"Em terra de ego
Quem
não é cego
É
aquele cujo coração é verdadeiramente esbelto
Da
alma surgem bons valores
Ignorados
por muito detratores
Que
escolhem a si mesmos
Mas
perdem-se no esmo
O
mundo gira
A
vida também
Mas
o orgulho, que o fira,
O
transformou em ninguém
La
na Antiguidade
Onde
se debatia a verdade
Nada
se achava
E
tudo se procurava
Mas
se havia respeito
Tinha-se
despeito
Donos
de opinião
Perdiam-se
nas ilusões de então
Se
hoje dizem de amor
Crucificam-no
com a dor
Pede-se
o igual,
Ignorando
o desigual
Que
fez o Senhor
Simples
e humilde fez a alma
Que
no curso dos séculos não desenvolveu a calma
Mergulhando
em incontáveis erros
Prendeu-se
no desterro
Curioso
caso do sofredor
Que
prega as palavras do Senhor
Mas
na primeira oportunidade
Esquiva-se
da igualdade
Da
amizade
Pode
o homem melhorar?
Não
sei, caro Sócrates, a quem deve remediar
Se
sábio ou não,
A
palavra se perdeu nas mãos do escrivão
Pedem
por remédios
Mas
no fim recusam o intermédio
De
cá e lá
Falha
a humanidade em tentar aprimorar
O
“eu” segue prevalecendo
Em
longos estudos, esquecendo
De
ouvir e admitir
Que
é cabe a si a responsabilidade
De
se redimir
Todos
são juízes
Todos
são advogados
Na
hora das contas,
Presidirá
o criado
A
cobrar tudo aquilo que o outro fez chorar
No
ranger de dentes
Resmunga
em meio ao pranto
O
que causou dor a tanto
Da
semente olvidando
O
que plantou
Crenças
mudam com a humanidade
Mas
muitas delas perdem a vitalidade
A
singularidade de questionar
Na
terra de ego
O
cérebro pouco fazem usar
Na
política, na vida
Ri-se
de tudo
Mas
na tragédia particular
Se
o faz, é um absurdo!
Se
de mim tudo que vem
Prevalece
o bem
Contente
estou
Por
estar na seara do que o planeta povoou
Mas
se de mim vejo sombras
Marcando
meu pobre coração
Orar
é preciso, ajudar devo meu irmão
Mesmo
que prevaleça o “eu”
Nas
arcádias da vida
Por
que, criaturas, colocam-se como perdidas?
O
Senhor é o nosso pastor
Que
nos espera com louvor
Mesmo
que em seu esplendor
Não
compreendamos seu amor
Viramos
as costas à novidade
Achando-nos
possuidores da verdadeira verdade
E
onde, pergunta Sócrates, ela se encontra?
Por
Deus, meu irmão, mas como o Criador tu o confronta!
Não
há singularidades
Mas
pluralidades
Que
regem a existência
E
que de nós depende o resgate da inocência
Se
o sol brilha a cada manhã
Também
em nós resplandecerá a luz em nossos corações
Quando
soubermos do ego desvencilhar
E
ao Criador o amor sincero buscar
Entre
sorrisos e risos
Escorrem
lágrimas
Dores
profundas, oh, mas que lástima!
Se
volveres teu olhar ao próprio passado
Verás
que muito de hoje foi de lá resultado.
Comigo
também passei pelo mesmo
Vivi
e ri
Padecendo
sob falsos textos
Que
sentido há nos obstáculos da matéria
Que
não superar aquela miséria
Por
nós imposta
Para
curar
A
dor nos outros
Que
fizemos sangrar
Pestilências
regem o globo agora como antes
Fé,
meus irmãos, pede por mudança
Olhais
para si com mais temperança
Em
terra de ego
Não
deixais te ficar cego
Por
ideias que cambiam, em aparência belo
Mas
por dentro excessivamente austero
Não
darei adeus por agora
Recorda-te,
irmãos, do que vem de fora
Da
mudança que operam agora
Para
viver melhor futuro
Buscais
olhar para onde teu ego fizestes em alma grande furo
Lembrais
de que sabeis pouco
Questionais,
como fizera Platão, como se fostes um louco
Da
loucura conheceu Dionísio muito bem
Concedeu-a
aos pouco sábios de outrem
Pois
é longe do comum que rege a verdade
Talvez
seja o maluco que vive a felicidade
E
aqui rio uma vez mais
Na
lembrança daquilo que me satisfaz
Transmitir
em poesia
O
que um dia me deu alegria
Conhecimento
com bom humor
Temperando,
já dizia Sócrates, da alma o dissabor
Promova
o amor
Dizia
ele
Pelas
letras que cativam o homem
Pois
mudou o mundo
O
mundo mudou
E
da Antiguidade, o que de fato restou?
A
herança do ontem
Entre
os egos de velhas roupagem se perdeu
Mas
foi grandioso espírito que o venceu!
E
olhemos a ele em vez de mim
Aprendiz
mirim
Na
vasta espiritualidade
Questionem
toda veracidade
E
olhai adiante
Pois
não estais distante
Daquele
que nunca vos abandonou."
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