Nota do guia de Ogum: "Caros companheiros e companheiras que vêm acompanhando este nosso projeto de psicografias, missão espiritual concedida por Deus a todos nós que dela participamos e levamos cabo a frente, eu vos saludo. Hoje, daremos início a um novo ciclo dentro dos contos medievais como já vos havia avisado precedentemente. Não vos assustem com este subtítulo, tão comumentemente associado ao grego da antiguidade e suas peças de tom excessivamente dramático. Que podemos compreender deste termo pelo viés espiritual? Certamente, o bom senso assim classificará como 'algo de bom que sucedeu terrivelmente errado'. Ainda que, todavia, não deixa de assim o ser para vossos olhos, a realidade é outra. Nada mais é do que um resgate pedido por determinado espírito a fim de curar-se de vez de erros profundos cometidos em pretérito distante. 'Que dizeis por erros profundos, Ogum?' é o que pergunteis. Vos responderei: 'Pelos crimes cometidos contra as leis divinas durante o período da erradicidade, isto é, da ignorância do espírito'. Em suma: assassinato, roubos, violações físicas e/ou mentais, enfim, o desrespeito contra o próximo. São os extremos dos vícios, se quiserdes entender desta outra forma. Há casos e casos, de fato. No entanto, três entidades se prontificaram a auxiliar-nos nesta missão e bondosa e pacientemente vieram expor acá com nós todos, segundo permissão concedida pelo Alto, as encarnações que se encaixariam nestas "tragédias" a fim de expiar distante pretérito. Adianto que, das três narrativas, todos encontram-se em trabalhos regenerativos no presente e em colônias espirituais diferentes. Quando for necessário, farei meus comentários como de praxe. Desde já deixo meus agradecimentos.---George."
"Boa tarde a todos. Meu nome é Enrique e vim cá contar-vos uma de minhas vivências, como o guia desta que vos escreve mui bem já avisou de antemão. Vivi na Espanha durante a guerra civil que opôs a realeza castelhana, dividindo-a em lados sangrentos. Vim como um camponês que foi envolvido na disputa pela coroa de Castela e Leão entre dona Isabel e sua sobrinha, dona Joana. O centro desta história, no entanto, remontará aos reflexos que tal luta inculcou aos que, sem condições de sustentar tal conflito, por ela foram envolvidos. Creio ser relevante expor minhas ações pretéritas a fim de contextualizar o sofrimento por qual optei passar nesta época.
Com a permissão do conselho dirigido por Emmanuel, posso dizer-vos que em outra existência cometi erros para além dos vícios "comuns" que costumam atrasar nosso adiantamento. Não fui apenas vaidoso, orgulhoso e insincero. Fui mais que isso, lamento muito dizer, pois foi um desperdício, a meu ver, permanecer na escuridão por tantos séculos! Já fui um rei de Navarra e um conde germânico, e em ambas as existências, deliberei o caminho tortuoso contra tantos de meus irmãos. Assassínio e tantos outros crimes que nem vale a pena discorrer sobre, eu cometi. Feri as leis do Pai Maior. Quando escolhemos o caminho da riqueza, a responsabilidade é enorme, e eu, no entanto, fui irresponsável. Antes disto, havia sido uma dama da noite, que, mesmo na pobreza de outrora, seguiu na luxúria, na sensualidade errante. Também eu fui um ator na Roma Antiga, e neste contexto participei de tantas conspirações. De nada me orgulho contar isto, mas é necessário expor meu pretérito a fim de que entendam como a lei do retorno me "atingiu" desde cedo nascimento. E digo com tranquilidade porque foram aprendizados necessários pelos quais meu espírito precisou passar. Entre a última encarnação como conde de um dos principados germânicos medievais a um mero e esquecível camponês espanhol, fui doutrinado no plano espiritual depois de ter passado por breve tempo no umbral, cercado de inimigos. Quando perdoei a mim mesmo, pedi perdão e fui perdoado por tudo isso, compreendi melhor o que, de fato, significava ser filho de Deus. Nosso Pai nos ama incondicionalmente, Ele não deseja nos castigar em inferno flamejante ou duras penas para renovar sofrimento eterno. A causa de tudo isto está em nós. Somos falhos e, no entanto, tão capazes de acertar quanto optar pelo devaneio da vida. Quando apreendi isto, recebi permissão para reencarnar. Teria a oportunidade, não apenas em uma única existência, de me aprimorar e demover de minha alma erros obscuros. Adianto também de que pude avançar ainda mais, no que foi possível, quando reencarnei posteriormente na Alemanha da Reforma Protestante. Minha última vivência na Terra, enfim, foi, na verdade, no Brasil entre os povos indígenas, na tribo ao norte de Manaus. Desde então, venho trabalhado constantemente no mundo espiritual e hoje, graças dou ao Pai por esta oportunidade, estou para compartilhar este ensinamento convosco, proporcionar nem que seja um bocado de reflexão sobre nossas ações, as leis do Pai e como em meio aos dissabores é possível encontrar a cura e a paciência dos quais muitos de nós precisamos. Esta existência em particular me foi muito cara por estes motivos, e é por isto que optei por contá-la e apresentar-me com este nome.
