quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Memórias de um Fantasma

 Nota do Guia de Ogum: "Estimados leitores, eu os saúdo. Aproximamo-nos do final de mais um ano, com mais um ciclo se encerrando. De fato, muitos trabalhos têm sido significativos para que o ensinamento espiritual chegue a vós todos por meio deste instrumento tecnológico ao qual chamam de internet. Digo isto porque um trabalho espiritual, em particular a psicografia que tem sido nosso principal meio de propagação das ideias do "outro mundo" tão bem colocadas por nossos amigos Allan Kardec, Chico Xavier, Divaldo Franco, entre outros autores que tratam do mundo espiritual com a autoridade que lhes é devida, não funciona somente para um lado da história. O que quero dizer com isso é que se trata de um trabalho que envolve a médium que transmite minhas palavras e as das entidades que desejam comunicar-se, destas próprias e também de mim, encarregado de supervisar o andamento das psicografias. A decisão de tornar tais comunicações públicas não parte de mim, mas de uma autoridade maior dos servidores da luz, uma vez que os ensinamentos apreendidos por espíritos desencarnados, mediante suas memórias (através de contos, relatos ou poesias), devem chegar a vós a fim de que podeis refletir sobre vós mesmos, encorajar a busca pela reforma íntima e a compreensão de que tudo é passageiro, com exceção dos ensinamentos que Cristo nos legou. Seja qual for a religião terrestre que vós opteis por seguir, a importância destas psicografias está em proporcionar a reflexão crística, o exame da consciência, evitando sofrer nas ilusões do mundo carnal. A mudança para o bem, o convite que mestre Jesus nos faz diariamente em retornar ao lar do Pai, pode ser dura às vezes, mas, credes, vale a pena. O conhecimento é um excelente remédio para nos curarmos das chagas que ninguém a não ser nós mesmos causamos. Assim se dá início à reforma íntima, a qual de fato pede-nos coragem, pois muitas das vezes nos levará a enfrentar batalhas internas contra nós mesmos. A mudança é possível, e o único que dificulta isto é vós mesmos. Mas tudo se encaminha no tempo de Deus, isto é um fato contra o qual não é possível alterar.  Dito isto, pretendemos, em conjunto com a médium, tornar público a vós mais duas psicografias antes de darmos por encerradas as atividades espirituais psicográficas do ano de 2021. Uma delas, a de hoje, segue a linha dos poemas que vimos publicando, muito embora ressalto que se tratem de espíritos diferentes. Contudo, por motivos que não me cabem colocar aqui, o espírito que ditou o poema em questão, e que tem certas ligações pretéritas com a médium, pediu para que sua identidade fosse preservada. Como sabemos que a identidade tem pouca relevância diante do teor da mensagem, isto em nada alterará o propósito de publicarmo-la aqui. Com isto, deixamos ao leitor a poesia abaixo, ditada por um espírito desconhecido. Que, apesar da beleza de suas palavras, possa fazer recordar que o passado é sempre valiosa fonte de aprendizado, mas que é o presente que cumpre nos incitar à boa mudança. --George."


“Cara senhora

De outrora

Foi-me pedido trazer-te agora

Pois te havia ido embora

Sem ouvir-te a hora

Do embalo da canção

Da melodia que dançaste então

Do passado a olvidar-te, não

Te negarei isto

A fim de pôr em teus lábios

Doce sorriso

Gentil senhora,

Permita-me dizer

O que tenta esquecer

Não te esquiva,

Será que não vê

O amor que aqueles anseiam em ter

Pela senhora acanhada

De cabelos dourados e olhos acastanhados

Oh, donzela

De bondoso coração

Cavalheiros anunciam a busca por ti

Como outrora fizeram-te sorrir

Em torneios gloriosos que me fizeram partir

Desconsolado, angustiado

Quiçá

Não mais estou preocupado

Mas declamo o caminho

De teu amado

Amigo meu

Outrora companheiro de desventuras

Risadas, senhor das duras

Investidas vitórias

Sobre corcel indomado

Valente e renomado

Tornou-se campeão

Desta bela jovem dama

A quem ama

E sempre amou

Em eras que

Por interferência divina

Se separou

Mas agora há de reencontrar

Aquela que por sempre veio a amar.

Proclamo memórias perdidas deste

Herói e sua heroína

Tal qual Arthur resgatou sua menina

E desde então juntos permaneceram

Como haveria de ser

Aqueles cujo amor

Deus em si veio a conceber.”

 

--Autor desconhecido.

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Poemas XVI: Soneto Do Amor.

"Em vias de entrar a primavera

Ponho-me à janela

A mirar bela quimera

Sol pintava céu alto

Com seus raios, tudo ficava dourado.

 

Era, pois, anúncio de primavera

E vedes, quem se aproxima, donzela

Quem é ela?

Da janela, de pedras,

Colorida vidraça

Impede-me que de lá me arrasta

Aos pés de beleza ímpar.

 

Sorriso dócil nos lábios

E olhar curioso

Balançou sua presença a corte.

