segunda-feira, 16 de maio de 2022

Ciclos da Vida V: Afrodite, pelo Espírito Aristófanes

"Na Antiguidade

Preocupava-me com a verdade

Sem demais embelezar minha querida deidade

 

Temia insuflar vaidade

Naquela formosa cidade

Quando belas palavras,

Proclamei

 

Em privado, no público entoei

Afrodite, musa minha que tanto amei

Preferistes o bélico Ares

Cujo amor não se prendeu aos lares

Obedecendo sempre tuas vontades

 

Mesmo quando o Ferreiro te descobriu

Quando da escuridão, o Sol saiu

Afrodite, de Ares não desistiu.

 

Seja no amor ou na guerra,

Em formosura vem ela

O tempo atravessar

Para aos espíritos tua existência contemplar.

 

São poucos os que sabem louvar, oh Afrodite

Não te disse que o amor como vens trazer

Fazem os mortais o bom senso esquecer

Provoca a terra, faz estremecer.

Tua beleza é divina,

Verdadeira obra prima.

Oh Afrodite, teu nome foi pelo tempo deturpado

Mas jamais alguém que não fosse eu a teria verdadeiramente amado

 

Mas, ah! Se eu não tivesse incontáveis vezes reencarnado,

Nada teria aprendido

Sequer compreendido

A lição de teu bem amado.

 

Despido do comum pudor

Para meu pretérito volvo meu olhar com horror

Ao confundir-te com os anseios

De minh’alma pecador.

 

Afrodite, por divina que seja

A minha alma a ti incessantemente deseja

Ontem e hoje, olhando no amanhã.

 

Para que digno seja de ti

Nem Ares belicoso

Ou Hefesto furioso

Que eu possa te fazer rir

E nobreza tua recaia no meu porvir

 

Oh, deusa que resplandece nos séculos

Recaia teu amor sobre os pérfidos

Inspire-nos sempre ao bem

Sem a olhar quem

 

A ti dedico meu amor

E progresso

Por ti novamente confesso

A minha devoção

 

O tempo incapaz é

De mim apagar

O que na aurora na humanidade

Veio a brilhar

 

Que o Senhor permita teu nome resgatar

Doce Afrodite, que para sempre

Vou amar."

Ciclos da Vida IV: Amor, pelo Espírito Aristófanes

"Incontáveis noites me perguntei

Sem dormir, incessantemente questionei

Se aquilo que ouvi, vivenciei

Poder-se-ia chamar amor

 

Nos encontros de amigos

Distante das fofocas de inimigos

Entre sorrisos

Falávamos de amor

 

Um deles assim colocou

Que um dia no amor não acreditou

Até o filho de Afrodite nele a flecha arremessou

 

Havia o amor físico, constatou

Mas que pela eternidade nunca passou

Se uma noite muito durou

Mas o amor d’alma

Ah, essa, meu amigo, traz calma

 

Não bastam arranjos

Para fazer amar dois estranhos

Não basta distante lá colocar

Sujeitos que não sabem se respeitar

 

E, no entanto,

Basta um momento de desencanto

Para aquele que diz amar

Se distanciar

E deixar o ser amado a prantear

 

Não, afirmou o amigo peremptoriamente

O amor verdadeiro não mente,

Não torna seu objeto dele descrente

 

Contudo, deve a vontade divina prevalecer

O amor a tudo pode vencer

Se tolas as desavenças se puserem a esquecer

 

Outro amigo, entretanto, desgostosamente riu

Em seu semblante, desapontamento se viu

Olhares todos trocamos, esperando pelo que mais tarde se ouviu

 

“Caros amigos. Louvam o amor como poetas

Ávidos para seguir do Cupido a seta

Que somente faz ferir

Os que pelo amor se deixam iludir.

 

Permitam-me dizer o que recusais a ver.

Amor nada mais causa que a dor.

Quando confiais no outro teu coração

Esperas e vedes, que virá tamanha traição.

 

Por meus pais conheci bela donzela

Prometeu-me não somente o dote, mas tudo o que me daria ela.

Acreditei-me firmemente arrebatado

Como não poderia, portanto, estar apaixonado?

 

Estávamos enfim prontos a desposar

Um ao outro, juramos amar

Mas na infelicidade do destino assim riu Afrodite

Pois me deixou triste

Com a súbita partida daquela que junto a Eros fugiste.

 

De que valem promessas

Perante falsas rezas?

