sábado, 24 de dezembro de 2022

Ciclos de Poemas XII: Sem Coroa, Destronado. Pelo Espírito Édouard

 "No sal do mar

Vejo homens se afogar

As lágrimas a derramar

Desterro às almas tomar

 

Como navegantes

Enfrentam dentro de si rompantes

Que os fazem cambaleantes

Da vida aos desafios diante.

 

Já lestes Dante

Sabeis que Virgílio espera adiante

Sempre avante

Mostrando o inferno inconstante.

 

Sofrem os homens

Como ontem

Ignoram o remédio

Que Deus oferece por intermédio

De seres de luz.

 

À nós desceu Jesus

Animo nos deu para carregarmos a cruz

A escolher o amor

Para temperar a dor

 

Na odisseia da vida

Venho a todos recordar

Que para este lado de cá

Terras, títulos e coroas não valem nada.

Levantou-se do túmulo

Um desses que de cristão só tinha o nome.

Aquele que de epíteto

Admiração causou

Aos que na Terra deixou.

 

De que adianta a terra reclamar

E aos outros fazer sangrar

Perdido na cobiça e na avareza

Somente em seu fim conheceu a tristeza.

 

Portou a Espada e fez a História registrar

Qual não foi a surpresa ao sozinha se encontrar

Despojado de seu lar

Da família que veio a amar.

 

No mundo onde não há

Diferenças a separar

Pôs pobre homem a prantear

Se ontem gostava de mandar

Hoje é obrigado a se humilhar.

 

Nenhuma juventude há de durar

A todos o tempo vai passar

Nenhuma riqueza vai ao túmulo levar

Que melhor pompa

Do que pelos familiares ser amparado

Do que por Deus ser amado?

 

Oh, homens! Não fazeis como eu

Não perdeis tempo com inúteis querelas

Tendes fé, instrui-te, não te demores com outra janela

Não esperas, avante, destronado, por Deus amado!

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