Daremos início, portanto, a este conto. Nasci na região de Valladolid, capitão do reino de Castela e León, em 1455. Nesta época, reinava rei que compartilhava o mesmo nome que o meu, Enrique. Era o quarto soberano que se intitulava daquela forma. Era filho terceiro de vasta família camponesa, que trabalhava nas lavouras e desconhecia outro destino. Meu pai se chamava Fernando e minha mãe, Ana. Haviam se conhecido quando mui pequenos e seus destinos foram planejados pelos seus respectivos familiares, meus avós, que sonhavam fazer deste arranjo uma bela perspectiva para a resposta de seus problemas financeiros. No entanto, a mobilidade social, embora possível de realizar, era mui difícil de concretizar, já que a dependência dos nobres senhores era alta. A cada taxa devedora paga, outra se renovava. O capitão da guarda do rei detinha um castelo seu, favorito que era e portanto recebedor de tais presentes, e com isso ordenava como se fosse mesmo detentor de uma coroa. Mandava e desmandava conforme seus humores do dia determinavam. A verdade, digo-vos mais, é que aquele era um homem obsidiado, mas não tenho permissão para me aprofundar nas amarguras alheias. Pobre criatura.
Com isso, os que agiam em seu nome, nossos superiores, eram forçados a ser tão cruéis quanto. Quando minha irmã mais velha se casou em 1462, foi obrigada a passar sua noite de núpcias com o tal capitão. Um trauma que teria de conviver para o resto de sua vida. Enfim, os costumes eram muito bárbaros, sem dúvida, e para os que não possuíam riquezas para se proteger da parcialidade de tais leis, contavam com a "sorte". Naturalmente, cresci revoltado com aquelas condições. Quando contava oito anos, detestava capinar e achava que era nosso direito possuir todos os frutos colhidos no verão. Mas mamãe era uma santa, como o nome de quem recebeu e pacientemente dizia:
--O mundo não funciona segundo nossa vontade, meu filho. Tão jovem e tão revoltoso, não compreendo por que se comporta desta maneira. Te falta comida?
Franzi o cenho, sem entender.
--Não.
--Te falta cama?
--Não.
--E roupas?
--Também não.
--Acaso não desfruta de tempo livre para brincar com seus amigos quando não ajuda seu pai nas tarefas do dia?
Senti o rosto queimar e baixei o olhar. Mas a senhora Ana me encarava com ternura e bondade enquanto, naquela manhã, punha os alimentos à mesa. Era o pouco que tínhamos de pão e o que conseguíamos obter de mel para produzir hidromel. Também tinha duas frutas e uma torta de maçã.
--Filho--disse ela, aproximando-se de mim e fazendo com que a encarasse em seus olhos acinzentados--não vivemos em conforto, em luxo, sei que você deseja bens materiais que não temos condições de lhe dar. Mas tem saúde, comida para se alimentar e cama para dormir. Deus foi bom conosco ao permitir que crescesse sem deformidades, que não sucumbisse às pestilências quando muitas e muitas crianças não passam da infância. O mundo funciona assim desde sempre, há os que mandam e os que obedecem. Que de bom há em desobedecer?
--Mas por que eles mandam?--indaguei, tentando se esquivar da consciência que já colocava sua força sobre meu ser.
--Porque possuem riqueza--respondeu-me ela--Mas vou-lhe dizer mais ainda, filho. O ouro compra tudo e todos, mas também corrompe o coração das pessoas. Deus prefere que vivemos em honesta pobreza do que viver em fausta riqueza.
--Como pode o ouro corromper se ele resolve tudo?--perguntei, mas era meu espírito avarento quem fazia aquelas perguntas.
