quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Ciclo de Poemas III: Soneto de Amor pelo Espírito Édouard

 "Amar-te veio com um preço

Se me conheço

Nada devia proclamar

Sequer sobre o passado

Deveria versar

 

Mas aqui nas letras

Assim como na cantiga de Maria

É com alegria

Que as palavras são levadas pela ventania

 

Há muito tempo atrás

Quando nem Ofélia a Hamlet trouxe paz

Vivi como Cleópatra

Sempre querendo mais

 

Tu não fostes minha

Como Helena, fugistes tal qual ciganinha

E assim como Menelau

Esperei pela próxima nau

 

Se Medeia ou Cressida

Não sei

Mas, minha Ofélia,

Em teu desencarne pranteei.

 

Te amei, oh sim!

Perdoei, andei caminhos sem fim

Naquela bela noite de verão

Quando fostes ter com o rei

E partistes meu coração

 

Sem ti, errei; malgrado, neguei

Que distante de ti, infinitamente pequei.

Como o dinamarquês, por castelos perambulei

Em minha inferioridade, a tantos assombrei.

 

E quando reencarnei,

Fostes Penélope. Por tanto me aguardou

Em um só olhar

Soube que me amou

 

Era melhor ser Eneias do que Odisseu

Mais honrado ser Heitor do que Áquiles

Que tudo perdeu

 

Na paciência, fui recompensado por teu amor!

Mas, Julieta, paguei caro por tua dor!

Isabella, que deu nela?

A rosa tão bela, diante de traição

Se desfarela.

 

Amor, amor de um pecador

Cuidaste de mim, um ignorante, pobre sofredor

Sempre andante

Jamais distante

Velando como antes

Por ti, menina cantante.

 

Na França, na Bretanha,

Ou nas ilhas de Arthur

Lembro-te, Ysolda, de minhas façanhas.

Para encorajar-te do que vivemos na infância.

 

Nenhum feitiço enlouqueceu-me a razão

Com sim ou não

Esperei a ser visto na multidão

Resgatei-a como o cavalheiro verde

Que felicidade é poder ver-te!

 

Seja na vitrola, no alaúde

No piano, no clarinete

Dança, como dança, aquela a que vem a ser-te.

 

Sigo te amando, de longe velando

A Deus sempre por ti rezando

Para que um dia te lembres

Do nosso velho encanto...”

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