segunda-feira, 16 de maio de 2022

Ciclos da Vida IV: Amor, pelo Espírito Aristófanes

"Incontáveis noites me perguntei

Sem dormir, incessantemente questionei

Se aquilo que ouvi, vivenciei

Poder-se-ia chamar amor

 

Nos encontros de amigos

Distante das fofocas de inimigos

Entre sorrisos

Falávamos de amor

 

Um deles assim colocou

Que um dia no amor não acreditou

Até o filho de Afrodite nele a flecha arremessou

 

Havia o amor físico, constatou

Mas que pela eternidade nunca passou

Se uma noite muito durou

Mas o amor d’alma

Ah, essa, meu amigo, traz calma

 

Não bastam arranjos

Para fazer amar dois estranhos

Não basta distante lá colocar

Sujeitos que não sabem se respeitar

 

E, no entanto,

Basta um momento de desencanto

Para aquele que diz amar

Se distanciar

E deixar o ser amado a prantear

 

Não, afirmou o amigo peremptoriamente

O amor verdadeiro não mente,

Não torna seu objeto dele descrente

 

Contudo, deve a vontade divina prevalecer

O amor a tudo pode vencer

Se tolas as desavenças se puserem a esquecer

 

Outro amigo, entretanto, desgostosamente riu

Em seu semblante, desapontamento se viu

Olhares todos trocamos, esperando pelo que mais tarde se ouviu

 

“Caros amigos. Louvam o amor como poetas

Ávidos para seguir do Cupido a seta

Que somente faz ferir

Os que pelo amor se deixam iludir.

 

Permitam-me dizer o que recusais a ver.

Amor nada mais causa que a dor.

Quando confiais no outro teu coração

Esperas e vedes, que virá tamanha traição.

 

Por meus pais conheci bela donzela

Prometeu-me não somente o dote, mas tudo o que me daria ela.

Acreditei-me firmemente arrebatado

Como não poderia, portanto, estar apaixonado?

 

Estávamos enfim prontos a desposar

Um ao outro, juramos amar

Mas na infelicidade do destino assim riu Afrodite

Pois me deixou triste

Com a súbita partida daquela que junto a Eros fugiste.

 

De que valem promessas

Perante falsas rezas?

Egoistas não somos todos diante de Apollo profeta?

Rogamos e rogamos

Mas sem justa causa amamos

No fim, o amor divino desprezamos”

 

Em silêncio ficamos

Pelo coração partido do companheiro que tanto prezamos

Mas sábio amigo acrescentou o que deveras pensamos:

 

“Amar, rapaz, é somente complicado

Quando colocamos a nós mesmos antes do bem amado.

O amor verdadeiro é belo e procura sempre pela verdade

Refuta e recusa antes todo sinal de falsidade.

 

Se desde o princípio há resistência de ambas as partes

Por que forçar algo que exigirá grande cura mais tarde?

Fostes egoista, meu amigo, ao não ver o perigo

De arranjar uma donzela que amou teu inimigo.

 

Mas, em verdade, te digo

Não basta oferecer ombro amigo

Muito embora também este seja outro tipo de amor

Que cura a tua dor

 

É, porém, preciso que revejas tuas necessidades

Para não sofrer em nova roupagem

Amor divino não tem culpa das escolhas feitas

Mas oferece, ao contrário, perdão pelas nossas afeitas

 

A fim de que possamos buscar o verdadeiro

Questionemos sem cessar

Aquilo que nosso coração veio amar

Caso seja certeiro

 

Imperativo é saber ouvir a alma

Para que não a envolvemos em irrisória simplória falsas ideias

Ou nos afundaremos em novos traumas”

 

Aqui o aplaudimos por bela reflexão

Ainda hoje levo comigo valiosa lição

Não basta procurar o verdadeiro e distinguir do falso amor derradeiro

Temos que antes com o divino nos reconectar

A fim de melhorar

Para poder genuinamente ao outro amor ofertar"

 

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