[Nota de Ogum: "Para o leitor moderno, perguntas assim podem parecer absurdas aos vossos olhos. E, no entanto, quantos de vós já não ouvistes comentários impertinentes ou fora do senso comum por essas crianças? Quantos de vós já não detectaram o caráter bondoso ou malicioso destes seres? Na infância, guarda-se ainda muitas impressões de vidas pretéritas. Para alguns, a facilidade em resgatá-las do subconsciente é maior do que outras. O recomendável é não estimular a retomada de memórias passadas nesta faixa etária. Mas neste caso exposto pelo espírito Enrique, vemos que se trata, é claro com permissão divina, de uma instrução espiritual para seu aprimoramento, em consoante com a explicação que ele vos deu na introdução de sua memória reencarnatória. Como nos dias presentes o conhecimento espiritual é ainda maior do que neste século XV, cabe os adultos responderem de maneira como a senhora Ana fizera aqui, sem adentrar nos pormenores (sejam eles religiosos ou não). Tudo no seu tempo, não devemos nos esquecer disto. A espiritualidade, aquela à luz de Cristo e de nosso Pai que nos criou, é paciente. E a infância deve ser preservada, pois cada experiência é importante para a aprendizagem daquele espírito encarnado.]
--Não sei de onde tira tantos questionamentos, filho--ela riu--Mas veja, o ouro compra tudo, como já percebeu, e isso dá poder para aqueles que o possuem em excesso para mandar em seu semelhante. É por causa dele, por causa da terra, que esses mais poderosos brigam entre si. Acaso vê nós brigarmos?
Ponderei em silêncio antes de dizer, teimosamente:
--Mas por que brigariam pelo ouro se ele tudo compra e resolve? Por que os que o têm em excesso não compartilham com aqueles que nada possuem?
--Porque as pessoas são apegadas ao que o ouro proporciona, meu filho, e acreditam que somente elas detém direito a isto. E, no entanto, são as mais infelizes. Você sabia que os nobres não podem se casar por amor?
--Por que?
--Porque, para eles, o amor é um sentimento irrisório. É tolo. E você acha que amor é tolo?
Pensei na forma como meu pai tratava amorosamente minha mãe. Embora não fosse regra, era comum que muitos dos camponeses tivessem relacionamentos mais felizes que os dos nobres, por assim dizer.
--Não--eu admiti--mas não é feito para as mulheres?
Ela riu. E eu, sem saber o por que, fiquei envergonhado de ter falado o que pensava.
--Muito pelo contrário. Veja, Jesus nos amou a todos, eu e você também, mesmo sem ter-nos conhecido.--e, vendo que eu corava de vergonha, falou--Não fique envergonhado, Enrique. Não o criei para isto. Mas veja como o amor de Jesus tem mais valor do que o ouro.
--As pessoas que têm ouro não amam a Jesus?--eu perguntei, confuso.
--Amam mais suas posses do que a Ele, meu filho--ela respondeu e eu percebi que falava disso com naturalidade, sem rancor. Seu rosto rechonchudo brilhava quase de divertimento ante o assunto que falávamos--E é o ensinamento dele que devemos seguir, embora prevaleça a lei dos homens e nem sempre ela está em igualdade com os de Deus.
Pensei nos bispos que passavam pela cidade em suas carruagens ricas, ou nos arcebispos que apareciam cavalgando seus belos cavalos, ricos em vestes roxas e gordos enquanto metade da população estava magra e sem ter o que comer. Mesmo criança, compreendia o que me era dito.
--Por que Deus não os pune, mamãe?
--Os homens que punem uns aos outros, meu filho. Fazem do livre-arbítrio o que desejam, despreparados para a colheita de suas decisões--ela deu de ombros--Creio que o peso do poder naqueles ombros é castigo o suficiente de Deus com eles.
--Mas a senhora, se tivesse poder, não ia gostar de castigar essas pessoas?
Minha mãe arqueou as sobrancelhas diante daquela pergunta.
--Primeiro, eu já o castiguei, Enrique?
Confuso, e com um ar matreiro, respondi com uma negativa na cabeça.
--Segundo, já o puni pelas vezes que mentiu para mim?
--Eu nunca menti para você!--protestei, mas fui calado com um olhar que, pelo Pai, somente ela conseguia fazer para aquietar meus atrevimentos--Desculpe.
--Bem melhor--ela aprovou, e prosseguiu--E terceiro, gostaria que eu o punisse todas as vezes em que tivesse errado comigo? O que eu fiz com você das vezes em que errou?
Ruborizado, falei:
--A senhora me fez rezar 30 pai nossos de joelhos em cima de milhos, e mais 50 ave-marias e 20 credos. Mas também conversou comigo.
--Acha que os poderosos fariam isso com você, mesmo sendo um menino de oito anos?
--Não--admiti, vencido--Mas isso é injusto!
