"Aquela que foi
E não volverá
Aquela que ontem
Vim a amar
Aquela cuja coroa
Fiz sangrar
Aonde foi-te, oh
rainha?
Sem terras, por onde
caminhas?
Espírito de escol
Sob silêncio, ao
sofrimento vinhas
Para rica ser ao Senhor
Que nunca te faltou com
amor
Nos castelos de pedra
Em torres, tão bela
Contaste ao Senhor,
agora o que era?
De joelhos ao cadafalso
Entrego-te Senhor, meu
espírito, em tuas mãos
Preparada para novo
percalço
E agora, onde estás?
Procuro, te busco
Mas agora eu fujo
Como ontem, em pecados
sujo.
Aonde te vi
Coragem contemplei
Ânimo, minha querida
Se ontem te amei
Não pude ter contigo,
bem sei que errei
Mas agora é a hora
De em ti confiar
Sei que és capaz de
voar
E não ao castelo
despedaçado regressar
Em meio às nuvens de
tempestade
Deves avançar
Não desistas do caminho
de pés descalços trilhar
Lembrai de ontem
Quando a tua vontade te
elevou
Rompendo com a
falsidade do templo contra o qual protestou
Sigas em frente agora e
sempre
O mais difícil passaste
Quando por ruas de
sangue atravessaste.
Nas lutas há méritos
Nas lágrimas há
superação do pretérito
A cada canto se não
vigiar
Há infelizes desejos de
tua caminhada roubar
Como de outrora
Quando viestes
protestar
E sentistes a coragem o
peito sufocar
Para cima ai de olhar
E o socorro dos Céus
aguardar
Não há razão para te
envergonhar
Nem de lamentar
Na luta interna
Persevera para que te
encontres a tua quimera
Se ontem o pranto
contou
E hoje o socorro
prestou
Não te lamentes, rainha
É hora de seguires lá
na frente
Com que cercas boa
gente
Se pela lei dos homens
sofreste injustiça
Pela de Deus foste do
pecado redimida
Deixa para o pretérito
O que move tua alma à
procura de inquérito
A coroa é de espinhos
Nada significou
Para a gente que aqui
ficou
Quando da carne te
libertou
Que teu coração retumba
ao som da saudade
É sabido, no entanto,
que o que te confortas é a verdade
Vedes como é a
liberdade
Teu caminho não é mais
dos que jogaram
Com a tua vaidade
Da alma a imortalidade
Ameniza a dor
Recomeça teus passos à
base do amor
E aos outros levarás a
verdade
Para libertá-los da
matéria a falsidade
E agora como de costume
despeço
Mas, Vossa Graça, ânimo
peço.
Arranque as velhas
correntes
Expurgue do coração o
velho descrente
Para a cruz que teus
ombros pesar
Lembrai de Jesus, o
mestre que vai-te sempre amar.
Adeus, a Deus
Te rogo
Rainha de poucos dias,
por ti te advogo
Nada tema, nada tema
Não te endureças
Não deixas que os
outros te empurrem para a tristeza
A cada vida, alegria!
Ânimo, ânimo
Coragem e fé, sorria
Que a cada novo dia
Recai sobre ti a luz
Que dos céus irradia.”
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