sábado, 16 de julho de 2022

Ciclos de Gaia IV: Regeneração pelo Espírito Caboclo da Águia

"Aos leitores que chegam a nós pelos diversos meios que Gaia lhes dispõe, saudamo-nos. Atendo pelo nome de Caboclo da Águia e vim cumprir a tarefa que o Grande Espírito me incumbiu. A bem da verdade, trata-se mais de reflexões do que uma memória vivenciada por meio de narrações. Serei, portanto, direto e breve. 

Este é um assunto que muitos antes de mim e depois de mim deixaram suas contribuições, a maior parte das quais convergindo sobre a resolução da regeneração: o arrependimento vem diante da tomada de consciência do espírito sobre os erros cometidos, não se afundando neles, mas pronto para não fazê-los outra vez. Depois, vem a expiação segundo o merecimento daquele que errou. Nem sempre, usando a expressão popular, 'se paga na mesma moeda'. Ela vem de formas diferentes. Às vezes, o espírito arrependido já mostra uma mudança na sua conduta que ameniza o 'peso' da expiação. Mesmo assim, ela é necessária. Aquele que causa dor ao outro, de forma intencional ou não, sentirá o que provocou. Isto não é desejar o mal. É um ensinamento. Somente assim se regenerá.

O caminho da regeneração em Gaia é longo e, para muitos, tortuoso. Em verdade, marcados por experiências milenares, o espírito nascido em Gaia guarda doutrinações que o escravizam incontáveis existências. Acha-se imerecedor até mesmo de trabalhar na seara do Grande Espírito por conta de suas imperfeições, acostumado a crer no sofrimento interminável, no castigo que pune sem perdão, na vontade de agradar para evitar conflitos e, desta maneira, cumprir a vontade Daquele que Sobre Nós Reina.

Regenerar-se disto tudo leva tempo, muito tempo de fato. O despertar da consciência vem por meio de incontáveis processos, nem sempre os mesmos para os espíritos que encarnam. Confunde-se a religião com as ideias dos homens, tão limitadas e baseadas na disputa de razão. Que importa como enxergam as entidades, seus nomes, diante da vontade que executam em nome Dele? Que importa como praticam sua fé conquanto ela o torna melhor? O que é, verdadeiramente, ser cristão, umbandista, espirita, candomblecista, etc? 

É somente se colocando no lugar do outro que percebemos que não vivemos a vida de nosso irmão e, portanto, não podemos julgá-lo. Cada um com seu prisma. É imprescindível respeitar isso. Mas a caminhada é longa, como é, e não porque o Grande Espírito determina, mas porque muitos dos encarnados escolhem trilhar a facilidade e escondem-se nas ilusões materialistas. Isto gera um sofrimento.

E os que ouvem a palavra Dele segundo os vários missionários que foram enviados à Gaia, acham-se no direito de possui-la. Ora, sou eu melhor que meu irmão por ir às florestas e consagrar o chá? Sou melhor que minha família por crer que me desprendi das necessidades materiais ao gozar de uma falsa liberdade ao me portar como andarilho? Sou melhor que meu ciclo de amizades por crer compreender as leis que regem a espiritualidade? Não existem donos da verdade. São apenas caminhos diferentes, jornadas individuais que, entretanto, levam ao um único Regente. 

Mas até que interiorizem isso, ah, o pranto e o ranger de dentes vem. Muitas das vezes, porém, o embate interno é necessário como a tempestade que vem dos céus limpar de forma abrupta o caos de Gaia. E sabem por que? Porque na escolha pelas facilidades, a dor é inevitável. Quantos de vocês não tiveram acesso ao conhecimento em tempos pretéritos, mas preferiram deturpá-lo em seu próprio benefício, ou se prejudicaram de alguma forma por escolher os benefícios da carne? Mas o despertar para a regeneração é difícil.

Deparar-se com suas sombras não é fácil. Vocês fazem a ideia de quem são e projetam isso nas suas relações sociais. Acham-se isso e aquilo, dóceis e bondosos. Mas o que é realmente ser bondoso? Para muitos, aquele que não reclama, que abaixa a cabeça e não retruca é bonzinho. Mas será? As aparências podem enganar. Muitos são os que tomam este título, mas na primeira oportunidade julgam o próximo e não praticam, nem se esforçam em praticar, o que pregam.

