"Caros leitores, venho aqui
Não
para vos fazer sorrir
Nem
tampouco tenho a pretensão de inquirir
Memórias
alheias daquele que cessou de existir
À
maneira antiga
Por
meio desta amiga
Vou
contar
Aquilo
que a História não faz mais lembrar
Há
tanto tempo
Antes
da descida de sublime ser
Vieram
querendo
As
musas me fazerem ver
E
é por meio delas
Que
recordo velha querela
Que
quase derrubou a velha cidade de Tebas
Foi,
porém, em Delfos
Que
Apollo professou
Filho
seu, em Tebas reencarnou!
Ai
daquele que não respeitasse
Favorito
de tal deidade.
Seu
nome não posso registrar
Sem
divina permissão à pessoa pode recordar
Por
isto, à história bem devo ficar
Aos
detalhes relevantes me atar.
De
origem divina,
Era
nobre de valor
De
glória portador
Mas
a responsabilidade logo pesaria
Naquele
que era excelso na arquearia.
Embora
seu coração fosse bom
A
guerra era seu verdadeiro dom
Da
obscuridade ascendeu
Liderado
por Apollo, incontáveis homens venceu.
Eis
o general tão honrado quanto Heitor
Sujeito,
entretanto, a padecer vida cheia de dor
Embebecido
de amor
Vaidade
e lealdade constituíram teu esplendor
À
maneira de Homero
Deixava
Áquiles no chinelo.
Esbelto,
de admirável porte
Nosso
amigo chegou à corte
Feito
comandante
A
todos encantava seu espírito cantante.
Ali,
naquela existência conheceu
A
reencarnação de Teseu
Ao
lado de quem inimigos venceu
De
leste a oeste
De
norte a sul
Chegaram
a Tebas os de elmo azul.
Tão
alto chegou
Para
depois cair
Não
era o momento de poder assumir
A
verdadeira honra que o faria sumir.
Inimigos
de dentro
Movidos
pela inveja, partiram no centro
A
conspirar
A
queda do favorito de Phoebo em seu altar
Mas
não era o momento propício para traição
Tebanos,
por que arruinastes teu irmão?
Incorreste
na ira divina como Odisseu
Buscando
comprar Poseidon como fez a Zeus Prometeu
No
entanto, estava a expiar
Espírito
cândido, cujos valores crísticos deveria valorizar
Mas
a guerra ao optar
Falhou
em seguir Sócrates em seu caminhar
Oh
amigo, tão hedonista!
Confiastes
demais, perdeste de vista
Do
alto do ego, ficastes cego
Para
as sombras alheias
Que
nem Apollo impediria tua semeia.
Aconselhado
fostes
A
evitar
O
caminho de Aquiles, tu viestes a trilhar
Por
rebelde que fostes
Não
mais viestes a brilhar.
Sangues
de inocente quiseram
Em
tuas mãos por
Embora
te recusastes, tua consciência
Vibrou
em dor.
Tua
alma sensível no fim despertou
Para
aquele amargor
De
ver inveja naquele que te deu amor
De
ver traição naquele que te jurou sair do torpor
De
ver ódio naquele que te disse, ‘te seguirei aonde for!’
A
diplomacia veio tarde demais
Ao
teu coração, não mais satisfaz
Ser
tu o escandoloso
Oh,
Apollo, fizestes tu belicoso?
‘Em
verdade, meu filho, nesta tua expiação
Foste
tu quem perdestes da moral
A
condução.
Contudo,
sabeis que foi necessário para saberes
Pedir
perdão
Pelos
pecados de antemão.’
‘E
que farei agora, lamentou nobre guerreiro
Que
desejava ter vindo como humilde ferreiro
Enquanto
a cicuta o levava inteiro
De
volta ao velho embate
Para
que enxergasse a verdade.
‘Enquanto
de ti mesmo não te conscientizar
Voltarás
a errar’.
Assim
disse-lhe Apollo
Movido
de compaixão pelo favorito a ver repetir o mesmo erro
‘Não
te desesperes, porém, pois contigo vim ficar
Para
te ensinar na existência próxima
A
não mais errar’.
O
general vaidoso a Apollo pediu perdão
Entrevendo
a dor a padecer então
Cansado,
quis ele a vida deixar
Mas
pelo veneno, foi forçado a morte esperar.
Do
outro lado, entendeu
Que
foi ele mesmo quem cometeu
O
erro de sempre: querer ser popular,
Ser
de todos amado
Como
fez em teu passado
Apollo
a ele mostrou
Que
mesmo quando em outra vida a Afrodite amou
Uma
existência de conhecimento desperdiçou.
‘Não
feches a porta para a sabedoria.
Ela
te será sensata guia.
Caístes
hoje, mas olheis para o amanhã.
Vejo
progresso, preparas agora para teu novo clã.’
Avisou
gentil Apollo
Longe
de ser aquele deus opróbrio.
Encerro
aqui esta epopeia
Atento
como de costume a deste espírito odisseia
Escrevo,
impelido
Por
Apollo amigo
Que
deseja relembrar a coragem deste
Nosso
companheiro antigo.
Em
verdade, em verdade vos digo
Da
virtude transformada em figo
Ergais
com sabedoria e temperança
Para
no presente te conduzas na vida tal dança."
Nenhum comentário:
Postar um comentário