Egoistas não somos todos diante de Apollo profeta?

Rogamos e rogamos

Mas sem justa causa amamos

No fim, o amor divino desprezamos”

 

Em silêncio ficamos

Pelo coração partido do companheiro que tanto prezamos

Mas sábio amigo acrescentou o que deveras pensamos:

 

“Amar, rapaz, é somente complicado

Quando colocamos a nós mesmos antes do bem amado.

O amor verdadeiro é belo e procura sempre pela verdade

Refuta e recusa antes todo sinal de falsidade.

 

Se desde o princípio há resistência de ambas as partes

Por que forçar algo que exigirá grande cura mais tarde?

Fostes egoista, meu amigo, ao não ver o perigo

De arranjar uma donzela que amou teu inimigo.

 

Mas, em verdade, te digo

Não basta oferecer ombro amigo

Muito embora também este seja outro tipo de amor

Que cura a tua dor

 

É, porém, preciso que revejas tuas necessidades

Para não sofrer em nova roupagem

Amor divino não tem culpa das escolhas feitas

Mas oferece, ao contrário, perdão pelas nossas afeitas

 

A fim de que possamos buscar o verdadeiro

Questionemos sem cessar

Aquilo que nosso coração veio amar

Caso seja certeiro

 

Imperativo é saber ouvir a alma

Para que não a envolvemos em irrisória simplória falsas ideias

Ou nos afundaremos em novos traumas”

 

Aqui o aplaudimos por bela reflexão

Ainda hoje levo comigo valiosa lição

Não basta procurar o verdadeiro e distinguir do falso amor derradeiro

Temos que antes com o divino nos reconectar

A fim de melhorar

Para poder genuinamente ao outro amor ofertar"

 

Ciclos da Vida III: Ego, pelo Espírito Aristófanes

"Em terra de ego

Quem não é cego

É aquele cujo coração é verdadeiramente esbelto

 

Da alma surgem bons valores

Ignorados por muito detratores

Que escolhem a si mesmos

Mas perdem-se no esmo

 

O mundo gira

A vida também

Mas o orgulho, que o fira,

O transformou em ninguém

 

La na Antiguidade

Onde se debatia a verdade

Nada se achava

E tudo se procurava

 

Mas se havia respeito

Tinha-se despeito

Donos de opinião

Perdiam-se nas ilusões de então

 

Se hoje dizem de amor

Crucificam-no com a dor

Pede-se o igual,

Ignorando o desigual

Que fez o Senhor

 

Simples e humilde fez a alma

Que no curso dos séculos não desenvolveu a calma

Mergulhando em incontáveis erros

Prendeu-se no desterro

 

Curioso caso do sofredor

Que prega as palavras do Senhor

Mas na primeira oportunidade

Esquiva-se da igualdade

Da amizade

 

Pode o homem melhorar?

Não sei, caro Sócrates, a quem deve remediar

Se sábio ou não,

A palavra se perdeu nas mãos do escrivão

 

Pedem por remédios

Mas no fim recusam o intermédio

De cá e lá

Falha a humanidade em tentar aprimorar

 

O “eu” segue prevalecendo

Em longos estudos, esquecendo

De ouvir e admitir

Que é cabe a si a responsabilidade

De se redimir

 

Todos são juízes

Todos são advogados

Na hora das contas,

Presidirá o criado

A cobrar tudo aquilo que o outro fez chorar

 

No ranger de dentes

Resmunga em meio ao pranto

O que causou dor a tanto

Da semente olvidando

O que plantou

 

Crenças mudam com a humanidade

Mas muitas delas perdem a vitalidade

A singularidade de questionar

Na terra de ego

O cérebro pouco fazem usar

 

Na política, na vida

Ri-se de tudo

Mas na tragédia particular

Se o faz, é um absurdo!

 

Se de mim tudo que vem

Prevalece o bem

Contente estou

Por estar na seara do que o planeta povoou

 

Mas se de mim vejo sombras

Marcando meu pobre coração

Orar é preciso, ajudar devo meu irmão

 

Mesmo que prevaleça o “eu”

Nas arcádias da vida

Por que, criaturas, colocam-se como perdidas?

 

O Senhor é o nosso pastor

Que nos espera com louvor

Mesmo que em seu esplendor

Não compreendamos seu amor

 

Viramos as costas à novidade

Achando-nos possuidores da verdadeira verdade

E onde, pergunta Sócrates, ela se encontra?

