segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Poemas X: Alto da Colina

 "No alto da montanha,

Lá vivia um povo

De riqueza tamanha

E inigualável façanha

 

Contava-se que eram livres e destemidos

Respeitados eram tais homens por seus inimigos

Diplomacia e paz

Era o que ao seu líder mais apraz

De modo a corrigir

Mal que no pretérito veio seu povo a infligir

 

De carne humana

E divino espírito

Ressurgem amor e esperança

Em novo amigo

 

Vide cá

Para onde fui convidado a bailar

Tornei-os a mirar

E à melodia escutar

Com qual graciosidade

Belas donzelas puseram-se a cantar

 

No alto da colina

Fui transportado

Longe de ilusões

Fui bem amado

Guardado em minha memória

Belo povo

Cuja história findou-se pelo fogo."

Poemas IX: As Rosas

 Nota do guia de Ogum: "Saudações, leitores assíduos e boas vindas dou aos que recém chegaram. Alguns de vós poderíeis perguntar por que razão me ausentei de tecer comentários nas últimas poesias. Não havia motivo para tal. No entanto, gostaria de reforçar o propósito destes versos. À primeira vista, notar-se-á uma beleza e singeleza nas escolhas de palavras. A métrica segue o padrão das poesias no geral, confirmando-nos que se trata de um poeta que, em várias existências pretéritas, foi espírito de letras. Entretanto, suas experiências, em um olhar mais atento, destacam-se em suas prosas e são elementos importantes para compreender a mensagem que busca trazer. Pouco nos importa, todavia, sua identidade. O que nos é relevante é suas ponderações, feitas belamente em formato de poesia, para que possamos enxergar nossas próprias experiências na carne na Terra por outro viés. E para os mais observadores, não escaparão aos vossos olhos a contemplação Cristíca que aparece em suas palavras. Isto é, o ensinamento que vêm nos legar sobre as leis que Cristo, nosso mestre, modelo e irmão mais velho, veio pregar quando desceu a nós há quase dois milênios atrás. Muito embora William seja caracteristicamente medieval, isso tampouco nos é realmente relevante, dado o aprendizado que deseja compartilhar conosco. Ânimo, boa gente. Não obstante as dificuldades pelas quais passamos, é sempre tempo de sorrir e levar com leveza a vida que, como um sopro, nos faz passageiros. --George."


"Havia muito tempo

Duas rosas

Inspiravam, cada qual

Tuas próprias prosas


Muito se admira,

É verdade,

Marcadas por evidente desigualdade

As vitórias


Todavia, olvidam os que proclamam

As glórias, os espinhos que arranham

 

Dir-se-á que recairá

Na vermelha, a culpa

Por iniciar

O ato de usurpar

Jardim alheio

 

Mas havia, antes da vermelha brotar,

Tirano cujos atos

Fizeram-se ignorar

Em verdade, vos indago

Ter-se-ão ido bem fidalgo?

No registro,

Pela vitória escrita

É fraco o vencido

Vítima ou vilão

Não nos compraz julgar

 

De geração em geração

Conflitos de antemão

Produzidos por falhas de então

Por aqueles que não sabem dizer não

 

Sangrou a branca

Os gramados de vermelho

Bela rosa

Mostrou a que veio

E, no entanto,

Não suportou

O peso da beleza

Que teu espinho enfeou

 

Gira a roda da fortuna

A todos iguais

Mostrando que em suma

Cobra-se a lei.

 

Que eu sei?

Nada clamo com propriedade

Esta não é minha verdade

Apenas lamento

Pelo tormento

Que olhos comuns não verão

O peso de uma glória

Que virou história

Marcada por gente ilusória

E que somente despertaram

Tarde demais

 

Mas que eu sei

De tais rosas?

Fiz eu parte das troças

Transformando em meios

Rodas, para a Fortuna

Tão oportuna girar

A fim não de me elevar

Mas de pôr em meu devido lugar."

Poemas VIII: Mensagem De Uma Nova Esperança

"A vida é um sopro

Dizia-se na aldeia

Colhe aquele que semeia

Aquele que nada anseia

 

Não obstante as densas trevas

Possam aparecer

Na ignorância e falta de vigilância

Ergais os olhos, caros amados,

A fim de ver

A Boa Nova.