--O mundo não é justo, meu filho, e é por isso que devemos agradecer ao Pai pela condição que temos. Nosso padecimento aqui é com as lavouras e rezar para que, dos desentendimentos da nobreza, não recaia sobre nós. Porque eles, em suas vidas confortáveis, não irão à guerra acaso ela aconteça. Eles enviarão a nós para fazer o trabalho sujo. Quando falo de ser humilde e agradecer, não digo que é para ser feliz o tempo todo com essa situação, mas é para fazer do que nos foi dado o melhor possível.
--Desculpe, mamãe--eu falei, choroso. Afinal, havia entendido a mensagem que ela me passou--Não quis ser ingrato nem mal filho com você.
E, abraçando-me como a bondosa mãe que era, acariciou meus cabelos, que eram curtos e da cor da areia, e depositou sobre eles um beijo para dizer:
--Não há o que se desculpar, meu menino. Como sua mãe, só quero o seu bem. Sei que queria ganhar bonecos e receber uma espada de madeira, mas eu e seu pai tentamos providenciar o que Deus permite nos dar. Sabe, você não se lembra, mas tinha um irmãozinho que nasceu antes de você. E ele não viveu o suficiente para ser seu companheiro como o é Juan. Às vezes, penso vê-lo brincando com os dois, mas sei que nada passa de minha imaginação e que papai do céu o levou para lugar melhor. O mundo é cruel, Enrique, mas nem por isso devemos ser cruéis também.
Aquele foi o dia em que meu espírito passou pela mais bela doutrinação que alguém com penas a pagar poderia apreender. Depois de valorosa lição, passei a levar mais a sério os ensinamentos da Bíblia, as escrituras, as homilias do padre... E, curioso que era, o importunava todo domingo depois da missa para fazer perguntas, fossem do Antigo ou do Velho Testamento. Certa vez, quando completei doze anos, me perguntou se eu não queria ser padre também. Mas meu pai, horrorizado com aquela sugestão, disse que não. Quando o indaguei a respeito, senhor Fernando falou:
--Oras, preciso de você e seu irmão aqui para me ajudar. Um braço e meio não dá conta, não--ele bradou.
Fernando era de estatura média, forte como touro e bravo em trabalho. Levava seus deveres à sério. Quando não estava trabalhando com a lavoura, servia de pedreiro na construção de catedrais ou reforma de igrejas por ali perto. Juan, meu irmão mais velho, era sua companhia constante. Havia até herdado seu temperamento e sua introspecção. Apesar disso, nos dávamos muito bem e crescíamos juntos.
Quando chegamos aos dezesseis anos, porém, nosso pai veio a desencarnar. O ano era 1471. Enrique IV havia entrado em políticas que desabariam com o reino. Dominado por favoritos, era indeciso e não era confiável para tomar as rédeas do seu próprio reino. Era carismático, porém, e quando saía à público, todos o saudavam com alegria. No entanto, em 71 passávamos fome e, para piorar a situação, havia a questão de sua herdeira, Joana, não ser sua filha legítima. A rainha consorte teve um caso extraconjugal, segundo diziam, e se o fizera posteriormente, que dizer da jovem infanta? As tensões eram tantas que seus opositores passaram a apoiar o irmão mais novo de Enrique, filho do segundo casamento de seu finado pai, o velho rei. Alfonso era seu nome, embora seja pouco lembrado pela história de Castela por ter sido ofuscado pelo reinado de sua irmã mais velha.
O cenário político era catastrófico e tudo indicava que surgiria uma guerra civil. Como resultado disto, o bispo de Toledo veio a Vallalodid para manter sua corte conspiratória. E os nobres da região que lhes eram leais, aumentaram os impostos. Lembro-me de ter revoltado diante disto em casa:
--Como sobreviveremos se eles desejam tirar toda nossa produção? Tudo o que nosso pai veio construindo, para que?
Juan, o mais sensato e herdeiro de nosso pai, disse:
--Confiaremos em Deus que ninguém morrerá de fome.
Ao que eu, rebelde de natureza, retruquei:
--E onde estará Deus enquanto os nobres brincam conosco como se fôssemos ratos e eles, gatos?
Minha irmã, nascida dois anos depois de mim, interviu e disse:
--Não culpe Deus pelos pecados dos homens, irmão.
Vendo que todos da família se resignavam com essa situação, bufei. Mas mamãe, cansada e preparando-se para seu desencarne que seria em breve, disse:
--De que adianta esta fúria, Enrique? Acaso como pretende aplacá-la? Rebelar-se contra os poderosos resultará em nada, e poderá ser morto por isso. E sua morte beneficiará a quem? Não houve outra rebelião esses dias que causou a morte de amigo querido seu? E do que disto se resultou?