Por Deus, meu irmão, mas como o Criador tu o confronta!

 

Não há singularidades

Mas pluralidades

Que regem a existência

E que de nós depende o resgate da inocência

 

Se o sol brilha a cada manhã

Também em nós resplandecerá a luz em nossos corações

Quando soubermos do ego desvencilhar

E ao Criador o amor sincero buscar

 

Entre sorrisos e risos

Escorrem lágrimas

Dores profundas, oh, mas que lástima!

Se volveres teu olhar ao próprio passado

Verás que muito de hoje foi de lá resultado.

 

Comigo também passei pelo mesmo

Vivi e ri

Padecendo sob falsos textos

 

Que sentido há nos obstáculos da matéria

Que não superar aquela miséria

Por nós imposta

Para curar

A dor nos outros

Que fizemos sangrar

 

Pestilências regem o globo agora como antes

Fé, meus irmãos, pede por mudança

Olhais para si com mais temperança

 

Em terra de ego

Não deixais te ficar cego

Por ideias que cambiam, em aparência belo

Mas por dentro excessivamente austero

 

Não darei adeus por agora

Recorda-te, irmãos, do que vem de fora

Da mudança que operam agora

 

Para viver melhor futuro

Buscais olhar para onde teu ego fizestes em alma grande furo

Lembrais de que sabeis pouco

Questionais, como fizera Platão, como se fostes um louco

 

Da loucura conheceu Dionísio muito bem

Concedeu-a aos pouco sábios de outrem

Pois é longe do comum que rege a verdade

Talvez seja o maluco que vive a felicidade

 

E aqui rio uma vez mais

Na lembrança daquilo que me satisfaz

Transmitir em poesia

O que um dia me deu alegria

Conhecimento com bom humor

Temperando, já dizia Sócrates, da alma o dissabor

 

Promova o amor

Dizia ele

Pelas letras que cativam o homem

Pois mudou o mundo

O mundo mudou

E da Antiguidade, o que de fato restou?

 

A herança do ontem

Entre os egos de velhas roupagem se perdeu

Mas foi grandioso espírito que o venceu!

E olhemos a ele em vez de mim

Aprendiz mirim

Na vasta espiritualidade

Questionem toda veracidade

E olhai adiante

Pois não estais distante

Daquele que nunca vos abandonou."

domingo, 15 de maio de 2022

Ciclos da Vida II: Teatro da Vida, pelo Espírito Aristófanes.

"No teatro da vida, rimos

Sorrimos

Fingimos

 

Mas choramos

Amamos

Odiamos

 

Frustramos

A nos mesmos

Com as gazelas de outrora

Sem saber para onde ir embora

Perguntando-se a Deus o que fazer agora

 

Somos todos atores

Enfrentamos, no entanto, as dores?

Ora tais as desconheço

Mas por dentro, delas padeço

 

Um notório cidadão

Um dia me disse então

Que eu não sabia dizer não

 

Disse-me ele

E tu que fazes? Críticas os outros em riso

Mas sofre sob falso sorriso

Para que outros te ponham no lugar que ninguém teve

 

Agradar ou desagradar?

Por que nao amar?

Mas o que é de fato amar, te pergunto?

Significaria te subjugar

Aos outros que proclamas respeitar?

 

Por que se perder

Naquilo que não faz parte do teu ser?

Nas ruínas da filosofia

Reina longe dos olhos e plena a sabedoria

 

Vedes por onde trilhas

Não sê exigente demais consigo mesma

Caminhas somente, andarilha

E recordas de quem te dás certeza

 

Nos murmúrios e lamentos que ninguém vé

Espreita quem te protege e ama até sem querer

Mas com muito prazer

 

Não se prenda às lastimas da vida

Sê personagem, sê jogador

Mas seja teu próprio senhor

E não compre nenhuma briga

 

Os conflitos alheios fazem interessante este cenário

E, entretanto, recorda-se o berçário

Onde o orgulho supera a timidez

A fim de disputar quem não quer perder a vez

 

No louvor do amanhã esperamos

No porvir, preparamos

Neste meio tempo, lembras novamente, porém

De que nem tudo dos outros te convém

 

No teatro da vida

O riso é tão certo quanto a lágrima

Perdoa tuas lastimas

E segue calma com a brisa

 

