Nota do Guia de Ogum: "Saudações fraternais, meus irmãos e minhas irmãs. Ainda em nosso trabalho espiritual, com o aval do Alto e de nosso Pai Celestial, seguimos com os relatos trazidos de boa vontade por nossos irmãos deste plano, alguns dos quais têm ligações fluídicas com a médium formadas no presente enquanto outros o têm por conta de vivências pretéritas em comum. E o relato de hoje trata de um espírito que "enquadramos" no segundo grupo, isto é, que é familiar à médium por conta de outras existências. Pensando nestes aspectos, para que não interfira em outros assuntos que não posso aqui aprofundar, foi acordado que se omitisse o nome. Nunca é demais recordar que a identidade espiritual não contém valor diante dos ensinamentos que a entidade traz. As psicografias vão além disto que vos chega, mas o processo não cabe a ser discutido aqui e no presente momento. O que importa é algo que já foi falado, mas cumpre reforçar quantas vezes for necessário: a caridade missionária não escolhe, não difere, não julga. Ela acolhe, seja qual entidade for, independentemente de quem foi na Terra ou em outros planetas. Deus ama a todos igualmente, e pensar que algo feito na Terra fará com que haja diferenciação no tratamento, é errado e injusto. Lembramos aqui das parábolas do rico e a do filho pródigo, presentes nos evangelhos. Esperamos que as reflexões de nossos amigos espirituais possam de algum modo encorajá-los a desenvolver o olhar interno, a buscar a reforma íntima e a desprenderem-se dos excessos na procura pelo equilíbrio por meio da vivência das leis de nosso Pai. Que Deus esteja sempre convosco.--George."
“A História é cruel ao pintar aqueles que ocupam o majestoso cargo de rei e rainha como vaidosas criaturas perdidas em seus prazeres e marcados por vãs ilusões. Não é uma acepção incorreta quando, de fato, ser responsável por tantas vidas faz-nos incorrer a erros que tomam várias encarnações para corrigi-los. Por outro lado, há os que enxergam neste título ofício divino e incorruptível que atravessa intacto ao curso dos séculos, embora marcado por sangue derramado dos que porventura cruzaram seu caminho.
Foi
somente em minha última encarnação como desconhecida mendiga que contemplei a
realidade da roda da fortuna. De fato, em um dia somos alçados ao mais alto
patamar, mas a queda será tanto maior se falharmos com a tarefa que nos foi
incumbida por aquele que nos Criou.
Infelizmente,
quando volvo meu olhar para aquela vida, percebo o tanto de desperdício que
mergulhei. Sim, era piedosa, mas a fé era frágil, reflexo de meu aspecto
espiritual que, apesar das limitações que ainda tenho de despojar, dou graças
ao Pai por não permanecer o mesmo de dias longínquos.
Mas
não venho aqui para meditar sobre pretérito vaidoso e glorioso que, em verdade,
nada tiveram de glória. Venho falar do luto que como esposa e mãe, e filha e
irmã, passei nos turbulentos dias do século XV.
Amar,
amei. Duas vezes, embora arrisco-me dizer que foi meu segundo esposo que
correspondeu ao que pensava ser um consorte adequado: alto, belo e de ideais
justos. Era forte, sem dúvida, e inteligente, mas vivia muito para a matéria
dada a posição em que ocupava. Em nosso casamento, busquei emular o matrimônio
de meus pais, cuja união foi uma contravenção de tempos em que o sentimento
importava muito pouco. Mas ele não era sempre fiel, o que de imediato aceitei,
pois que deveria fazer? Fui magoada, mas como mulher em dias como aquele era
preciso aceitar certos comportamentos. E quando fui alçada à posição mais
cobiçada do reino da “noite para o dia”, toda cautela era pouco.
Quando
ele veio a falecer, senti que meu mundo desandou. Meu coração partido, de vez
se quebrou. Lembro do olhar que ele me lançou antes que suas forças se
esvaíssem. E posteriormente, habitou em meus sonhos, chamando pelo meu nome.
Ele não estava em paz e com a usurpação de seu irmão e o subsequente
desaparecimento de nossos filhos, como poderia? Os momentos difíceis pedem que
tenhamos fé e confiança no Alto. Acostumei-me com a vida fácil e desconheci,
não obstante tantas calúnias e traições pelas quais suportei, outras
dificuldades. Receber meu esposo em nossos aposentos era como tomar o sol como
companhia. Um descuido e poderia se queimar, mas a luz que emanava valia tudo a
pena. Em retrospecto, penso que, sim, ele me amou, mas o amor em sua concepção
era muito materialista.
O
amor não tem posse e não machuca àquele que vem ser seu objeto de mais cara
afeição. O amor é livre e nada espera em retorno. O amor é o sentimento mais belo
cantado pelo Nosso Senhor quando ele veio à Terra. Este é o sentimento que
devemos aspirar a ter e sentir. O amor é alegria, compreensão e compaixão.
Oferece misericórdia e perdão, jamais violência nem grosserias de outro modo.
Àquele que ama, ouve e admite sem dificuldades os erros. O amor é, portanto,
humilde e não se alimenta de joias, de palavras, mas de ações belas e práticas.
O amor respeita e não impõe.
Apesar
disso, nós nos amamos, sim. E como sofri quando desencarnou. Sentir em minhas
mãos a febre ser tomada pelo frio abrupto. Suas últimas palavras, amorosas, não
puderam, porém, abrandar-me o pranto. Estive desolada. Tanto quanto perdi meus
filhos em anos anteriores. Oh sim. Quando uma de minhas filhas, cujo casamento
planejava com tanta adoração, veio a desencarnar... Impactou-me de tal maneira
que mesmo então não compreendi o que era ser mãe, realmente. A verdade é que eu
estava mãe, não era. Amava minhas crianças e desejava o melhor para elas, mas
vejo que tudo isso foi fruto de projeções minhas sobre elas. Pus uma em um
trono porque achava que Deus quisesse assim, mas queria Ele? Ou queria eu?
Arranjei alguns casamentos para alegria do reino ou para minha satisfação
pessoal?
Questões
assim perpassaram minha mente quando vi minha filha prostrar-se fria. Meu
esposo também ficou muito abalado, ela lhe era muito querida. Lembro-lhe que
ele, muito espantado, virou o rosto e disse:
“E...,
que somos nós no mundo? Que morte é essa que arrebata todos igualmente?”
Havia
revolta, mas que é a revolta se não a expressão da dor? Uma dor que poder-se-ia
ter evitado? Não gosto de pensar que sim. Seria remoer o que não pode ser
mudado. Mas é em momentos como esse que percebo que títulos são apenas isso:
criações da Terra. Em todos nós há vaidade, orgulho e egoísmo. Em poucos se
admite tais. Mas que jamais nos esquecemos que o amor dissolve todas as demais
diferenças.
E
a você, minha criança, lembre-se de que o amor, enquanto expressão da mais
cândida alma, não passa o tempo tal qual o amor de Jesus para conosco. O amor
espiritual vem quando o Pai permite, quando achar que estamos preparados. O
amor carnal, do contrário, é passageiro e geralmente o é para nos ensinar de
que, de corações partidos, encontramo-nos novamente.
Quando
tiver a oportunidade, falaremo-nos outra vez. Mas recorda disso: a cura vem de
dentro para fora. Aproveita seu próprio tempo para que o amor espiritual venha
a sua porta tal qual veio a minha.
Afetuosamente
sua,
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