Calei-me ante repreensão, e me pus a sentar no chão mesmo, preocupado. Novamente, foi minha irmã, a quem chamarei de Joana, que disse:
--Fica calmo, irmão. Temos de ter fé em Deus, confia e verá que tudo se resolverá.
Assenti com a cabeça. Disse eu, portanto:
--Peço perdão a quem ofendi. Eu só estou preocupado.
Juan me lançou um meio sorriso.
--Todos estamos, Enrique, não somente você. Mas de nada adianta sermos levado pelo temperamento, as coisas são o que são, e os homens são quem são. Que há de fazer diante da natureza disto tudo?
--Fala a verdade--assenti em concordância--Vou rezar.
Passava das três da tarde quando me encaminhei à Igreja de São Tiago. Na verdade, era mais uma capela do que uma igreja em si. Entrei nela, necessitado de reza, mas decidi que deveria, antes de tudo, me confessar. O padre local, chamado Benício, me recebeu cordialmente.
--Por que vem aqui, meu caro irmão? Já não se confessou no início da semana?
Eu suspirei.
--Sinto que carrego um peso nas costas, padre.
[Nota de Ogum: "Vale lembrar que Enrique passava por um período de obsessão: um de seus rivais passados, não aceitando a mudança de temperamento do rapaz, decidiu a todo custo testá-lo como se desejasse trazê-lo de volta ao erro que um dia compartilharam. Como Enrique vibrou na faixa do descontentamento, deu margens para que isso acontecesse. Afinal, o que é estar obsidiado? É quando um espírito que insiste em permanecer no erro vibra na mesma faixa do encarnado, ou mesmo desencarnado, desta maneira ligando-se por uma série de questões: mesmos valores, pensamentos, etc. Neste caso, era vingança. Mas o guia espiritual de Enrique, à ocasião, manifestou a inspiração de ida à capela que tinha por costume frequentar. Tudo isso ocorreu como parte, de certa maneira, deste resgate que Enrique tinha de fazer em consequência das faltas prévias cometidas."]
--E por que isso, meu filho?
Já sentávamos em nossos lugares quando desabafei:
--Cansa-me o estado de pobreza, desanima-se saber que tantos outros podem fazer o que desejarem conosco. Juan está a desposar boa moça da vizinhança, mas se o nobre souber disso...
--Primeiro, o rei Enrique baniu este costume, não fique tão desolado por seu irmão--disse o padre, calmamente--Segundo, este estado a que se encontra é um chamado a Deus. Tem rezado?
Envergonhado, falei:
--Admito que têm duas semanas que venho falhado nesta tarefa, padre.
--Ora, mas você sempre foi um menino tão piedoso!--exclamou o padre Benício--Cede fácil às tentações, meu rapaz? Deixará que os demônios tomem conta de suas faltas?
--Não, padre.
--Por que cargas d'água permitisse que eles tomassem as rédeas de sua vida? Onde está sua fé?
--Sou fraco, padre--falei, desanimado.
--Ninguém é fraco, meu caro. Você, menos ainda. Já conheci jovens de condições ainda piores que as suas, que estavam a morrer de fome e, nem por isso, cederam ao roubo. Não vivemos em uma realidade tranquila, eu bem o sei, mas nem por isto devemos nos dar à desesperança. Não foi prometido que Jesus voltaria?
--Sim--falei, mastigando aquele ensinamento.
--E deixará que Jesus o encontre cercado por demônios?
Como se uma luz banhasse em meu interior, senti uma mudança fazer-se. Renovei minhas forças e falei:
--Não, pelos santos apóstolos e por nosso Deus, nosso Senhor, não!
O padre sorriu.
--Reze, meu filho, e de coração aberto. Deus não te deixou só para que se ocupasse com criaturas malévolas.
Assenti a cabeça com propósito renovado e falei:
--Obrigado, padre. Bênção?
Ajoelhei-me e, depois que ele colocou a mão na água benta que carregava, fez o sinal da cruz em minha testa. Disse em voz alta:
--Eu te absolvo, Enrique Ruárez. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
--Amém--falei, com toda a crença que senti pulsar em meu ser.
E depois daquele dia que rezei como o padre me instruiu, não senti mais nenhuma dor nas costas nem qualquer outro incômodo.