Nenhuma tempestade é duradoura

Tão somente a paz interna deve ser almejada

Te concentras na boa lavoura

Que colherá a bem amada

 

No arco íris que tinge o céu

Vedes que cor te remetes ao teu coração

Feito de mel

Nenhuma sombra eclipsará

A luz que veio te fazer reinar

Confias e segues adiante

 

Tal como Afrodite, sê bela

Dentro e fora

De valores aos olhos da alma daquela

Que um dia conheci

E agora faço rir

 

Dizia um amigo meu a este respeito

“Ora ora por que te tratas com despeito? Aquele que abraça a comédia será sempre o aguardar da tragedia?” E foi com sabedoria

Que concluiu: “Caro, que divina sinfonia! Mas equilíbrio é necessário para se conhecer preciso. Solte, pois, este riso! Nem mesmo a alegria Zeus desconheceu!”

 

Sobre isto digo

Nada de fato conheço, mas conheço isto

Por desde ontem sigo

À procura do amor, da comédia, da tristeza

Mas é tudo isto que faz a vida uma beleza!

 

Passageiros todos somos

Para desperdiçar momentos risonhos

E cultivar tantos outros tristonhos

 

Que sabemos de nos mesmos nestes entrementes?

Se não basta com as pequenas coisas estar contente

É bom que aos outros te lembres

Do sol poente

 

Destas breves palavras deixo reflexão

Afinal, o mundo é feito de ação

E reação

Não te prendas ao não

E almejas ao sim

Para te desprender de um único fim

 

Nos papéis que desempenhamos

Sem dúvida erramos

Em meio a tantos que amamos

 

Mas recordas antes de tudo

Da importância do autoperdão

Isto é também ser cristão

Nenhum erro e aprendizado se vão

Transmutam-se e elevam-se na imensidão

Da alma

 

Que, ao contrário de Aristoteles,

Por humildade e gentileza qualidades de grandeza

Ele, na ignorância de tamanha destreza

Não soube contemplar

 

Contudo, precisou ele também reencarnar

Nenhum sábio é verdadeiramente sábio

Se não souber sem julgamentos amar

Sem nos outros orgulho projetar

 

E esta lição Sócrates alertou

Mas no teatro da vida ninguém se lembrou

 

Aprendemos com os antigos a nos renovar

Na sabedoria do evangelho

A todos nós amar, perdoar

E humildade criar

Para que nova e sublime alma

Possa sobre as sombras internas reinar!

 

E se em meio às dificuldades o trauma não passar

Lembras das vitórias que pudeste catalogar

Na alma

No espírito

Virtudes te fazem singular

É no serviço aos outros que vai te melhorar

 

Se nada sabemos de onde viemos

Ora a que pertencemos? Escondem e omitem

Verdades que irritem

Matéria prevalece neste teatro

Ora, tão somente se prendem em falso retrato

 

Na comédia e na tragédia

Saiba a honra escolher

Como dizia caro Shakespeare

Que procurava a todos escrever

 

Rei ou rainha

Poeta ou cidadão

Não ligue para rinhas

Sê tu do universo vasta imensidão

 

Término por ora

Palavras que não pintei outrora

Nas faces alheias

Pois muito mais com sereias

Me preocupei então

 

Não há adeus

Tão somente um Deus

Que busca reunir

O que um dia nós mesmos fizemos desunir

 

A vida continua

Aqui e la

E seguimos atores

Do lado de cá

 

Não podemos nos esquecer

Que fim pode ter

O que deixamos para fazer

No anoitecer

 

Por que esperar o amanhecer

Ide, siga avante! Lá adiante

O mestre espera

Por seu irmão errante!

 

Ide e ame

Vá e proclame! Contra matéria, contra o enxame

Não será vexame

Apenas se ame

E aos outros derrame

O ensinamento que leva aqueles ao conhecimento

 

Afinal é no palco que aprendemos

Com o que contradizemos

Mas também percebemos

O tanto de bem que explorar devemos

 

Agora me despeço! Há muito, te peço

E neste instante deixo estar

As palavras que deves enviar

Aos que souberem escutar

Sementes veio plantar

Tal é a missão que cada um veio semear."


Contos de Nanã, vol.1--Nas Areias Do Cairo, pelo Espírito X.

Nota da guia de Nanã: "Caríssimos amigos, irmãs e irmãos na Terra. Em nossa longa caminhada espiritual, habitamos inúmeras moradas do P...