Deixando-nos todos iluminados

Ante presença de luz

Que da inocência me seduz.

 

Quem era eu ante beleza

Dona de tal porte, era princesa

Do reino onde eram curtos os dias

E longas as noites

Todos queriam cortejá-la com flores

Mas ofereci, mero cortesão, palavras doces.

 

Ouvis o riso de Afrodite

Conspirando com Urânia

Amor, doce tirania.

A que ponto sou subjugado

Pelas deusas, jamais perdoado.

 

Assim, na primavera

Veio ela, tão bela

Quanto Helena e Isabella.

A mim, cantou

E encantou

Logo de mim, se enamorou!

 

Amores impossíveis

São peças de deuses

A rirem de mortais

De quem se compraz

O vazio de deidades

Que amam pela metade.

 

Donzela, intensa

De temperamento criou desavença

Na corte visitante

Fez de mim teu amante.

O rei enfurecido

Teria me despedido

Não fosse a interferência

De minha amada Hortência.

 

A história me esqueceu

A corte entardeceu

Mas o amor jamais morreu.

Pois em seguida renasceu

A princesa da primavera

A quem me recebeu em outra era

Com permissão divina

Para amarmos sem sina."

 

Poemas XV: Ode Ao Amor (III).

“Nas estrelas, o luar

Diante do mar

Põe-se a mirar

A inspirar pobre homem

Ao amor devotar

 

Na Antiguidade,

Por lá passei,

Teu caminho eu cruzei

Em teus braços amei

E à deusa cantei.

 

Cânticos esquecidos

Através de eras renascidos

Alguns redimidos

Outros ainda perdidos

Oh, Afrodite

Não foste tu quem me dissestes

Que o amor suportaria a

Separações causadas pela dor?

 

Lá na Antiguidade

Fui heleno, persa, tibetano,

Caminhei, sempre procurando

Sem de fato ver o que estava me faltando.

 

Mares engoliram navios

Lá qual fizeram percursos de rios

Em meu rosto

Marcava para sempre

O desalento da paixão

 

À cada noite, à cada dia

Nos sonhos acordados dormia

Pensando em teu nobre rosto

Donzela que morreu de desgosto.

 

Se porventura fui causa de tristeza tua

Afrodite presenteia-me com doce amargura

Mas a verdade não pode ser lamentada

Nem transportada para

A mentira, caluniada.

 

E, no entanto,

Não é do pranto que vem o sorriso

Não é da tempestade que vem a luz

 

Sê ti em ti

Enquanto fui em mim

Donzela, não ria deste

Que te canta lamentosa canção

Que outrora a faria prantear no

De pedra salão.

 

Cabe a nós viver

Sem, contudo, esquecer.

As promessas da alvorada

Que à Afrodite amada

Para ela serão professadas

Em ternura e candura

Infinito amor

Que a ela nos une."

Poemas XIV : Amor, Meu Grande Amor.

A lua subiu ao céu

No momento em que ministréu

Convidado foi pelo rei

A participar de sua ceia

 

Àquele que o amor semeia

Motivo algum pranteia

E naquele instante

Fui tão somente figurante.

 

Em cada castelo, em cada jardim.

Andei eu sem fim

De dia, de noite

Hospedei-me à corte

E lá como balei!

E lá como cantei!

 

Donzelas arrogantes

Havia outras preponderantes

Das quais uma se destacou

E meu coração tomou.

 

De arrombo, que tombo

Desavisado fui,

Amado enlaçado

Por bela dama de olhos azuis.

 

Lucrécia, italiana

Nascida romana

Orgulhosa por fora

Mascarava por ora

A bondade de outrora.

 

À Inglaterra uma vez veio

E a tantos cativou

Muitos mais a mão ela recusou

Mas oh que bela

Aquela donzela

Dos ingleses a terra cativou

 

Oh, Lucrécia!

Ouviu-me paciente

Sorriu-me contente

Inspirou-me somente

Sonhos a sonhar

Que infelicidade, porém,

Jamais viriam a se realizar

 

Mas doce Lucrécia! A mim, escutai!

Fico para trás

A fim de esperar

Momento outro a te tomar

Em meus braços e te amar!

 

Lucrécia, amor meu

Objeto de minhas afeições

Com quem vivi dois verões

Em puras ilusões

Como pranteei tua partida

Doce amiga, cuja ternura

Me virou cantiga.

A inspirar-me a velar antiga

Junção d’almas

A outra vez reunir

No futuro de Deus a porvir."

Poemas XIII: Ode ao Amor (II)

“É preciso reunir coragem para falar do amor

Para superar a dor

Para silenciar o dissabor

Ofertado por aqueles movidos a rancor.

 

É preciso ter serenidade

Em contemplar os vícios e as qualidades

Cultivadas na mocidade

Para separar o joio do trigo

E o amor formar

 

A experiência, cabe vivenciar

Para dos tropeços saber levantar.

Das dores, saber reconhecer

Nada há a temer

Pois há tanto a aprender.