 

Chega agora

A Esperança

Cândida e tranquila

Chega amparada pela temperança

No doce salutar

A que o amor vem saudar

 

Por que prantear

Quando tens motivos a celebrar?

Na aldeia, dizia-se

É tudo breve, vivia-se

O que se podia

Sempre na fé

 

Anuncia-se em simplicidade

Que há de se dissipar a saudade

Pois vêm ao encontro

Bálsamo espiritual

Aos feridos a curar

Para não mais julgar

A fim de que possam enfim amar

 

Oh, que se iluminem os céus

E abram-se as nuvens

Para que luz divina

Vinde nos inspirar

A esclarecer no amor

Sem podeis com isso afundar

Na bravura do mar.

 

Vedes adiante

O despertar de povo gigante

Entendido no porvir

Que alegria será assistir

A elevação dos que optaram por partir

E aos que aqui

Resignam-se a prosseguir.

 

Toda rocha pode ser esculpida

Em admirada peça de arte

Mas para isso

Prepara-se para o resgate

Coletivo o é,

Particular ao que desejar

Ao mundo espalhar

Como é doce de verdade

Amar.

 

Nenhuma tempestade

Fará ressurgir covarde

Ao contrário, iluminará

Os de pronto a despertar

Para preparar

O amor aí de vez

Chegar."

Poemas VII: A Dama do Fogo

"No pêndulo do tempo,

Donzela, vi-te passar.

Enquanto girava a roda,

Te punhas a amar.

 

Paciência era virtude com os outros.

Mas defeito teu

Eis ainda traço que não amadureceu.

 

Perdoas rápido os outros

Mas a ti te retém

Culpa pretérita, te fazes refém.

E pergunto eu,

Errou nunca, quem?

Oh, dama amiga

Escuta esta cantiga

Pois te conheço de vidas antigas

E agora almas somos reunidas

 

Dama de fogo

Teu coração é ouro

Das mais sinceras virtudes

Que sob o tempo

Fez-se amplitude

A contemplar.

 

Dama de fogo

Teus pés se fixam em terra

Não te aceitas quando erra

E ao horizonte de tua alma

Vocifera

Sem qualquer espera

De te amar.

 

Pois teu coração é como o mar

Os bravos, desde outrora,

Sabiam navegar.

Mas a tentar te reinar

Procuravam se afogar

Sem saber o valor real

Da beleza tua

A contemplar

 

Mas sê justa

Para o ar

Deve voar

E aos outros encantar

Tal qual sabiá.

 

Dança do fogo gelado

Se te recordas de teu

Antigo retrato

Verás o que de bom foi

Planejado

Para que somente por ti

Enfrente mar a ser

Desbravado.

 

Oh, bela donzela

Decepções não curadas

No seio do Senhor

Aonde tua fé é abençoada

Pois em sua luz

És verdadeiramente amada

Pela essência que transmite desta alma..."

Poemas VI: Louvor Ao Amor

"Lábios como mel

Recebem palavras do céu

Olhos tão acastanhados

Fazem-nos sentir convidados

A contemplar em

Régia figura

Beleza ímpar.

 

Nos livros, nos bosques

Nos castelos, nos jardins

Em labirintos sem fim

Banhada de sol

Sentava cercada de seu girassol

E sem ser percebida

Cantava como rouxinol.

 

Inocência cercava

Puro coração

De cuja intenção

Uma incógnita permanecia

Aos que pela vaidade e cobiça

Foram cegos

 

Embora vivesse em prata e cobre

Nada mais era tão nobre

Que teu bondoso ser

Cuja alma em essência

Dominava toda decência

Que somente os impuros de fé

Padeciam, pareciam temer.

 

E, no entanto,

Ainda que nenhum dos homens

Houvesse coelhões de cortejá-la

De tais brutamontes

Despontou

Aquele que Apollo amou.

