poemas X: Lamento da Rainha pelo Espírito Édouard

 "Aquela que foi

E não volverá

Aquela que ontem

Vim a amar

Aquela cuja coroa

Fiz sangrar

 

Aonde foi-te, oh rainha?

Sem terras, por onde caminhas?

Espírito de escol

Sob silêncio, ao sofrimento vinhas

Para rica ser ao Senhor

Que nunca te faltou com amor

 

Nos castelos de pedra

Em torres, tão bela

Contaste ao Senhor, agora o que era?

De joelhos ao cadafalso

Entrego-te Senhor, meu espírito, em tuas mãos

Preparada para novo percalço

 

E agora, onde estás?

Procuro, te busco

Mas agora eu fujo

Como ontem, em pecados sujo.

 

Aonde te vi

Coragem contemplei

Ânimo, minha querida

Se ontem te amei

Não pude ter contigo, bem sei que errei

Mas agora é a hora

De em ti confiar

 

Sei que és capaz de voar

E não ao castelo despedaçado regressar

Em meio às nuvens de tempestade

Deves avançar

Não desistas do caminho de pés descalços trilhar

 

Lembrai de ontem

Quando a tua vontade te elevou

Rompendo com a falsidade do templo contra o qual protestou

Sigas em frente agora e sempre

O mais difícil passaste

Quando por ruas de sangue atravessaste.

 

Nas lutas há méritos

Nas lágrimas há superação do pretérito

A cada canto se não vigiar

Há infelizes desejos de tua caminhada roubar

 

Como de outrora

Quando viestes protestar

E sentistes a coragem o peito sufocar

Para cima ai de olhar

E o socorro dos Céus aguardar

 

Não há razão para te envergonhar

Nem de lamentar

Na luta interna

Persevera para que te encontres a tua quimera

 

Se ontem o pranto contou

E hoje o socorro prestou

Não te lamentes, rainha

É hora de seguires lá na frente

Com que cercas boa gente

 

Se pela lei dos homens sofreste injustiça

Pela de Deus foste do pecado redimida

Deixa para o pretérito

O que move tua alma à procura de inquérito

 

A coroa é de espinhos

Nada significou

Para a gente que aqui ficou

Quando da carne te libertou

 

Que teu coração retumba ao som da saudade

É sabido, no entanto, que o que te confortas é a verdade

Vedes como é a liberdade

Teu caminho não é mais dos que jogaram

Com a tua vaidade

 

Da alma a imortalidade

Ameniza a dor

Recomeça teus passos à base do amor

E aos outros levarás a verdade

Para libertá-los da matéria a falsidade

E agora como de costume despeço

Mas, Vossa Graça, ânimo peço.

Arranque as velhas correntes

Expurgue do coração o velho descrente

Para a cruz que teus ombros pesar

Lembrai de Jesus, o mestre que vai-te sempre amar.

 

Adeus, a Deus

Te rogo

Rainha de poucos dias, por ti te advogo

Nada tema, nada tema

Não te endureças

Não deixas que os outros te empurrem para a tristeza

 

A cada vida, alegria!

Ânimo, ânimo

Coragem e fé, sorria

Que a cada novo dia

Recai sobre ti a luz

Que dos céus irradia.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contos de Nanã, vol.1--Nas Areias Do Cairo, pelo Espírito X.

Nota da guia de Nanã: "Caríssimos amigos, irmãs e irmãos na Terra. Em nossa longa caminhada espiritual, habitamos inúmeras moradas do P...