quarta-feira, 2 de março de 2022

A Parábola da Floresta pelo Espírito Caboclo Pena Branca

“Filha, hoje serei sucinto. Mas que registre aqui, peço-te, valioso ensinamento a ser transmitido a todos os que precisem dele. Na tribo a que vivi por, pelo menos, três encarnações, tínhamos uma história contada de geração em geração, sobretudo para os pequenos que cresceriam guerreiros.

“Vocês conhecem o silêncio sereno?” o cacique da minha tribo perguntou. Lembro-me disto bem, era apenas um garotinho.

“Não, senhor”, respondemos.

Com seus grandes olhos castanhos ele nos fitou com uma experiência que ia muito além de seu corpo, ainda que a matéria já sentisse o peso de longos anos. Ele tomou o cachimbo em sua boca e assim que o ar saiu dele, disse:

“Deixemos que a fumaça chegue aos nossos ancestrais e até ao Deus Pai-Sol e à Deusa Mãe-Lua.” Um longo silêncio se fez, no qual dirigimos nossas orações e acompanhamos a fumaça subir até se dissipar. Dito isto, ele prosseguiu. “O silêncio sereno é, antes de tudo, quando alinhamos nosso espírito ao de nosso animal protetor em conjunto com o corpo aqui.” Ele apontou para seu peito.

Diante da confusão estampada em nossos rostos, ele sorriu, benevolente. A fogueira brilhava com ardor e, em torno de nós, pequeninos, toda a tribo se reunia.

“Temos um espírito, certo? É o que habita em nosso corpo. Ele guarda em si múltiplas vivências e é imortal. Quando este corpo se dissolve, voltando ao pó que o constituíra, o espírito se liberta desta matéria que o aprisionou. É por isto que alguns de vocês apresentam determinadas aptidões que outros não as possuem, e tudo bem, porque cada um veio com algo para ajudar no funcionamento de nossa tribo.” Ele pigarreou. “No entanto, se trazemos coisas boas como essa, trazemos também coisas ruins que pedem nossa atenção. Quem dentre vocês é o mais temperamental?”

Rimos todos, mas cada um se apontou. O cacique riu, mas disse, interrompendo-nos com paciência quando nossas pequenices ameaçaram a tranquilidade do momento.

“Não importa, crianças. Todos nós, afinal, guardamos resquícios de um temperamento, em maior ou menor grau. Mas agora vejam. Isso é energia, sabiam? Energia mal utilizada, mal direcionada, mal conservada. Os guerreiros sabem usá-la bem e ao fazê-lo no campo de batalha, voltam mais serenos porque expulsaram-na do corpo. Todavia, trabalharam bem ao longo dos anos por meio de disciplinas, meditações e auto conhecimento. Parece difícil, não é mesmo? Mas garanto que não é. Este temperamento é agitação do espírito, que quer controlar tudo e todos, mas isto não é possível. Sabem por que? Porque a matéria nos aprisiona, com isso nos limita as perspectivas. E, no entanto, não controlamos nem ela, que dirá o que há de fora de nós. Contudo, podemos pôr limite neste temperamento ao silenciá-los.”

Ele fez outra pausa, olhando de tal modo em nossos olhos como se lesse nossas almas. Estávamos quietos, mas, apesar da pouca idade, entendíamos o que dizia. Satisfeito, ele prosseguiu.

“Não basta silenciar e dominar a língua”, disse o cacique. “É muito fácil nos calarmos diante de uma discórdia, mas e nosso temperamento? Nossa mente continua a turbilhões. Nosso coração bate mais forte. E sentimos o sangue queimar. Não basta disciplinar o filho desobediente se não souber alcançá-lo na alma”, e isto ele dirigiu aos pais da tribo.

Voltando seu olhar para nós, o cacique disse:

“Quando levamos uma repreensão, muitas das vezes achamos injusta. E, no entanto, nem sempre o é. Mas, vamos supor que uma delas seja. Em vez de nos revoltarmos e deixarmos o temperamento falar, saibamos dominar a língua. Em seguinte, a mente. Tanto o Sol quanto a Lua conhecem nossas intimidades. Sabem o que se passa conosco. Mas é preciso dirigir esse temperamento para outras atividades. Pois não peço que, ao silenciar aquele fogo que queima nosso peito e atiça nossos pensamentos, devam se reprimir e fingir algo que não são. Mas é preciso saber escolher suas batalhas. Agora ouçam.”

Outra pausa. O fogo queimava brilhante e nos acalentava a todos, espantando o frio da meia estação. O cacique olhou a sua volta, sempre encarando dentro dos olhares de cada um de sua tribo antes que fizesse o mesmo com os pequenos.

