sábado, 24 de dezembro de 2022

Ciclos de Poemas XIV: Águas Paradas. Pelo Espírito Édouard

“Muitas eras passadas

Atravessei em incontáveis existências

Águas paradas

Que petrificaram minha vivência.

 

Em verdade, para ontem quis

O que a humanidade fê-me infeliz

Tudo é passageiro

Devemos nos ater ao que é verdadeiro

 

E o que é certeiro

Se não o Senhor

Que nos é pastor?

Que nos conduz com muito amor?

 

E no entanto a reforma íntima é difícil

Faz-nos crer que modificar-nos é impossível

E as querelas somente aumentam

 

Tão longe deste presente

De amado Deus fui ausente

Caminhei em círculos

Ceguei-me no meu próprio ridículo

 

Nas águas da ilusão

Me afundei

E lá por tanto tempo fiquei

Sequer a fé contemplei

 

Entretanto, mesmo o erro é relevante

Para a nossa caminhada constante

Sede, pois, perseverante

Elevai teu coração na vida santificante.

 

Há sempre dois lobos a alimentar

Qual deles vás optar?

Antes, porém, cumpre recordar

Saiba tuas feridas amar

 

Antes de curar

É preciso te conhecer melhor e aos conselhos acatar

Para evitar nas pedras dos outros tropeçar

É preciso também parar

Antes da jornada continuar

 

Quando nos desterros recentes

Tentei-me fazer decente

Em verdade fui descrente

E padeci sob sol poente

 

Fui doente

Nas horas finais

Curta vivência ao Senhor apraz

E quando o cansaço me tomou

Tarde demais vi o erro que se formou

 

E a tu sobre tua cabeça a coroa repousou

Aquela cuja terra o laço não se quebrou

É hora, agora

De olhar para a frente

Nas águas paradas

Não cabe fazer onda

É preciso tomar a ronda

No Senhor esperar

Antes de prosseguir nas águas do mar

 

Paciência, eis grande virtude

A desenvolver em plenitude

Orai e vigiai

Para que a falta dela não te recai

 

E amai e perdoai

Setenta vezes sete vezes

Ainda que aos outros nada vejam

Deus lá de cima e os guias percebam

Que teus esforços logo mais

Em bom fruto resultarão.”

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