quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Poemas XII: Lama na Vizinhança.

Nos campos, a colheita

Aos camponeses, era estreita

Maior parte cabia

Aos que a eles devia

 

Cobranças da vida faziam parte

Pobres criaturas que viviam a fazer arte

Dá-lhe infortúnio, que lamento

Àquela que dá à luz infeliz rebento.

 

Frio ao norte

Calor ao sul

Sofre igual o que não comete nenhum mal

Pobre camponês, que nada fez

Sofre em silêncio

Do seu rei a insensatez.

Cá embaixo, porém

Satisfazem-se com o que tem

Em meio à pobreza

Riem-se ante tristeza

E aprendem a valorizar

Aquilo que rei nenhum pode tirar

O bom coração que sabe amar.

 

Assim caminho entre os bons

Ignoro os maus

Carrego comigo somente

De fazer o bem semente

De andar entre boa gente

Para aos do amor deficiente

Ensinar.

Valos que Cristo Jesus veio propagar.

 

Que bem há em apegar

Se não há como levar

O que tens para lá?

Oras, eu digo

Confias, amigo.

Se levares um sorriso

Serás mais bem-vindo

Que desafortunado rico.

 

Recordo bem, pois então

Da matrona que ensinou perdão

Aos camponeses de outrora

Que lamentavam a toda hora

Pelo que faziam contra eles

Aqueles seres.

 

Ora, falou ela

Ouro nenhum compra donzela

Bem disposta a amar

Pois aí está

A questão

Não basta sentir apreensão

Para amar,

É preciso perdoar.

 

Lá no norte,

Entre rancores e dissabores

Enquanto homens vão à guerra,

Veio ela

Entre os homens caminhar

Pregando o perdão

Ensinando este pobre bardo

A todos sem distinção

Amar."

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