“Contarei a lenda que nossos antepassados recontam sempre, tamanha é sua importância. Quando o sol foi deitar para repousar de suas atividades, veio a lua, serelepe, surgir ao céu cheio de estrelas, preparada para iluminar o caminho da morada dos que já foram. Na floresta, os animais noturnos saíram de seus esconderijos. A coruja saiu de sua toca e começou a piar quando ouviu grande barulho estremecer a paz de seu ambiente. Não precisou voar para ver o que se passava, a confusão ao seu lar chegou. A cobra tinha provocado o urso. Havia acreditado possuir conhecimento e força para abocanhar aquele animal. Vocês riem, mas eu falo sério. A cobra acha que tudo sabe, mais que todos. Afinal, sabe dominar seu espaço, convencer os outros animais a tomar seu lado. Mesmo a tartaruga, tão pacífica, cede terreno à cobra. O urso, entretanto, que sempre fugiu de confusões e brigas, é chamado para o duelo, para defender-se. Dormir não mais bastava. Esquivar-se, também não. O lobo de longe, em sua matilha, observava. Temperamentos aqui, temperamentos acolá, a briga começou.”

“E quem ganhou?” ouvi meu amigo perguntar.

O cacique riu.

“Não se trata nem de vencedores, nem de perdedores, pequeno. A coruja se sentia sentada a se intrometer. Achava, segundo sua concepção, que a cobra era muito injusta na forma como pretendia reinar sobre os espaços dos outros animais. Mas o urso, ainda que temperamental, explodia porque não sabia se controlar. Acreditava que um diálogo era necessário, mesmo que a maioria dos animais apoiasse a cobra. No final das contas, a coruja decidiu, afinal, ser a árbitra daquela briga a fim de poupar as vidas de ambos os animais, pois a cobra era venenosa tanto quanto o urso era muito forte. Só que ao procurar se fazer ouvir, o que aconteceu? Foi morta pelos dois.”

“Oh”, ouviu-se o coro dos pequeninos.

“Mas por que?”, alguém perguntou.

“Porque o temperamento tanto da cobra quanto do urso chegou ao ponto da ira. E a ira, crianças, é capaz de trazer o pior. Não apenas isso, mas por que a coruja se intrometeu em algo que não lhe dizia respeito? É preciso escolher com sabedoria suas caças, seus momentos.”

“Achei que a cobra fosse sábia”, lembro de ter comentado.

O cacique me encarou com benevolência.

“Sabedoria nem sempre equivale às experiências. E afinal, eu o pergunto: o que é ser sábio? É deter conhecimento de todas as coisas? Ora, a cobra sabia de tudo. E, no entanto, era sábia? O Urso já viveu tudo o que tinha para viver, contudo, por ter experiências, era sábio?”

Ninguém respondeu. O cacique disse:

“Mas não devemos esquecer dos lobos e dos falcões. Em meio àquela briga, observemos os dois. Os lobos sentiam vontade de se intrometer também e eram atiçados pelo duelo. Carne e sangue eram capazes de incitá-los a destroçar ambos animais. Contudo, por que não o fizeram? Porque aquela não era um briga que lhes dizia respeito. No silêncio da noite, os lobos sabem como dominar, discretamente, seu próprio espaço. Sabem como, quando e onde devem caçar. Se procuram confusão, é para se defender. E os falcões, assim como as águias, tem uma visão do todo. Eles sabem que o urso, mesmo silenciosamente, provocava a cobra. Como também conheciam a dissimulação da cobra. Por que deveriam tomar partido? Mas, ao contrário dos lobos, que ainda estão em aprendizado, os falcões dominam seu interior. Observam com frieza antes de selecionar a caça. Voam alto, miram horizontes que nos escapam a vista. Por que são difíceis de domar? Porque não aceitam ser domados. Eles têm a visão, mas o silêncio sereno que nos transmitem.”

Outra pausa. Outro charuto.

“Agora, crianças. Falei do espírito imortal. Mas os animais também possuem espíritos, cujas energias ressoam em nós. Aprendamos com eles. Cada um tem seu aspecto positivo e negativo. Isso falaremos depois. O importante é nos conectar com eles. Somos todos energia, afinal de contas, e voltaremos para um mesmo mundo. Quando mais velhos compreenderão o que digo. Por ora, elevem seus pensamentos e me digam qual animal se sintam próximos e por qual razão.”

Ouvia tudo, mas não respondia nada. Observava, contemplava aqueles ensinamentos. O falcão de penas brancas e olhar penetrante veio a minha mente, mas não quis dizê-la. Outras crianças seguiam entre o silêncio e o barulho. O cacique sorriu diante daquela empolgação, mas achou melhor deixar para outro momento. Levantou-se e disse:

“Sabem de uma coisa? Gosto muito dos lobos. Eles têm muito a nos ensinar. Mas o lobo ferido remete a nossa própria ferida. E cabe a nós silenciá-la com amor, temperá-la com paciência e remediá-la com ternura como acolhemos um dos lobos na semana passada. Por isso crianças, silenciem seu temperamento, saibam quando devem pegar em armas e não entrem em batalhas que não os dizem respeito. Sejam como os lobos e os falcões, mas jamais como as cobras, dissimuladas e arrogantes, ou os ursos, que não sabem controlar seu temperamento. O equilibro é o que importa e aprendemos sempre com os animais na floresta de Tupã.”