* * *
Quando a conheci, contava dezoito anos. As circunstâncias estavam estáveis, embora em alguns anos, não se poderia dizer o mesmo. Neste meio tempo, porém, enquanto me corrigia nas atitudes e pensamentos, cada vez me voltando para uma religiosidade que me surpreendia de mim mesmo, tudo corria com tranquilidade. Juan desposou Ana Maria e, como o padre confirmou, nenhum nobre ousou tomá-la para consumir a noite de núpcias, para alívio de nós todos. Mas, em seguida, nossa mãe desencarnou.
Juan, três anos mais velho que eu, era como nosso pai. Alto, de ombros largos, e cabeleira negra que recaía pela nuca, possuía olhos igualmente escuros que a tudo estavam atentos. Não falava muito, mas era bom homem. Ana Maria, sua esposa e quem era minha irmã por lei, era-lhe quase o oposto: rechonchuda, de pele alva como o leite e um belo par de olhos azuis, ela gostava de falar e tagarelava comigo e com minha irmã mais nova, Joana, quando não se ocupava de suas tarefas domésticas. Quando a mãe a conheceu, lembro de ter-lhe ouvido:
--Essa daí tem quadris largos. Vai fazer seu irmão feliz.
E foram felizes, de fato. A cada ano, Ana Maria deu-lhe um filho, todos robustos. Chamarei meus sobrinhos de: Isabel, Clara, Alicia, Ricardo, Juan, Felipe. Nomes um pouco incomuns, mas de consonância com a moda da época, principalmente Isabel, Juan e Felipe.
Joana, minha irmã, optou por ser freira franciscana. Entrou em um convento de Santa Clara, em região próxima de Vallalodid. A mais velha, Catarina, veio a falecer no parto há alguns anos atrás, mas infelizmente não tivemos mais notícias dos dois filhos que deixou em vida, embora eles não viessem a sobreviver à infância.
Com isso, sentindo que era um peso à família que crescia, procurei por oferecer meus serviços fora da lavoura, a contragosto de Juan. O padre com quem eu me confessava me pôs para ser um pedreiro à serviço do bispo local e, como grande ironia que a vida é, auxiliei nas construções das residências reais, uma delas que viria a ser a corte da rainha Isabel em futuro próximo.
Não era uma rotina fácil. A tecnologia da época era limitada, naturalmente, e por isso muitas das pedras eram levadas a braço. A mentalidade masculina também não permitia que se reclamasse. Aquele ditado que ainda se ouve na contemporaneidade, "Engole esse choro", já se ouvia aí. A maioria dos meus companheiros eram retraídos também, e muito mal humorados. Ninguém aceitava as condições de vida, embora se resignassem em grande parte disso. Mas em ocasiões de festa, esquecíamos disto tudo e celebrávamos. Foi quando a conheci.
Rosalinda era uma bela moça, filha do responsável maior pelas obras das quais fazia parte. Seus cabelos eram de um ruivo esplendido e bastante cacheados também, caindo até suas cinturas. Seu rosto era oval e o nariz, embora achatado, combinava com suas feições. Sorria de vez em quando por ser criatura introspectiva, mas era adorável. No entanto, quando a conheci pela primeira vez, ou devo dizer, a reconheci, foi para celebrar seu noivado com outro rapaz. Seu prometido era um dos escudeiros do bispo de Madrid. Sabe-se lá o que ele fazia ali, mas a união era aquela. Mas estava profundamente enamorado por tal moça.
Recordo-me de ter ouvido de um amigo, Abelardo, conselho sensato:
--Mas tire seus olhos da donzela, rapaz. Não vê que ela está prometida a outro?
--Noivados podem ser quebrados, não?--me ouvi responder.
Abelardo me encarou, nervoso.
--Não seja rídiculo.
Mas sentia-me compelido a falar com aquela donzela. E, ignorando a prudência de Abelardo, eu fui até ela. E quando Rosalinda me viu, um sorriso encantador cruzou seus lábios e, juro por vós, leitores, que não me enganei de ter visto um rubor subir às bochechas. Cuidadosamente, é claro, me aproximei. Apresentei-me desajeitadamente.
--Vim desejar à senhora as congratulações pelo motivo que celebramos todos hoje.
Ela arqueou as sobrancelhas e disse:
--E sabe que motivo é esse?
--Seu noivado.
--Acha que é para celebrar alguma coisa?
Aquilo me pegou de surpresa. Quando viu que eu não sabia o que responder, ela se adiantou e disse:
--Nós, mulheres, pertencemos a ninguém. Nosso destino, porém, induz o oposto. Não consenti com isso tudo, mas que posso fazer diante da força de meu pai?
--Lamento por esta intranquilidade, senhora--falei, franzindo o cenho diante da menção de ter sofrido com o pai.
