"No
teatro da vida, rimos
Sorrimos
Fingimos
Mas
choramos
Amamos
Odiamos
Frustramos
A
nos mesmos
Com
as gazelas de outrora
Sem
saber para onde ir embora
Perguntando-se
a Deus o que fazer agora
Somos
todos atores
Enfrentamos,
no entanto, as dores?
Ora
tais as desconheço
Mas
por dentro, delas padeço
Um
notório cidadão
Um
dia me disse então
Que
eu não sabia dizer não
Disse-me
ele
E
tu que fazes? Críticas os outros em riso
Mas
sofre sob falso sorriso
Para
que outros te ponham no lugar que ninguém teve
Agradar
ou desagradar?
Por
que nao amar?
Mas
o que é de fato amar, te pergunto?
Significaria
te subjugar
Aos
outros que proclamas respeitar?
Por
que se perder
Naquilo
que não faz parte do teu ser?
Nas
ruínas da filosofia
Reina
longe dos olhos e plena a sabedoria
Vedes
por onde trilhas
Não
sê exigente demais consigo mesma
Caminhas
somente, andarilha
E
recordas de quem te dás certeza
Nos
murmúrios e lamentos que ninguém vé
Espreita
quem te protege e ama até sem querer
Mas
com muito prazer
Não
se prenda às lastimas da vida
Sê
personagem, sê jogador
Mas
seja teu próprio senhor
E
não compre nenhuma briga
Os
conflitos alheios fazem interessante este cenário
E,
entretanto, recorda-se o berçário
Onde
o orgulho supera a timidez
A
fim de disputar quem não quer perder a vez
No
louvor do amanhã esperamos
No
porvir, preparamos
Neste
meio tempo, lembras novamente, porém
De
que nem tudo dos outros te convém
No
teatro da vida
O
riso é tão certo quanto a lágrima
Perdoa
tuas lastimas
E
segue calma com a brisa
Nenhuma
tempestade é duradoura
Tão
somente a paz interna deve ser almejada
Te
concentras na boa lavoura
Que
colherá a bem amada
No
arco íris que tinge o céu
Vedes
que cor te remetes ao teu coração
Feito
de mel
Nenhuma
sombra eclipsará
A
luz que veio te fazer reinar
Confias
e segues adiante
Tal
como Afrodite, sê bela
Dentro
e fora
De
valores aos olhos da alma daquela
Que
um dia conheci
E
agora faço rir
Dizia
um amigo meu a este respeito
“Ora
ora por que te tratas com despeito? Aquele que abraça a comédia será sempre o
aguardar da tragedia?” E foi com sabedoria
Que
concluiu: “Caro, que divina sinfonia! Mas equilíbrio é necessário para se
conhecer preciso. Solte, pois, este riso! Nem mesmo a alegria Zeus
desconheceu!”
Sobre
isto digo
Nada
de fato conheço, mas conheço isto
Por
desde ontem sigo
À
procura do amor, da comédia, da tristeza
Mas
é tudo isto que faz a vida uma beleza!
Passageiros
todos somos
Para
desperdiçar momentos risonhos
E
cultivar tantos outros tristonhos
Que
sabemos de nos mesmos nestes entrementes?
Se
não basta com as pequenas coisas estar contente
É
bom que aos outros te lembres
Do
sol poente
Destas
breves palavras deixo reflexão
Afinal,
o mundo é feito de ação
E
reação
Não
te prendas ao não
E
almejas ao sim
Para
te desprender de um único fim
Nos
papéis que desempenhamos
Sem
dúvida erramos
Em
meio a tantos que amamos
Mas
recordas antes de tudo
Da
importância do autoperdão
Isto
é também ser cristão
Nenhum
erro e aprendizado se vão
Transmutam-se
e elevam-se na imensidão
Da
alma
Que,
ao contrário de Aristoteles,
Por
humildade e gentileza qualidades de grandeza
Ele,
na ignorância de tamanha destreza
Não
soube contemplar
Contudo,
precisou ele também reencarnar
Nenhum
sábio é verdadeiramente sábio
Se
não souber sem julgamentos amar
Sem
nos outros orgulho projetar
E
esta lição Sócrates alertou
Mas
no teatro da vida ninguém se lembrou
Aprendemos
com os antigos a nos renovar
Na
sabedoria do evangelho
A
todos nós amar, perdoar
E
humildade criar
Para
que nova e sublime alma
Possa
sobre as sombras internas reinar!
E
se em meio às dificuldades o trauma não passar
Lembras
das vitórias que pudeste catalogar
Na
alma
No
espírito
Virtudes
te fazem singular
É
no serviço aos outros que vai te melhorar
Se
nada sabemos de onde viemos
Ora
a que pertencemos? Escondem e omitem
Verdades
que irritem
Matéria
prevalece neste teatro
Ora,
tão somente se prendem em falso retrato
Na
comédia e na tragédia
Saiba
a honra escolher
Como
dizia caro Shakespeare
Que
procurava a todos escrever
Rei
ou rainha
Poeta
ou cidadão
Não
ligue para rinhas
Sê
tu do universo vasta imensidão
Término
por ora
Palavras
que não pintei outrora
Nas
faces alheias
Pois
muito mais com sereias
Me
preocupei então
Não
há adeus
Tão
somente um Deus
Que
busca reunir
O
que um dia nós mesmos fizemos desunir
A
vida continua
Aqui
e la
E
seguimos atores
Do
lado de cá
Não
podemos nos esquecer
Que
fim pode ter
O
que deixamos para fazer
No
anoitecer
Por
que esperar o amanhecer
Ide,
siga avante! Lá adiante
O
mestre espera
Por
seu irmão errante!
Ide
e ame
Vá
e proclame! Contra matéria, contra o enxame
Não
será vexame
Apenas
se ame
E
aos outros derrame
O
ensinamento que leva aqueles ao conhecimento
Afinal
é no palco que aprendemos
Com
o que contradizemos
Mas
também percebemos
O
tanto de bem que explorar devemos
Agora
me despeço! Há muito, te peço
E
neste instante deixo estar
As
palavras que deves enviar
Aos
que souberem escutar
Sementes
veio plantar
Tal
é a missão que cada um veio semear."