 

É preciso defender o amor

Difícil possa ser este labor.

Fácil é amar e tolerar os que conosco convivem

Mas aos adversários da razão,

Que outra pois há solução

Devemos dar que não ensinar a amar?

 

Perdoar é tolerar

Aquilo que no passado viemos a semear

Para no presente plantar

A fim da ignorância curar

E nos recordarmos do que é amar.

 

Sem expectativa, sem matéria,

Sem histeria, sem miséria.

Amar é dar,

Todas as qualidades que n’alma

Soubemos cultivar.

 

Olvidemos hoje

A necessidade no passado

De ser amado e

Também perdoado

Pelos velhos pecados.

 

Amem como amam

Sintam como sentem

Perdoem, meus irmãos

É hora de seguir em frente.

 

Ódio gera ódio

Cuidado com o que propagais

Ao alto

Olhais para o percalço

Que um dia te fostes dado.

 

Amar é tão simples e belo

Ainda que pareça singelo

Cultivar fraternidade

Àquele que pratica maldade

Mas com que frequência

Perdemos a paciência?

Esquecemos a sapiência

De labutas difíceis.

 

Esclarecei-vos, peço!

Ao amor, eu confesso

Que tudo liberto

Dos cárceres da carne

Elevou-me ao Pai

Naquele belo dia de desencarne."

Poemas XII: Lama na Vizinhança.

Nos campos, a colheita

Aos camponeses, era estreita

Maior parte cabia

Aos que a eles devia

 

Cobranças da vida faziam parte

Pobres criaturas que viviam a fazer arte

Dá-lhe infortúnio, que lamento

Àquela que dá à luz infeliz rebento.

 

Frio ao norte

Calor ao sul

Sofre igual o que não comete nenhum mal

Pobre camponês, que nada fez

Sofre em silêncio

Do seu rei a insensatez.

Cá embaixo, porém

Satisfazem-se com o que tem

Em meio à pobreza

Riem-se ante tristeza

E aprendem a valorizar

Aquilo que rei nenhum pode tirar

O bom coração que sabe amar.

 

Assim caminho entre os bons

Ignoro os maus

Carrego comigo somente

De fazer o bem semente

De andar entre boa gente

Para aos do amor deficiente

Ensinar.

Valos que Cristo Jesus veio propagar.

 

Que bem há em apegar

Se não há como levar

O que tens para lá?

Oras, eu digo

Confias, amigo.

Se levares um sorriso

Serás mais bem-vindo

Que desafortunado rico.

 

Recordo bem, pois então

Da matrona que ensinou perdão

Aos camponeses de outrora

Que lamentavam a toda hora

Pelo que faziam contra eles

Aqueles seres.

 

Ora, falou ela

Ouro nenhum compra donzela

Bem disposta a amar

Pois aí está

A questão

Não basta sentir apreensão

Para amar,

É preciso perdoar.

 

Lá no norte,

Entre rancores e dissabores

Enquanto homens vão à guerra,

Veio ela

Entre os homens caminhar

Pregando o perdão

Ensinando este pobre bardo

A todos sem distinção

Amar."

Poemas XI: Um Ode ao Amor (I).

Na Bretanha, vivi.

E moça ruiva conheci

De belo semblante

Vinha de povo cantante.

 

Nômade de origem

A história não registrou

Doce e inocente

O amor que sua presença

Neste mundo propagou.

 

Um dia desposou

Rico comerciante agonizante

Em solidão pouco estonteante

Ensinou-o a fé

Desprovida de matéria

Pura e sincera

Transformou-o em ermitão

Puseram-se em procissão.

 

Milagres o povo passou a admirar

Jurando aos padres o que vinham testemunhar

Candura e tenra, cigana que era

Sem distinção soube aos pobres amar

Clamavam mulheres e homens

Terem visto nela

Santa Clara a abençoar.

 

Mulher sem nome,

De alma brilhante,

Curou-me de solidão semelhante

Ao marido, que me deu abrigo

E pela graça de Deus

Virou meu amigo.

 

E nesta santidade

Pela Igreja reprovada

Escondeu bela mulher

Do fogo

Pelo povo amada.

 

E dizem os desafortunados

Que por suas mãos foram tocados

Que seu nome era Serena

Como deusa na Terra, era plena

Em amar e perdoar

Aqueles em que seu comando

Vinha receber

Para acolher

No seio de seu ser.

 

Este é o amor de Cristo

Sublime e puro.

Que possam aspirar

A lhos assemelhar.

 

Afinal, ainda que desta vida

Passageiros sejamos,

Toda oportunidade que desfrutar possamos,

Amaremos uns aos outros,

Como por nosso irmãos maior

Fomos amados."

Contos de Nanã, vol.1--Nas Areias Do Cairo, pelo Espírito X.

Nota da guia de Nanã: "Caríssimos amigos, irmãs e irmãos na Terra. Em nossa longa caminhada espiritual, habitamos inúmeras moradas do P...