--Estou acostumada, mas obrigada por tal gentileza--disse-me ela, intrigada--Percebo que foi o único a falar comigo. Poucos são os corajosos ou, devo assumir, atrevidos?
Ri. A sensação de familiaridade somente aqueceu meu peito.
--Não significariam o mesmo? E por que pensaria isto de mim?
--Pelo seu olhar, incomumente verde como a natureza, vejo que gosta de desafios--ela acusou.
--Acha que vejo a senhora como um desafio?--falei, surpreso.
--Meu noivo concordaria com sua percepção--disse ela, dando de ombros.
--De fato, é bela como o fogo e, penso eu, indomável como tal, mas permita-me discordar desta visão.
Rosalinda me encarou.
--E o que faria discordar disto se eu não sei o seu nome?
Corei.
--Meu nome é Enrique Ruarez, senhora.
Ela sorriu.
--Seu nome parece conhecido aos meus ouvidos. É um prazer conhecê-lo, senhor.
--Oh, eu não sou nenhum senhor--ouvi-me dizer, encabulado.
Provocativamente, disse-me Rosalinda:
--E tampouco sou alguma senhora, mas cá estamos--e nossos olhos se prenderão em longo olhar--Gosta da vida que leva sob meu pai, Enrique?
--Não tenho motivos para reclamar--disse eu, sorrindo--Poderia servir a homens piores.
Ela riu.
--Minha finada mãe discordaria do senhor.
Mas antes que a conversa se prolongasse, foi o pai dela quem se aproximou com o noivo a tiracolo. Homens de postura arrogante, prontamente agiram como se eu não existisse. E em questão de segundos, vi que Rosalinda não se esforçou em esconder a infelicidade que era em ser tratada como um objeto pelo pai e aquele que em breve desposaria. Senti um ímpeto de tirá-la dali, mas não era o momento, e eu me retirei.
* * *
Quando voltamos a nos reencontrar, Rosalinda ainda era noiva. Novamente, era uma ocasião de celebração, provavelmente a de um santo local, e ela estava com duas companheiras que supus serem amigas ou irmãs. Abelardo foi cortejar uma delas, incentivo que dei prontamente quando elas se aproximaram. Dispensando a outra dama, Rosalinda sentou-se ao meu lado e disse:
--Por que o senhor está em todos os lugares?
--Lamento desapontá-la, senhora, mas eu vivo aqui em Valladolid.
Ela riu e eu sorri por vê-la alegre naquele dia.
--Gosta de dançar, senhor?
--Se eu não puder evitar, danço.
De novo, Rosalinda gargalhou.
--O que te impediria de dançar, pergunto eu?
--Não ter em minha companhia a mais bela das senhoras--respondi, olhando diretamente em seus olhos castanhos e falando com repentina paixão.
Rosalinda enrubesceu, mas não desviou o olhar.
--Creio ter acertado quando o acusei de insensatez.
--Foi atrevimento--eu a corrigi com um meio sorriso--E, no entanto, cá está. Não íamos dançar?
--Sou prometida a outro homem--ela me lembrou, com tristeza na voz.
--E ele está aqui para impedi-la de dançar?
--O senhor iria mesmo tão longe?
Levantei-me e ofereci-lhe a mão.
--Não tenho nada a perder.
E quando ela se levantou, soube de imediato que encontrei minha perdição.
* * *
Nós nos encontramos por toda a semana, parcialmente escondidos, com a ajuda de suas irmãs mais novas, e parcialmente em público, quando toda a cidade tomava conta de festas aqui e ali. Foram dias alegres, que, logo mais, se transformaram em um mês e, depois, em outro. Como o escudeiro estava ocupado com questões para além de meu alcance, ninguém se preocupava, de imediato. Mas a guerra civil eclodiria, de fato. E quando ela veio, ninguém estava preparado para ela.
* * *
Poderia me alongar mais na narrativa, mas não tenho essa pretensão. Vou direto aos fatos. Embora Rosalinda eventualmente houvesse se casado com o escudeiro, não renunciei ao amor que por ela sentia. Em uma de suas visitas à cidade, consumado por sentimento que, sem exceção, consome a alma do apaixonado seja qual vida for, procurei por ela urgentemente. Para minha sorte, estava só e com uns poucos criados.
--Oh!--ela exclamou ao me ver, a incerteza dividindo aqueles belos olhos com a esperança--O que faz aqui, Enrique?
--Vim ser aquilo do qual fui acusado ser quando nós nos conhecemos. Insensato, atrevido, seja qual palavra for, mas não posso deixar escapar a chance de dizer que...