Este é o ensinamento que deixo a todos vocês. Sucinto, simples, sem muitas elaborações, mas um rico aprendizado que tirei daquele dia com sábio cacique. Que Deus Pai e Deusa Mãe os acompanhe hoje e sempre.

Ahô.

Caboclo da Pena Branca.”

A Dama e O Cavalheiro por Espírito Desconhecido

Nota do Guia de Ogum: "A todos irmãos e irmãs em Cristo, saúdo-vos outra vez. Encerrados os ciclos de relatos espirituais, voltamos a compartilhar outras psicografias de diferentes espíritos, cujas memórias que vêm a ser contadas a vós têm como propósito de ensinar, encorajar a enfrentar vossas batalhas no cotidiano terrestre e, sobretudo, promover a reforma íntima a fim de que vos aproximeis mais do Pai Celestial e menos da matéria que ainda muitos vos apegais. Como de costume, rogo para que ledes com atenção as palavras abaixo.--George."

"Jeanne era seu nome. Donzela bem nascida, era filha de um dos senhores mais poderosos da França. Seu pai pretendia que um duque ou um príncipe de sangue a desposasse, quiçá mesmo o rei. Não havia outro futuro que não o matrimônio e ela fora educada em um meio completamente orgulhoso. Como resultado desta criação, saiu da infância uma bela donzela de frios sentimentos. Na corte do senhor seu pai, recebera o apelido de rainha do inverno.

Seu porte era impecável e sua beleza era admirada por todos. De longas madeixas douradas, à luz do sol brilhavam ruivos; de rosto fino e traços delicados, possuía olhos esverdeados e longo nariz arrebitado, lábios cheios e vermelhos, bochechas rosadas. Quando sorria, era encantadora. Quando séria, admirada. Introspectiva, encontrava mais conforto nas preces do que entre sua própria família. Sussurravam os criados que a senhora Jeanne deveria ser enviada ao claustro do convento, mas o senhor recusava-se. Exibia a filha, sua única garota entre tantos rapazes, em incontáveis torneios. Diversos cavalheiros a presenteavam com livros, poesias, joias e no início tudo era maravilhoso. Mas Jeanne era impedida de interagir com tantos outros até o dia em que o pai fora à guerra e deixara seu homem de confiança a cuidar da única filha e da madrasta, sua segunda esposa.

Este homem chamava-se Henri, humilde escudeiro que, em outra vida, fora grande rei. Na obscuridade daquela encarnação, aprendera a custo a ser humilde e a desenvolver tantas outras virtudes. Era o momento dele lecionar a frente, e coube ao Senhor aproximá-lo da bela Jeanne.

“Senhora”, ele um dia a vira deslizar pelos gramados verdes dos jardins e se viu enamorado por ela, mesmo já sendo comprometido à outra dama. “Deve ficar no castelo como seu pai ordenou.”

Ela o lançou um olhar de desdém, velando sua própria alma para a verdade que a cercava.

“E quem pensa o senhor me dizer tais coisas? Não o compete me ordenar como pai fosse meu, que não é o caso.”

Acreditou Jeanne que ela fosse livre agora que o pai se fora, e que com isso mandaria e desmandaria em todos. Também nela marcava a alma a origem da alta aristocracia, e por isso tais espíritos se sintonizaram, ainda que por motivos diferentes.

“Vim protegê-la”, ele falou. “Nada mais reclamo que não isso.”

“Acha que é um cavalheiro das cantigas?”

Ele a acompanhou e quando, de canto de olho, viu o brilho resplandecer-se naqueles olhos azuis e em madeixas de cor iguais às suas, Jeanne sentiu as bochechas queimarem. Desconhecia o motivo.

“Poderia sê-lo se assim permitisse. Oras, senhora, só cumpro ordens de sua senhoria”, ele se defendeu.

Jeanne parou de andar e voltou a encará-lo.

“É somente um homem de armadura”. Naqueles tempos, ainda transitava o espírito entre a soberba e a humildade. Mas as circunstâncias incentivaram o aumento do primeiro e o declínio do segundo. “Não há poder em suas mãos.”

Jeanne acreditava que o melhor a fazer era afastar as pessoas de si, pois, insegura, não confiava que a amariam verdadeiramente. Era temperamental, temida e bela, um objeto para as poesias dos homens e um troféu a ser exibido pelo pai. Nada mais. Mas em todas as vezes que riam de sua piedade sincera, pranteava aos pés de Cristo que, apiedado, enviou a ela aquele homem. De outras vidas se amaram, mas por tantas outras tiveram de viver separados.

