quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Poemas V: Fantasmas de Inverno.

"Contam-se histórias de amor

Lamentam pela dor

Do dissabor, os vivos

Que ficam.

 

Permanecem presos ao passado

Remoendo o que não pode ser mudado

Pois o que foi feito jamais será alterado.

 

Ei-lo, pois

Os que ficam depois

Que a morte convida a pensar.

Ei-lo, pois

Os que deixam para depois

Feitos que não mais pode realizar.

 

Em vida, vi.

Vivi, segui.

Pobres homens em labores

Sem que com isso sonhem

O que não consomem.

Pois no campo é semente que planta

Para semear a dor que se canta

O camponês.

 

Era uma vez

Um eterno inverno

Confundido com inferno

Pelos homens que

O amor desconhecem

Havia os que o castelo

Em vingança assombram

Sem consciência de si

Sem ter aonde ir

 

Mas, em vida

Em morte

Contamos com a sorte

Do Salvador

 

Oh, Pai; oh, irmão!

Não foi senão jogador

Levando-me do túmulo

Para escrever-lhe do ardor

Deixados pelos atormentados

 

Dia-a-dia, porém

Sorrimos no além

Já conscientes de nós

Desatando tais nós

Não mais tais homens

Estão à sós.

 

Vencida batalha

Interna, ad eterna

Caminham os fantasmas

Para o alvorecer

Prontos para o esclarecer

De paz com velhos inimigos

Agora amados como amigos

 

Gravados em velho poema

Esquecidos, tornam-se lenda

Aonde houver ouvintes

Esperança há de se espalhar

Para que não mais haja

Fantasmas de Inverno

A se espreitar."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contos de Nanã, vol.1--Nas Areias Do Cairo, pelo Espírito X.

Nota da guia de Nanã: "Caríssimos amigos, irmãs e irmãos na Terra. Em nossa longa caminhada espiritual, habitamos inúmeras moradas do P...