Sem
dormir, incessantemente questionei
Se
aquilo que ouvi, vivenciei
Poder-se-ia
chamar amor
Nos
encontros de amigos
Distante
das fofocas de inimigos
Entre
sorrisos
Falávamos
de amor
Um
deles assim colocou
Que
um dia no amor não acreditou
Até
o filho de Afrodite nele a flecha arremessou
Havia
o amor físico, constatou
Mas
que pela eternidade nunca passou
Se
uma noite muito durou
Mas
o amor d’alma
Ah,
essa, meu amigo, traz calma
Não
bastam arranjos
Para
fazer amar dois estranhos
Não
basta distante lá colocar
Sujeitos
que não sabem se respeitar
E,
no entanto,
Basta
um momento de desencanto
Para
aquele que diz amar
Se
distanciar
E
deixar o ser amado a prantear
Não,
afirmou o amigo peremptoriamente
O
amor verdadeiro não mente,
Não
torna seu objeto dele descrente
Contudo,
deve a vontade divina prevalecer
O
amor a tudo pode vencer
Se
tolas as desavenças se puserem a esquecer
Outro
amigo, entretanto, desgostosamente riu
Em
seu semblante, desapontamento se viu
Olhares
todos trocamos, esperando pelo que mais tarde se ouviu
“Caros
amigos. Louvam o amor como poetas
Ávidos
para seguir do Cupido a seta
Que
somente faz ferir
Os
que pelo amor se deixam iludir.
Permitam-me
dizer o que recusais a ver.
Amor
nada mais causa que a dor.
Quando
confiais no outro teu coração
Esperas
e vedes, que virá tamanha traição.
Por
meus pais conheci bela donzela
Prometeu-me
não somente o dote, mas tudo o que me daria ela.
Acreditei-me
firmemente arrebatado
Como
não poderia, portanto, estar apaixonado?
Estávamos
enfim prontos a desposar
Um
ao outro, juramos amar
Mas
na infelicidade do destino assim riu Afrodite
Pois
me deixou triste
Com
a súbita partida daquela que junto a Eros fugiste.
De
que valem promessas
Perante
falsas rezas?
Egoistas
não somos todos diante de Apollo profeta?
Rogamos
e rogamos
Mas
sem justa causa amamos
No
fim, o amor divino desprezamos”
Em
silêncio ficamos
Pelo
coração partido do companheiro que tanto prezamos
Mas
sábio amigo acrescentou o que deveras pensamos:
“Amar,
rapaz, é somente complicado
Quando
colocamos a nós mesmos antes do bem amado.
O
amor verdadeiro é belo e procura sempre pela verdade
Refuta
e recusa antes todo sinal de falsidade.
Se
desde o princípio há resistência de ambas as partes
Por
que forçar algo que exigirá grande cura mais tarde?
Fostes
egoista, meu amigo, ao não ver o perigo
De
arranjar uma donzela que amou teu inimigo.
Mas,
em verdade, te digo
Não
basta oferecer ombro amigo
Muito
embora também este seja outro tipo de amor
Que
cura a tua dor
É,
porém, preciso que revejas tuas necessidades
Para
não sofrer em nova roupagem
Amor
divino não tem culpa das escolhas feitas
Mas
oferece, ao contrário, perdão pelas nossas afeitas
A
fim de que possamos buscar o verdadeiro
Questionemos
sem cessar
Aquilo
que nosso coração veio amar
Caso
seja certeiro
Imperativo
é saber ouvir a alma
Para
que não a envolvemos em irrisória simplória falsas ideias
Ou
nos afundaremos em novos traumas”
Aqui
o aplaudimos por bela reflexão
Ainda
hoje levo comigo valiosa lição
Não
basta procurar o verdadeiro e distinguir do falso amor derradeiro
Temos
que antes com o divino nos reconectar
A
fim de melhorar
Para
poder genuinamente ao outro amor ofertar"
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