“Não crê no que diz”, ele riu, o que a chocou. “Não sou como outros homens que a temem na mesma medida em que a amam.”

“Um desses sempre diz algo parecido”, retrucou Jeanne.

Tornaram a passear juntos, não só neste dia como em todos os outros. Até o instante em que Jeanne vagarosamente o reconheceu.

“Não me relegará ao esquecimento”, disse ela, ansiosa.

Henri notou que caía o orgulho dela e disse, tomando a mão dela na sua, donde se pressionou os lábios cheios de ternura.

“Não cometerei este erro outra vez.”

“Jura?”

“Juro.”

Houve um reencontro, um despertar quando aqueles olhares se cruzaram. E, ousado, esqueceu-se Henri dos votos de aliança, pois que significavam ante o verdadeiro amor? Beijou-a amorosamente e ela o respondeu com a mais pura alegria.

 ***

Beijos escondidos, sorrisos secretos, risadas compartilhadas. Deitados ao alto da colina sob o sol quente de verão, Henri proclamava as mais belas poesias para a donzela mais linda do reino que lhe cedeu de boa vontade o coração, pronta para a humildade a que ele ensinava através de simplórias e profundas palavras.

“Amo-a como o vento desejou a folha da primavera, desejo-a como a lua deseja o sol, me despedaçaria se me separasse de ti, perdendo-me no espaço do frio toda a imensidão que me trouxe ao seu coração.”

De olhos esverdeados que podiam ser confundidos com um tom de castanho, tão escuros eram, ela virou-se ao seu cavalheiro e disse:

“Rogo, oh sim, para que nossos caminhos permaneçam juntos até o fim. Amor que desconheci, não me fará partir para longe de ti. Queria eu poder cantar quão bom é amar o senhor deste meu coração.”

E enlaçavam as mãos, desfrutando da alta temporada do verão. Quem se importava com a consequência de seus intrépidos atos? A madrasta, apiedada da menina, escondeu do pai, em seu retorno, tais secretos encontros. E enquanto isso, sob juras secretas, amaram-se Henri e Jeanne de corpo e alma, compartilhando mais que votos.

Mas aqueles não eram tempos de amor.

***

E o pai a castigou perante toda a corte, mas não contava que ela resistisse aos seus chicotes.

“Pois vá em frente. Mate-me se preciso, mas não casarei outro que não seja ele.”

Henri fora poupado da crueldade do senhor, que o enviara à guerra para morrer. E lá ele padeceu sob cruel espada, no tormento da infelicidade de saber que em um oceanos de lágrimas se afundava a amada Jeanne, donzela de seu coração, esposa de sua alma. Mas em seu desencarne, soube ele que pronto se reuniriam assim que Jeanne se desvencilhasse das amarras que a prenderiam em outras vidas até que, no presente, a luz pairasse sobre seu halo e a iluminasse de volta ao outrora guerreiro, conquistador e humilde amor de alma sua."

Relatos VIII: A Rainha Domada por Espírito Desconhecido.

“Há muitos e muitos anos atrás, antes da chegada do homem branco à costa leste das Américas, desceu entre os povos sem nome uma rainha. Sem casa, porém, aceitou viver entre tais nômades de pele vermelha. Seu amigo, antes de lhe enviar àqueles que a receberiam na carne, lhe disse:

“É um teste para ver como está. Esforce-se, por favor.”

Chamarei-a de Esther para facilitar a compreensão do leitor, não porque tivesse sido judia ou rainha daquelas terras, não, não. Portou cetro, é verdade, mas não nas terras orientais. Bem, como dizia, Esther concordou. Como todos os espíritos antes de reencarnarem, prometeu que aquela seria uma vida diferente. Despediu-se de seu mentor e à Terra partiu.

Seus pais a receberam com júbilo, é claro. Mas só a teriam como filha única. Conforme crescia, Esther se afeiçoava ao pai, o único que conseguia fazer com que ela obedecesse. A mãe, por outro lado, sofreu em transmitir à filha os ensinamentos da tribo. Esther questionava tudo.

“Por que devo me contentar a costurar? Não gosto.”

“Pois deveria. De que outra forma lhe arrumaremos marido? Como arranjará amigos se você se porta deste jeito?”

E a mãe iniciava uma série de comparações, o que somente servia para aumentar o distanciamento de sua filha, cuja primeira infância provou ser uma tormenta para a mãe, que, embora se recusasse a dar surras na menina, gritava com ela. Frequentemente, alheia aos sentimentos de Esther, que, em verdade, desenvolvia uma forte sensibilidade, falava palavras para a magoar, certa de que, assim, a educaria apropriadamente. Mas o pai uma vez a repreendeu por isto:

“Esquece que criamos um ser humano, e não um cachorro. Chama a menina de dissimulada e teimosa, mas onde está sua consciência? Crê mesmo que está certa acima do bom senso?”