O erro é natural. Mas deixe-me dizer uma coisa: cada um tem sentimento. Você, eu pergunto, tem respeitado o sentimento do seu irmão que, em silêncio, recusa o combate? Você tem procurado compreendê-lo? Ou julga-o como fraco por oferecer gentileza e suavidade em vez de demonstrar personalidade forte? O que é, porém, personalidade forte? Quantos missionários não desceram à Gaia e seguiram o caminho doce, delicado, movidos pela gentileza?

É difícil regenerar-se. É um processo tortuoso. Eu mesmo passei por isso. Em uma de minhas encarnações aí, nasci em uma família que, havia tempos, me atormentava. Em que sentido? Procuravam dominar minhas vontades e meus sentimentos para que eu agisse como eles. Mas eu não aceitava porque não compartilhava os ideais que nutriam. No meu despertar, achava que devia ajudá-los a se desprenderem da matéria. Tudo isso que disse acima, acreditem, eu fiz. Tentei impor minhas ideias, achei que deveria salvá-los, me anulei neste processo, engoli muitos sapos, achei que evitando conflitos estava fazendo o bem. 

Como também já estive na posição de julgar o irmão da tribo por não fazer aquilo que pensava ser correta os ritos, por não cumprir os dogmas religiosos; já ri do irmão gentil, daquele que estende a mão ao seu agressor. Em verdade, digo: também fui eu o agente das sombras. Mas a mudança que se operou em mim foi complicado.

A verdadeira guerra não é aquela que acontece lá fora, mas a que existe dentro de nós. E quando ela acontece, nós percebemos que é um sinal positivo. E por que, vocês me perguntam. Porque, digo-os, o véu da ilusão não funciona mais. Vocês se deparam com suas sombras e elas não bastam. No início, não as aceitam e parece que há um conflito de consciência. Mas quando são elas que fazem brilhar a luz, vejam só onde chegarão.

"Se eu venci o mundo, também podereis vencê-lo", disse um missionário divino. E é verdade. Todos podem se regenerar e vencer o mundo, mas basta aceitar-se como é e procurar, no esforço diário, se melhorar. Ninguém deve se anular para fazer a caridade, engolir sapos para fazer o bem. No entanto, tem de se pensar: este conflito vale a pena ser lutado?

O respeito começa quando você se respeita. Não se trata de modificar o outro, mas a si mesmo. Como tem reagido diante das ofensas? Porque, em verdade, eu digo: o silêncio da língua nada adiante se a mente borbulha com ofensas e gritos de dor. Para que se exercite o silêncio sereno, deve-se antes serenar a mente. Aceita-se como é, aceita suas imperfeições, mas lembre-se que não deve se sujeitar a ninguém.

Para que entendam melhor o que digo. Jesus o Cristo não curou a todos, nem disse o que deveriam fazer, mas mostrou o caminho a ser trilhado. Respeitou o livre-arbítrio. Compreendem?

Não existe isso de receita rígida, fixa, para a regeneração. Mas tudo começa dentro de você. Veja: como você se trata reflete em como os seus tratam você. Seus sentimentos devem ser respeitados e acolhidos, mas você os acolhe? Por que se esconder no orgulho, meus irmãos? Quantos de nossos irmãos desencarnados anseiam uma oportunidade de melhorar na carne mas, até o presente, estão na fila de espera? Não deixem para amanhã o que podem fazer hoje.

A regeneração não é impossível, longe disso. E cada um trilha com seus anjos de guarda, guias e mentores, enfim, uma equipe de luz designada por Aquele Que Nos Rege. Uma palavra e um socorro virá. Nas lágrimas que caem, a cura se aproxima. Tenham fé que tudo passa. 

Que estas palavras possam servir de consolo, mas proporcionar também alguma reflexão. Se conseguir isso, já me contento.

Que o Grande Espírito os abençoe a todos.

Ahô.

Caboclo da Águia."






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