quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Poemas XI: Um Ode ao Amor (I).

Na Bretanha, vivi.

E moça ruiva conheci

De belo semblante

Vinha de povo cantante.

 

Nômade de origem

A história não registrou

Doce e inocente

O amor que sua presença

Neste mundo propagou.

 

Um dia desposou

Rico comerciante agonizante

Em solidão pouco estonteante

Ensinou-o a fé

Desprovida de matéria

Pura e sincera

Transformou-o em ermitão

Puseram-se em procissão.

 

Milagres o povo passou a admirar

Jurando aos padres o que vinham testemunhar

Candura e tenra, cigana que era

Sem distinção soube aos pobres amar

Clamavam mulheres e homens

Terem visto nela

Santa Clara a abençoar.

 

Mulher sem nome,

De alma brilhante,

Curou-me de solidão semelhante

Ao marido, que me deu abrigo

E pela graça de Deus

Virou meu amigo.

 

E nesta santidade

Pela Igreja reprovada

Escondeu bela mulher

Do fogo

Pelo povo amada.

 

E dizem os desafortunados

Que por suas mãos foram tocados

Que seu nome era Serena

Como deusa na Terra, era plena

Em amar e perdoar

Aqueles em que seu comando

Vinha receber

Para acolher

No seio de seu ser.

 

Este é o amor de Cristo

Sublime e puro.

Que possam aspirar

A lhos assemelhar.

 

Afinal, ainda que desta vida

Passageiros sejamos,

Toda oportunidade que desfrutar possamos,

Amaremos uns aos outros,

Como por nosso irmãos maior

Fomos amados."

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