domingo, 15 de maio de 2022

Ciclos da Vida II: Teatro da Vida, pelo Espírito Aristófanes.

"No teatro da vida, rimos

Sorrimos

Fingimos

 

Mas choramos

Amamos

Odiamos

 

Frustramos

A nos mesmos

Com as gazelas de outrora

Sem saber para onde ir embora

Perguntando-se a Deus o que fazer agora

 

Somos todos atores

Enfrentamos, no entanto, as dores?

Ora tais as desconheço

Mas por dentro, delas padeço

 

Um notório cidadão

Um dia me disse então

Que eu não sabia dizer não

 

Disse-me ele

E tu que fazes? Críticas os outros em riso

Mas sofre sob falso sorriso

Para que outros te ponham no lugar que ninguém teve

 

Agradar ou desagradar?

Por que nao amar?

Mas o que é de fato amar, te pergunto?

Significaria te subjugar

Aos outros que proclamas respeitar?

 

Por que se perder

Naquilo que não faz parte do teu ser?

Nas ruínas da filosofia

Reina longe dos olhos e plena a sabedoria

 

Vedes por onde trilhas

Não sê exigente demais consigo mesma

Caminhas somente, andarilha

E recordas de quem te dás certeza

 

Nos murmúrios e lamentos que ninguém vé

Espreita quem te protege e ama até sem querer

Mas com muito prazer

 

Não se prenda às lastimas da vida

Sê personagem, sê jogador

Mas seja teu próprio senhor

E não compre nenhuma briga

 

Os conflitos alheios fazem interessante este cenário

E, entretanto, recorda-se o berçário

Onde o orgulho supera a timidez

A fim de disputar quem não quer perder a vez

 

No louvor do amanhã esperamos

No porvir, preparamos

Neste meio tempo, lembras novamente, porém

De que nem tudo dos outros te convém

 

No teatro da vida

O riso é tão certo quanto a lágrima

Perdoa tuas lastimas

E segue calma com a brisa

 

Nenhuma tempestade é duradoura

Tão somente a paz interna deve ser almejada

Te concentras na boa lavoura

Que colherá a bem amada

 

No arco íris que tinge o céu

Vedes que cor te remetes ao teu coração

Feito de mel

Nenhuma sombra eclipsará

A luz que veio te fazer reinar

Confias e segues adiante

 

Tal como Afrodite, sê bela

Dentro e fora

De valores aos olhos da alma daquela

Que um dia conheci

E agora faço rir

 

Dizia um amigo meu a este respeito

“Ora ora por que te tratas com despeito? Aquele que abraça a comédia será sempre o aguardar da tragedia?” E foi com sabedoria

Que concluiu: “Caro, que divina sinfonia! Mas equilíbrio é necessário para se conhecer preciso. Solte, pois, este riso! Nem mesmo a alegria Zeus desconheceu!”

 

Sobre isto digo

Nada de fato conheço, mas conheço isto

Por desde ontem sigo

À procura do amor, da comédia, da tristeza

Mas é tudo isto que faz a vida uma beleza!

 

Passageiros todos somos

Para desperdiçar momentos risonhos

E cultivar tantos outros tristonhos

 

Que sabemos de nos mesmos nestes entrementes?

Se não basta com as pequenas coisas estar contente

É bom que aos outros te lembres

Do sol poente

 

Destas breves palavras deixo reflexão

Afinal, o mundo é feito de ação

E reação

Não te prendas ao não

E almejas ao sim

Para te desprender de um único fim

 

Nos papéis que desempenhamos

Sem dúvida erramos

Em meio a tantos que amamos

 

Mas recordas antes de tudo

Da importância do autoperdão

Isto é também ser cristão

Nenhum erro e aprendizado se vão

Transmutam-se e elevam-se na imensidão

Da alma

 

Que, ao contrário de Aristoteles,

Por humildade e gentileza qualidades de grandeza

Ele, na ignorância de tamanha destreza

Não soube contemplar

 

Contudo, precisou ele também reencarnar

Nenhum sábio é verdadeiramente sábio

Se não souber sem julgamentos amar

Sem nos outros orgulho projetar

 

E esta lição Sócrates alertou

Mas no teatro da vida ninguém se lembrou

 

Aprendemos com os antigos a nos renovar

Na sabedoria do evangelho

A todos nós amar, perdoar

E humildade criar

Para que nova e sublime alma

Possa sobre as sombras internas reinar!

 

E se em meio às dificuldades o trauma não passar

Lembras das vitórias que pudeste catalogar

Na alma

No espírito

Virtudes te fazem singular

É no serviço aos outros que vai te melhorar

 

Se nada sabemos de onde viemos

Ora a que pertencemos? Escondem e omitem

Verdades que irritem

Matéria prevalece neste teatro

Ora, tão somente se prendem em falso retrato

 

Na comédia e na tragédia

Saiba a honra escolher

Como dizia caro Shakespeare

Que procurava a todos escrever

 

Rei ou rainha

Poeta ou cidadão

Não ligue para rinhas

Sê tu do universo vasta imensidão

 

Término por ora

Palavras que não pintei outrora

Nas faces alheias

Pois muito mais com sereias

Me preocupei então

 

Não há adeus

Tão somente um Deus

Que busca reunir

O que um dia nós mesmos fizemos desunir

 

A vida continua

Aqui e la

E seguimos atores

Do lado de cá

 

Não podemos nos esquecer

Que fim pode ter

O que deixamos para fazer

No anoitecer

 

Por que esperar o amanhecer

Ide, siga avante! Lá adiante

O mestre espera

Por seu irmão errante!

 

Ide e ame

Vá e proclame! Contra matéria, contra o enxame

Não será vexame

Apenas se ame

E aos outros derrame

O ensinamento que leva aqueles ao conhecimento

 

Afinal é no palco que aprendemos

Com o que contradizemos

Mas também percebemos

O tanto de bem que explorar devemos

 

Agora me despeço! Há muito, te peço

E neste instante deixo estar

As palavras que deves enviar

Aos que souberem escutar

Sementes veio plantar

Tal é a missão que cada um veio semear."


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