 

Abençoado como Aonis

Amado como Safo

Ei-lo belo rapaz

A quem somente

Donzela inocente

Se compraz

 

Almas reunidas

Jamais pelos supérfluos serão vencidos

Pois amor sincero

Deus abençoou

Tal como quando Noé repovoou

Uma terra pela desesperança marcada.

 

Justo é pois o Senhor

Que permitiu o Amor

De duas almas antes presas

Em inexplicáveis tristezas

Agora reunidas

Na êxtase sentida

Por aquelas a quem

O amor enfim se sentiu

Bem recebida."

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Poemas V: Fantasmas de Inverno.

"Contam-se histórias de amor

Lamentam pela dor

Do dissabor, os vivos

Que ficam.

 

Permanecem presos ao passado

Remoendo o que não pode ser mudado

Pois o que foi feito jamais será alterado.

 

Ei-lo, pois

Os que ficam depois

Que a morte convida a pensar.

Ei-lo, pois

Os que deixam para depois

Feitos que não mais pode realizar.

 

Em vida, vi.

Vivi, segui.

Pobres homens em labores

Sem que com isso sonhem

O que não consomem.

Pois no campo é semente que planta

Para semear a dor que se canta

O camponês.

 

Era uma vez

Um eterno inverno

Confundido com inferno

Pelos homens que

O amor desconhecem

Havia os que o castelo

Em vingança assombram

Sem consciência de si

Sem ter aonde ir

 

Mas, em vida

Em morte

Contamos com a sorte

Do Salvador

 

Oh, Pai; oh, irmão!

Não foi senão jogador

Levando-me do túmulo

Para escrever-lhe do ardor

Deixados pelos atormentados

 

Dia-a-dia, porém

Sorrimos no além

Já conscientes de nós

Desatando tais nós

Não mais tais homens

Estão à sós.

 

Vencida batalha

Interna, ad eterna

Caminham os fantasmas

Para o alvorecer

Prontos para o esclarecer

De paz com velhos inimigos

Agora amados como amigos

 

Gravados em velho poema

Esquecidos, tornam-se lenda

Aonde houver ouvintes

Esperança há de se espalhar

Para que não mais haja

Fantasmas de Inverno

A se espreitar."

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Poemas IV: Poema de Maio

Breve nota do Espírito William, o Bardo: "Brava gente, saudações! Agradeço pela oportunidade de ter meus poemas transmitidos a vós com imensa alegria. Que ao lê-los, podeis sentir-vos inspirados pela luz do Senhor como eu fui ao tecer palavras sobre o sentimento mais puro que me instigou a escrever daqui do outro lado: o amor. Pois palavras tocam e fazem pensar, balanceadas, por outro lado, pelo sentir. E o amor faz isso conosco, nos impele a escrever para o próximo, esperando que sinta o mesmo que senti ao fazê-lo. O amor modifica, encoraja e faz somente o bem. Nada pede, nada impõe, nada escraviza. Se ao menos conseguir tirar de vós, leitores, um sorriso, já me considero mui afortunado. Grato por estar entre vós. Que o Senhor vos abençoe, meus amigos! Até!" 


"Que venha ela,

A primavera.

A todos nos alegrar

Dando razão a festejar

Todo dia é dia de amar

Agradecer, viver, celebrar

O motivo de respirar

Almas puras, almas a curar.

Vide folhas que caem

Regressam à árvore da vida

Ensinando-nos valores e amores

Entre vitórias e dissabores

Mediante a colorir

As páginas do porvir.

No crepúsculo das estações

Esquecem-se as paixões,

Contemplam-se a razão e os canhões

Com os quais batalha lutou.

E é no entanto com ela

A primavera

Que vem nos ensinar

A sempre recomeçar

Assim determina a lei do progresso

Diante do qual somos convocados de regresso

Passageiros como folhas

A cair e a reerguir.

Ei-lo, pois, a primavera.

Amemos e aprendemos deveras

A fim de ser como ela

Nessa primavera."

 

Contos de Nanã, vol.1--Nas Areias Do Cairo, pelo Espírito X.

Nota da guia de Nanã: "Caríssimos amigos, irmãs e irmãos na Terra. Em nossa longa caminhada espiritual, habitamos inúmeras moradas do P...