Embora não reconhecesse sua impaciência e seu egoísmo pela falta de tato com os quais lidava com a menina, filha “difícil” que Tupã lhe tinha enviado, a mãe se esforçou em ser mais acolhedora. As tensões diminuíram, mas Esther permaneceu orgulhosa. E este seu orgulho, herança dos dias em que era amada e carregava em mãos um cetro e sobre a cabeça pesada coroa, não diminuía conforme adentrava a adolescência. Não entendia porque os poucos amigos que tinha não se aproximavam ou a tratavam mal. Como consequência, Esther passou a se isolar. Aprendeu a caçar, a usar arco e flecha, e a viver na mata. Não aparecia às festividades e com mais frequência era vista próxima do rio, onde fitava o reflexo da lua.

“Oh mãe. Por que me abandonou?”

Era ali que pranteava. Sentia-se só, excluída e diferente da tribo. Isso também fez desenvolver um lado suave que estava adormecido. Abria-se com a natureza e, como se ela a entendesse, foi recebida em seu seio. Mas, dizem, a deusa não esquecia dos seus. E enviou, das matas, aquele que lhe faria companhia por toda uma vida: o lobo branco que, sabe-se lá por que, Esther o chamou de Trovão.

Quando regressou à tribo com Trovão ao lado, Esther causou em todos espanto e admiração. A mãe, é claro, não gostou.

“Por que não pode agir como as outras meninas?”

Foi quando o pai, que, deve ser dito, era irmão de um grande guerreiro local, intrometeu-se e disse:

“Você deveria entender de uma vez por todas que se Tupã nos entregou uma criança para educar e crescer entre nós, é para que ela seja melhor que nós fomos. Incomoda-se com si mesma para cegar-se aos melhores atributos de Esther? Se ela é orgulhosa e teimosa, foi porque você incentivou que tais defeitos nela florescessem.” E prosseguiu dizendo: “Você diz que toma as decisões para ela porque a ama. Quem ama, respeita. Quem ama, não muda o filho que recebeu, sequer o compara com outros... Você diz que não faz nada de errado. Mas será mesmo? Será que a orgulhosa e teimosa não é você? São todos os outros errados e infelizes? Que me diz?”

Esther não gostava de discussão e menos ainda de ver os pais brigando por conta de si. No crepúsculo de sua juventude, entretanto, quando a soberba parecia diminuir e ceder espaço à razão, ela começou a questionar suas atitudes, sua postura... E abraçou o silêncio, entendendo que era responsável somente por si e não pelo que os outros diziam a seu respeito. Mesmo quando sofria com as eternas críticas da mãe, lembrou-se do velho ditado da tribo: “O falcão está à espreita, pronto para caçar. Mas a águia é sábia para saber quando deve alçar voo e partir para a caça.” Não seria como o falcão, mas prudente como a água. Olhou, em uma dessas noites, para Trovão e disse:

“Não podemos mudar os outros, mas a nós mesmos.”

Naquela noite, ao voltar à casa, pediu para falar com a mãe. Surpresa ao se deparar com a mudança de atitude em Esther, ela aquiesceu e, enfim, pela primeira vez em anos, viu sua filha chorar.

“Por que motivo pranteia, minha filha?”, indagou, assustada. Não sabia sequer o que fazer. Foi Esther quem a procurou e a abraçou.

“Me desculpe por tudo. Por não ser a filha que mais desejou. Por ter-lhe dificultado tanto...”

Naquela noite, a mãe caiu em si e chorou também. Surpreso pela cena que transcorria dentro da cabana, o pai, que espreitava às sombras, observou a esposa desmanchar-se em lágrimas e reconhecer o erro. Houve, finalmente, reconciliação. Aos poucos, tudo mudou. Embora preservando-se na interação com os outros da tribo, Esther fez amigos para toda uma vida. E casou-se também.

Ao ser desposada por aquele que iremos chamar de Pietro, seu orgulho suavizou. Como não poderia, diante de alma boníssima e gentil? Em seguida, Esther recebeu em seu ventre filhos que, inspirados pela mudança de gênio operada no espírito dela, tiveram atendidos o desejo de retornar à mãe encarnada.

A experiência foi tão marcante positivamente para Esther, que ela voltaria duas vezes mais à pele vermelha, a última delas no Brasil quinhecista. Atualmente, a rainha domada se encontra em vias de reencarnar... todavia, em esfera mais ditosa que o nosso.”

Relatos VII: Descobertas de Mim Mesmo, pelo Espírito Jules O'Donnel.

Nota do guia de Ogum: "Caros amigos, irmãos e irmãs em Cristo, saúdo-vos a todos! Em virtude das atuais circunstâncias, devo aconselhar que leiam este relato com cautela e sem qualquer julgamento terreno. Como já foi falado antes e nada custa relembrar, nosso propósito de auxílio aos irmãos desencarnados não dá relevância a sua identidade, pois ela nada mais é que uma memória de quem se foi, do que foi vivido em vosso plano terrícola. Diante disto, estes relatos trazem valiosos ensinamentos para aqueles que souberem buscá-los à luz do que nos foi legado por nosso mestre e guia, nosso irmão maior, Jesus o Cristo. Que Deus, nosso Pai celestial, vos abençoe hoje e sempre.--George."


