segunda-feira, 16 de maio de 2022

Ciclos da Vida III: Ego, pelo Espírito Aristófanes

"Em terra de ego

Quem não é cego

É aquele cujo coração é verdadeiramente esbelto

 

Da alma surgem bons valores

Ignorados por muito detratores

Que escolhem a si mesmos

Mas perdem-se no esmo

 

O mundo gira

A vida também

Mas o orgulho, que o fira,

O transformou em ninguém

 

La na Antiguidade

Onde se debatia a verdade

Nada se achava

E tudo se procurava

 

Mas se havia respeito

Tinha-se despeito

Donos de opinião

Perdiam-se nas ilusões de então

 

Se hoje dizem de amor

Crucificam-no com a dor

Pede-se o igual,

Ignorando o desigual

Que fez o Senhor

 

Simples e humilde fez a alma

Que no curso dos séculos não desenvolveu a calma

Mergulhando em incontáveis erros

Prendeu-se no desterro

 

Curioso caso do sofredor

Que prega as palavras do Senhor

Mas na primeira oportunidade

Esquiva-se da igualdade

Da amizade

 

Pode o homem melhorar?

Não sei, caro Sócrates, a quem deve remediar

Se sábio ou não,

A palavra se perdeu nas mãos do escrivão

 

Pedem por remédios

Mas no fim recusam o intermédio

De cá e lá

Falha a humanidade em tentar aprimorar

 

O “eu” segue prevalecendo

Em longos estudos, esquecendo

De ouvir e admitir

Que é cabe a si a responsabilidade

De se redimir

 

Todos são juízes

Todos são advogados

Na hora das contas,

Presidirá o criado

A cobrar tudo aquilo que o outro fez chorar

 

No ranger de dentes

Resmunga em meio ao pranto

O que causou dor a tanto

Da semente olvidando

O que plantou

 

Crenças mudam com a humanidade

Mas muitas delas perdem a vitalidade

A singularidade de questionar

Na terra de ego

O cérebro pouco fazem usar

 

Na política, na vida

Ri-se de tudo

Mas na tragédia particular

Se o faz, é um absurdo!

 

Se de mim tudo que vem

Prevalece o bem

Contente estou

Por estar na seara do que o planeta povoou

 

Mas se de mim vejo sombras

Marcando meu pobre coração

Orar é preciso, ajudar devo meu irmão

 

Mesmo que prevaleça o “eu”

Nas arcádias da vida

Por que, criaturas, colocam-se como perdidas?

 

O Senhor é o nosso pastor

Que nos espera com louvor

Mesmo que em seu esplendor

Não compreendamos seu amor

 

Viramos as costas à novidade

Achando-nos possuidores da verdadeira verdade

E onde, pergunta Sócrates, ela se encontra?

Por Deus, meu irmão, mas como o Criador tu o confronta!

 

Não há singularidades

Mas pluralidades

Que regem a existência

E que de nós depende o resgate da inocência

 

Se o sol brilha a cada manhã

Também em nós resplandecerá a luz em nossos corações

Quando soubermos do ego desvencilhar

E ao Criador o amor sincero buscar

 

Entre sorrisos e risos

Escorrem lágrimas

Dores profundas, oh, mas que lástima!

Se volveres teu olhar ao próprio passado

Verás que muito de hoje foi de lá resultado.

 

Comigo também passei pelo mesmo

Vivi e ri

Padecendo sob falsos textos

 

Que sentido há nos obstáculos da matéria

Que não superar aquela miséria

Por nós imposta

Para curar

A dor nos outros

Que fizemos sangrar

 

Pestilências regem o globo agora como antes

Fé, meus irmãos, pede por mudança

Olhais para si com mais temperança

 

Em terra de ego

Não deixais te ficar cego

Por ideias que cambiam, em aparência belo

Mas por dentro excessivamente austero

 

Não darei adeus por agora

Recorda-te, irmãos, do que vem de fora

Da mudança que operam agora

 

Para viver melhor futuro

Buscais olhar para onde teu ego fizestes em alma grande furo

Lembrais de que sabeis pouco

Questionais, como fizera Platão, como se fostes um louco

 

Da loucura conheceu Dionísio muito bem

Concedeu-a aos pouco sábios de outrem

Pois é longe do comum que rege a verdade

Talvez seja o maluco que vive a felicidade

 

E aqui rio uma vez mais

Na lembrança daquilo que me satisfaz

Transmitir em poesia

O que um dia me deu alegria

Conhecimento com bom humor

Temperando, já dizia Sócrates, da alma o dissabor

 

Promova o amor

Dizia ele

Pelas letras que cativam o homem

Pois mudou o mundo

O mundo mudou

E da Antiguidade, o que de fato restou?

 

A herança do ontem

Entre os egos de velhas roupagem se perdeu

Mas foi grandioso espírito que o venceu!

E olhemos a ele em vez de mim

Aprendiz mirim

Na vasta espiritualidade

Questionem toda veracidade

E olhai adiante

Pois não estais distante

Daquele que nunca vos abandonou."

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