segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Poemas VI: Louvor Ao Amor

"Lábios como mel

Recebem palavras do céu

Olhos tão acastanhados

Fazem-nos sentir convidados

A contemplar em

Régia figura

Beleza ímpar.

 

Nos livros, nos bosques

Nos castelos, nos jardins

Em labirintos sem fim

Banhada de sol

Sentava cercada de seu girassol

E sem ser percebida

Cantava como rouxinol.

 

Inocência cercava

Puro coração

De cuja intenção

Uma incógnita permanecia

Aos que pela vaidade e cobiça

Foram cegos

 

Embora vivesse em prata e cobre

Nada mais era tão nobre

Que teu bondoso ser

Cuja alma em essência

Dominava toda decência

Que somente os impuros de fé

Padeciam, pareciam temer.

 

E, no entanto,

Ainda que nenhum dos homens

Houvesse coelhões de cortejá-la

De tais brutamontes

Despontou

Aquele que Apollo amou.

 

Abençoado como Aonis

Amado como Safo

Ei-lo belo rapaz

A quem somente

Donzela inocente

Se compraz

 

Almas reunidas

Jamais pelos supérfluos serão vencidos

Pois amor sincero

Deus abençoou

Tal como quando Noé repovoou

Uma terra pela desesperança marcada.

 

Justo é pois o Senhor

Que permitiu o Amor

De duas almas antes presas

Em inexplicáveis tristezas

Agora reunidas

Na êxtase sentida

Por aquelas a quem

O amor enfim se sentiu

Bem recebida."

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