“Muitas eras passadas
Atravessei em
incontáveis existências
Águas paradas
Que petrificaram minha
vivência.
Em verdade, para ontem
quis
O que a humanidade
fê-me infeliz
Tudo é passageiro
Devemos nos ater ao que
é verdadeiro
E o que é certeiro
Se não o Senhor
Que nos é pastor?
Que nos conduz com
muito amor?
E no entanto a reforma
íntima é difícil
Faz-nos crer que
modificar-nos é impossível
E as querelas somente
aumentam
Tão longe deste
presente
De amado Deus fui
ausente
Caminhei em círculos
Ceguei-me no meu
próprio ridículo
Nas águas da ilusão
Me afundei
E lá por tanto tempo
fiquei
Sequer a fé contemplei
Entretanto, mesmo o
erro é relevante
Para a nossa caminhada
constante
Sede, pois,
perseverante
Elevai teu coração na
vida santificante.
Há sempre dois lobos a
alimentar
Qual deles vás optar?
Antes, porém, cumpre
recordar
Saiba tuas feridas amar
Antes de curar
É preciso te conhecer
melhor e aos conselhos acatar
Para evitar nas pedras
dos outros tropeçar
É preciso também parar
Antes da jornada
continuar
Quando nos desterros
recentes
Tentei-me fazer decente
Em verdade fui
descrente
E padeci sob sol poente
Fui doente
Nas horas finais
Curta vivência ao
Senhor apraz
E quando o cansaço me
tomou
Tarde demais vi o erro
que se formou
E a tu sobre tua cabeça
a coroa repousou
Aquela cuja terra o
laço não se quebrou
É hora, agora
De olhar para a frente
Nas águas paradas
Não cabe fazer onda
É preciso tomar a ronda
No Senhor esperar
Antes de prosseguir nas
águas do mar
Paciência, eis grande
virtude
A desenvolver em
plenitude
Orai e vigiai
Para que a falta dela
não te recai
E amai e perdoai
Setenta vezes sete
vezes
Ainda que aos outros
nada vejam
Deus lá de cima e os
guias percebam
Que teus esforços logo
mais
Em bom fruto
resultarão.”
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