quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Relatos III: Contemplações, pelo Espírito Moisés-Joaquim.

Nota do Guia de Ogum: "Bom dia, caros companheiros e companheiras, irmãos em Cristo. Em mais um relato que trazemos a vós, cumpre fazer breve introdução. Moisés-Joaquim é o nome escolhido por nosso irmão desencarnado que vem sido assistido em seu progresso no plano espiritual há um bom tempo. Segundo a lei de afinidade que rege tanto o plano daqui quanto o vosso, isto é, quando há afinidade fluídica, moral e intelectual entre um espírito encarnado e um desencarnado, estabelece-se uma ligação. Como a médium apresenta interesses intelectuais muito similares aos deste irmão cuja comunicação tornamos pública hoje, ele vem-na acompanhando em seus estudos. A partir disso, sentindo que seu entendimento quanto ao funcionamento do plano espiritual e suas leis ditadas pelo Pai Celestial vem aumentando, ele pediu permissão para se comunicar, o que foi garantido segundo seu merecimento. Creio que não preciso dizer mais, pois o restante ele mesmo fez questão de expor. Somos gratos a sua contribuição e esperamos que as reflexões deste bondoso amigo e irmão possam inspirá-los a seguir no caminho da luz.--George."

“Fui judeu em uma época muito distante da sua, minha cara. Temo que possa ignorar os termos que outros estudiosos da Torá possam estar mais familiarizados. Mas não será disso que falarei, não é o propósito que me move aqui.

A verdade é que venho a acompanhando nestes últimos estudos do Evangelho e acerca do Espiritismo, desta doutrina que, não nego, me fora desconhecida. Mas a sua luz de conhecimento e sabedoria me atraiu até aqui, pois confesso que até então me achava perdido.

Por muito tempo fiquei muito vidrado, quase obcecado com a forma dos rituais que os hebreus reproduzem tradicionalmente século após séculos com base nas leis mosaicas. Casávamos entre nós mesmos não somente pelos motivos de cupidez que, hoje mais esclarecido, me envergonham, mas também por segurança. Quando Moisés nos libertou da escravidão egípcia, pensamos que éramos livres de fato, mas ao contrário... por quanto tempo fomos perseguidos? Sei que sabe que, no caso da Inglaterra, foi somente depois de 1743 que fomos dados a permissão de residir lá. Muito mais recente foi o holocausto que dizimou mais de 1 milhão de almas, a maior parte da qual era inocente de toda e qualquer acusação, e cujo único crime era ter nascido hebreu. Recebemos século atrás de século a culpa pela crucificação do Messias. Oh, que lamentosa vergonha sofremos pelos atos de nossos antepassados! Todavia, devo dizer que ante a multidão que gritou pela morte Dele havia pesada influência sobre os sacerdotes. Tudo isso aprendi aqui, no plano espiritual.

Fui português e, por muita sorte, escapei da perseguição judicial da “Santa” Inquisição. Fui obrigado a tornar-me Oliveira, vergonha que carreguei em minha consciência. Ao olhar para os percalços passados pelos meus antepassados, seria justo procurar pela sombra mais tranquila? Desposei Elisabet e, depois, Esther. Com ambas tive filhos. Crianças doces, uma delas que me lembra você porque tinha voz doce que cantava melodia d’alma e uma sede por saber. Como pai devoto, eduquei como podia. Preparei cada um para casamentos.

Mas era mui difícil ouvir a pergunta das crianças: papai, por que abjurou de sua fé? Nossos ancestrais morreram por ela. O décimo e oitavo século me trouxe pesados questionamentos que somente agora pude compreender. Fui mercador, mas me corrompi no caminho. Comprei a Igreja para que não me perseguisse. Fugi de mim mesmo. Tornei-me quem não quis. Vivi da vaidade mundana e certamente ouvi que era tão caracteristicamente hebraica.

Hoje aprendo a não ter culpa por ter protegido minha família. Em um mundo duro e cruel, fazer isso de bom grado contra as convenções é bom sacrifício aos olhos do Pai. Sim, errei e bastante, mas também Ele me perdoou. A todo instante, Ele nos oferece perdão e, no entanto, quantas não são as vezes em que fugimos dEle? Conforme estudava no plano espiritual, antes mesmo de mo ser dirigido a você, filha, soube que eu, do alto do meu ouro, julgava muitos. Descobri que os crimes dos outros que julguei com tanta ferocidade... No pretérito cometi. Eis outra valiosa lição: o que realmente sabemos? Podemos de fato medir por nossa régua a vida alheia? O Pai mo ofereceu perdão e outra oportunidade de limpar-me dos pecados. Por que recusamos o mesmo aos outros?

Sabe, filha, sei que a situação anda difícil. Não sei o que seria de mim ou dos meus se renascêssemos hoje em Israel. Ou em qualquer outro lugar do globo terrestre. O que me move é a fé no futuro. É por isso que vim. Para animá-la. As energias estão misturando demais e algumas das vezes recaem sobre você. Mas lembre-se de sua candura, da sua doçura e sua sapiência. Sabe lá aonde vão levá-la? Os bons espíritos a acompanham, crê no que digo. E, sem saber, me ajudou bastante. Reencontrei, por sua causa, todos os filhos que temi ter perdido. Obrigado.

Aqui está minha retribuição. O conhecimento é um caminho que vale a pena, e para os que vivem com pressa, não percebem as pedras que somente você precisa passar para superar até mesmo a si mesma. Confia, que os resultados vêm. Seja agora como no futuro. O importante é sorrir e espalhar a sua alegria por aí. Nisso, digo mais. Aprendi com você que o esclarecimento vale tudo a pena. Que significa a fé sem a razão? Perdoe-se como perdoa os outros, paciência tenha como tem com os outros. Assim, virá o que tanto busca.

De seu sincero amigo.

Moisés-Joaquim.”

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