“Meu nome é Jules O’Donnel. Nasci no ano de 1890, no final de novembro—seu guia diz que foi no dia 24—na região de Derby, na Inglaterra. Mas meus pais se mudaram para Dublin quando eu tinha dois meses de idade.

Éramos pobres, vivíamos mal. Mamãe era costureira e papai, operário de fábricas. Estava destinado a seguir similar destino. Provação difícil era a pobreza. Faz-nos desejar aquilo que não podemos consumir e nos incita ao ódio, sentimento baixo e vil, contra os que tudo possuem. É tudo uma grande injustiça, eu lamentava. Ignorava que os materialistas e privilegiados eram ainda mais infelizes que nós, dadas as ilusões que viviam, os casamentos arranjados, as superficialidades de uma vida de fachada. Mas nada disso compreendia.

Bem, apesar disso, jogava futebol com a rapaziada quando podíamos, porque à época os senhores de fábricas não gostavam de nos ver jogando bola. O serviço era absurdo. E acabou por matar meu velho. Tornei-me o homem da casa e teria mergulhado no desespero se não a tivesse conhecido.

Em um desses bailinhos, sabe, bares, pubs, seja lá o nome que se dá a tais espaços, conheci bela moça de enormes olhos azuis. Seu nome era Sophie. Sophie Delacour. Era francesa, veio da Normandia com os pais. Com a pouca escolarização que tinha, falei:

“Veio das terras de William para conquistar meu coração”.

Ela riu, mas foi minha. Cortejei-a e ela me ensinou tudo o que sabia. Apresentou-me às letras, embora não fosse rica nem de classe média. Longe disso. Sua mãe foi empregada doméstica na casa de um dos McLanney e foi aí que, pela bondade da patroa, enviou-a ao internato para meninas.

Sophie era ativista como eu. Mas ela lutava pelos direitos das mulheres enquanto eu, por melhores condições de trabalho. No meio disso tudo fui apresentado ao IRA. Tratava de um exército republicano que desejava libertar a Irlanda do jugo inglês. Moça, eu fui ingênuo. Pensa comigo, um homem que não se contenta com as condições humilhantes e precárias de serviço, vai acreditar nas promessas feitas. E, no entanto, veio a 1ª Guerra Mundial. Fui obrigado a me alistar. Mas se tinha algo que detestava mais que ingleses, era os alemães. Lembro de minha despedida de Sophie. Contra a vontade do pai dela, ficamos noivos. Mas falei que, voltando da Guerra, viria rico. Quantas ilusões!

A verdade é que estes são o alimento do pobre, quando não incorrem à violência nem à revolta. Nunca roubei porque minha mãe dizia que Jesus era pobre também, e por mais que tenha sido morto no final, tratou a todos com amor, mesmo seus inimigos.

“Se violência resolvesse alguma coisa, meu filho, a pobreza teria sido erradicada e a monarquia não continuaria [no poder] e até a Igreja sucumbiria à razão. A força não convence ninguém nem altera as circunstâncias. Ela só inspira mais ódio. Roube hoje, mas seguiremos pobres do mesmo modo. E ainda causará dor à mãe que tudo fez para amá-lo.”

Eu era filho único, tendo perdido dois irmãos mais novos para as doenças da pobreza. Achava que minha revolta tinha me salvado, mas estava enganado. Era muito limitado, mas ia à Igreja com minha mãe. Era um ninguém, desses que usava boina e ninguém se lembraria. Tanto melhor.

Além de minha mãe e Sophie, a Igreja me dava um conforto. Era devoto de São Patrício e Santa Brigida. Uma vez, às vésperas da guerra, fui me confessar. O padre Benedito era um velho amigo.

“Padre, eu pequei. Mas creio assim ser sempre, pois sou revoltado desde garoto. Deus deve me odiar, pois me fez pobre e me separará da família ao enviar-me para a guerra.”

“Lamento que esse seja seu pensamento, filho. O ódio ainda encontra lar em seu coração. Deus está acima de toda a maldade humana. Somos arrogantes em pensar que o inferno nos receberá para entretê-lo. Ora, o inferno é se não estado de consciência”, disse-me ele. “E tem examinado a sua consciência? Jesus, em forma humana, foi pobre e carpinteiro. No entanto, viveu sem julgar ninguém, sem mesmo se recusar a ser caridoso com o rico. Por que se ocupar odiando a vida que Deus lhe deu?”

Pensei aquelas palavras e meditei sobre elas. Senti-me envergonhado por toda a culpa que carregava em meu coração. Jesus nunca sequer maldisse os romanos nem os hebreus que o crucificaram. E eu lá desprezando o trabalho e o amor que Deus colocou na minha vida.

“Eu entendo”, eu disse e era verdade. “Mas, padre, somos dominados diariamente pela fome, guerra, pobreza... Como aceitar tudo isso? Acha justo que tenha perdido dois irmãos para a doença?”

“Você enxerga com os olhos da carne e não do espírito, Jules. Deus está o testando. Aonde está sua fé? Jesus nunca disse para sorrirmos e nos felicitarmos com as misérias da vida. Ele pediu que levantássemos o olho para o céu e lembrasse do Pai que nos criou e jamais nos abandonou. O jugo será leve no Senhor. Não seja como Pedro, que cortou um pedaço de orelha do guarda que conduzia Jesus ao encontro de Pilatos. Afinal, aquele que fere com a espada, será ferido por ela. Seja como Paulo. Transforme-se. Na raiva, por que persegue a Deus? Seus irmãos aceitaram e não reclamaram. Assim, se libertaram. E você? O que tem feito com a vida que Deus te deu?”

Saí reflexivo. Quando reparei que o IRA ameaçava se tornar violento, aproveitei para ir à guerra. Estava confuso, mas sentindo que não era o mesmo. Uma vez disse a Sophie:

“O amor salva e nos eleva. Percebo só agora.”

“Mas que pode o amor nas atuais circunstâncias?”, ela indagou. “Sofremos a troco de quê?”

“À troco de nós mesmos. Vendi minha alma para a raiva. Ela não mudou minha vida. Vou partir, porém, na certeza de ser útil à nação do que ficar aqui, trabalhando na base do rancor.”

Minha mãe, presente naquela situação, disse:

“Tenha fé, meu filho! O sacrifício de nossas sombras importa mais a Cristo do que pensa.”

Saí desiludido, admito. Mais melancólico e ainda revoltado com minha vida. Dirigia-me à morte, mas com qual propósito? Senti-me perdido. Nas trincheiras, percebemos como não possuímos nada. Dei-me conta, tarde demais, do sacrifício que minha mãe fizera por mim, do esforço de meu pai em ser decente e trabalhador. De Sophie, com seu bondoso coração, sempre disposta a perdoar meus erros.

Sabe, garota, não posso mentir e dizer que me aterrorizei em meio aos tiros. Às bombas. Aos mortos. Era horrível, sem dúvida, mas pareceu que vim para aquilo. Lutei tanto que sequer senti a bala perfurar meu ombro e depois meu peito. Não ouvi meus companheiros gritarem meu nome. Continuei lutando. Não percebi que morri. Mas as preces de minha mãe e Sophie tocaram minha alma. São Patrício esteve comigo, juro. Ele falou:

“Meu bom rapaz, descanse. Sua luta terminou.”

E eu dormi. Quando acordei, estava em um hospital branco e esverdeado. Meu pai, veja só, era médico socorrista. Quando ele veio em minha direção, chorei... porque entendi. Não voltaria a Sophie, mas estava aliviado. Não era mais pobre. E, pior, eu concluí, que jamais aceitei verdadeiramente minha encarnação. Em outros tempos, fui secretário de Estado do rei inglês que me executou. Por isso odiava a monarquia e seus ricos criados. Era revoltado porque fui comerciante, aristocrata, sempre mandando e desmandando nos outros. Nunca fui verdadeiramente pobre, porque não despi de mim a avareza, o orgulho, o egoísmo... E quando entendi isso, chorei.

“Oh pai, tenha misericórdia do filho que sofre”, e fiz eu mesmo uma prece.

Meu pai não tinha falado nada até então, mas me envolveu em abraço e disse, emocionado:

“Bem aventurado aquele que despe o coração para Cristo.”

Dali em diante, tenho procurado melhorar verdadeiramente. Aceitei quem sou, com meus defeitos e minhas qualidades. Entendi que é melhor ser um ninguém do que alguém renomado com vazias exposições. Melhor trabalhar e ser útil do que viver na revolta. Passei a me conhecer melhor e perdoei todos os que me fizeram mal. Pedir perdão é libertador, sobretudo a mim mesmo por desperdiçar uma linda encarnação nas bobeiras humanas.

Recentemente, acompanhei um grupo de falangeiros de Gandhi e posso assegurar que o amor vence todo coração embrutecido. Devemos tolerar o que discordamos veemente, pois é mais fácil amar aqueles com quem concordamos. Dito isto, é hora de partir. Combinei de reencarnar no oriente, perto do Himalaia. Ainda preciso me descobrir melhor, pois é na prática com o outro que descobrimos quem realmente somos.

Mais uma vez, obrigado, jovem. Se permite um conselho, ouça sempre seu coração e sua consciência. Seja quem é, pois os tesouros do Céu são mais valorosos do que os da Terra. Pouco importa se o jardim do vizinho é mais verde, desde que no seu se colha os ensinamentos imortais de Cristo. Cuide de si, e o resto virá em seu favor.

De seu amigo,

Jules O’Donnel.”

Relatos VI: Relato de um conde, ou um desabafo pelo Espírito Theobaldo de Blois.

“Vivi muitas vidas e em todas as vezes que desencarnei, a surpresa de constatar a imortalidade da alma me abalou. Não era isso que ensinavam nas Igrejas, paróquias. Ainda que seja verdade que os patriarcas cristãos, os primeiros, concluíssem que a reencarnação não era mero dogma pagão, mas uma realidade. Entretanto, sabemos que o poder é cria da soberba e, voilá!, c’est ça! Olhem no que deu. Ela [a Igreja], enquanto instituição, foi culpada por desgraçar tantas almas. Mas, verdade seja dita, podemos realmente transferir a culpa para instituições humanas quando ela reside em nós, orgulhosos em nossos saberes, pretensões de ter a verdade mais que uns tantos e muitos outros?

Bom, não quero desperdiçar teu tempo, oh escrevente, por isso vou me ater ao ponto. Todos nós buscamos reconhecimento de um modo ou outro, na boa ou má intenção segundo a índole para a qual a alma do sujeito se predispõe. Eu não fugi disso. Criado cristão, não posso dizer que o fui na acepção da palavra. Nós, frutos do medievo, não fomos cristãos verdadeiramente. Nós criamos uma moral hipócrita, que julga os erros alheios, que não tolera pensamentos, crenças ou sequer ideologias diferentes. Usamos da moral cristã para ir à guerra, subjugar nossos irmãos em Cristo, e baseado no quê? Onde está escrito nas Escrituras “faça guerra ao teu próximo”? Onde disseram os Apóstolos para matarmos uns aos outros e esfregarmos nossas interpretações, pontos de vida, sobre os menos esclarecidos?

Perdoe-me a angústia. Mas vejo que hoje em dia isto não mudou e que tristeza isso me traz. Por que reparamos mais nas faltas alheias do que nas nossas? Por que esquecemos, ou melhor, deliberadamente adaptamos a máxima “não julgueis para não serem julgados”, segundo melhor conforma nossa consciência? Esqueceis do leproso que, curado por Jesus, foi e pecou. Aquele fui eu. Segui errando e me envergonho disso.

A posição que nasci depois veio me esclarecer melhor sobre os percalços da riqueza. Novamente, pequei. Matei meus irmãos. Julguei. E, entretanto, me entreguei à penitência. A verdade é que sombras e luzes coabitam em nós, minha irmã. E tudo, absolutamente tudo, é passageiro. Muitas das vezes incorremos ao ódio sem o sabermos. Na discordância veemente, na fala que não ouve, no desinteresse ao que o outro nos traz... Quando perdi meus irmãos e meus pais, soube que ali havia ensinamento. A vida é um sopro. E não podemos desperdiçar a chance, como dizia Santo Agostinho, de questionar a nossa consciência.

Madame, eu me arrependo de ter nascido na riqueza. Porque é pesado o jugo e faz-nos esquecer de Jesus. Os erros nos volvem em lágrimas. Tudo é ilusão, passageiro. No século das luzes, o Monsieur [senhor] cujos livros estudais me abraçou em teu seio. [Nota da Médium: é provável que ele esteja se referindo a Santo Agostinho, cuja obra eu lia na ocasião que ele se refere]. Lembrar de sublime espírito me emociona. Em muitas das encarnações, vim leproso, de alguma forma.

Hoje, emocionado, posso dizer graças a Deus, acima de todas as coisas, e ao mestre Jesus, que consegui mudar um pouco. Deixo para trás a belicosidade, a soberba, as lamentações, a autopiedade. Há sempre tempo para louvarmos ao nosso Pai de todo nosso coração. Ele é misericordioso, perdoa, ama!! Mesmo com nossos defeitos!

Meu tempo se esgota, obrigado por ouvir-me, mademoiselle. Me regozijo por esta oportunidade. Ajudastes-me muito mais do que poderíeis saber. Agora me parto, pois preciso me preparar para o processo de reencarnação. E se me permite um conselho, madame: vivas com alegria e espalhas o amor na caridade de Nosso Senhor.  Estudas e buscas o conhecimento, pois a Verdade te libertará. É bem verdade que estás cercada por testemunhas invisíveis, mas nada temais, pois não te farão mal. Teu conhecimento, tua história te levarão a outros patamares. E agradeçais sempre aos que te acompanham. Que Jesus a ilumine e Deus guarde teu coração bondoso.

De teu sempre amigo,

Theobaldo.”

Contos de Nanã, vol.1--Nas Areias Do Cairo, pelo Espírito X.

Nota da guia de Nanã: "Caríssimos amigos, irmãs e irmãos na Terra. Em nossa longa caminhada espiritual, habitamos inúmeras moradas do P...