--Não!--ela veio em minha direção e pôs as mãos sobre minha boca, seus olhos cheios de lágrimas--Não diga isso. Por favor! Tem sido uma tortura toda esta vida, mas aceitei porque... me conformei que não pertenço a isso, nunca fui de mim mesma, mas daqueles que detém controle sobre mim. Foi o que aconteceu com minha mãe e minhas irmãs, por que comigo seria diferente?
--Porque o amor não se trata de sofrimento nem de posse, mas de liberdade e respeito!--eu proclamei, também com os olhos vertendo lágrimas--Como posso consentir que sofra? Como posso vê-la em interminável dor? Seu pai e seu esposo não são bons o suficiente para você!
--E eu sei que você é--ela disse, colocando as mãos ao redor de meu rosto--Nunca duvidei disto, Enrique. Nem por um momento. Acha que não passa pela minha mente todas as vezes que o vejo do que poderíamos ter sido? Acha que não sei que você teria me feito feliz e sido o melhor pai para os filhos que teríamos?
Meu coração se despedaçava diante daquelas palavras, pois senti a verdade nelas. Não era para ser, e isso me corroía por dentro. Conhecer o amor da minha vida e, no entanto, não amá-la como deveria. Sim, caro leitor, eu chorei. Mas também entendi que tudo o que eu sentia era com relação a ela, não a mim, e foi naquele instante que me abneguei de quem era.
--Eu morreria por você--murmurei--Fuja comigo.
--Não posso, meu amor--disse Rosalinda, decidida--Por mais que eu ame você, não posso ceder a tão belo sentimento que nos reúne aqui e agora. Há um dever que deve ser cumprido, sabe disso.
Como se minha alma compreendesse que, naquela vida, não devíamos ficar juntos, eu assenti. Como disse um poeta por aí, das mais violentas alegrias se termina nos mais violentos fins. E eu respondi:
--Perdoe-me.
Ajoelhando-se junto a mim, Rosalinda tomou meu rosto contra o seu e disse:
--Não há nada a ser perdoado. Eu o amo, não se esqueça disso.
--Também a amo, minha senhora. Meu coração e minha alma são suas.
--Como também são suas todas as partes que montam meu ser.
E, como se para selar a despedida, beijei-a nos lábios. Aquele foi o último dia que a vi em vida.
* * *
Alguns de vocês, leitores, poderão supor que eu me tornei amargurado. É compreensível este pensamento dada a separação, em vida, do amor de meu ser. Mas, ao contrário, fiquei resignado. Não entendia o propósito de Deus para minha vida, mas entreguei-me a Ele, de todo modo. Não nego que fiquei abatido e triste por muito tempo, mas a guerra veio e eu soube de imediato que o fim estava por perto.
Em tese, Isabel de Castela não era rainha por direito, mas sua sobrinha, Joana, apelidada de "a beltraneja" por um nobre de sobrenome parecido ter sido o amante de sua mãe. Não me recordo o nome do sujeito agora. Era uma guerra de senhoras, ao que parecia, mas Joana, por mais que permanecesse conhecida como "a rainha por direito", não era ambiciosa. Não almejava o trono. A vitória para rainha Isabel veio fácil. O problema, porém, centrou-se em seus nobres problemáticos e excessivamente ambiciosos.
Como mais um dos homens que lutavam contra seus conterrâneos, pouco importava a causa da guerra. Foram quase dez anos em tensões que ora eclodiam em conflitos físicos, ora dificultavam a diplomacia com países como Portugal e França. Mas quem sangrava era Castela e seus castelhanos. Mas aprendi a ter paciência, a canalizar toda minha tristeza, de ter o coração partido, para a guerra. Não pensava em Rosalinda, embora estivesse em meu coração.
Abelardo, certa vez, me disse:
--Amar é libertar-se das correntes do apego, pois não a desejou como tantos a desejaram, amou-a como era, aceitou seus defeitos tanto quanto acolheu suas qualidades. E, no entanto, jamais buscou a belicosidade para fazer valer sua força. Você entendeu que as circunstâncias os separaram e se resignou. Isso demonstra a coragem de seu espírito, e o quão valoroso e honroso é. Pois tantos outros em seu lugar, entregaria-se ao desespero e isso, a meu ver, é tudo menos amor. Afinal, amar não é posse, meu caro. E é preciso ter sabedoria para enxergar além do sentimento e ver que Deus escreve certo pelas linhas tortas. A Ele submetemo-nos e confiamos, para que os dissabores um dia sejam transformados em sabores. Nada é permanente, tudo muda.
Como se para testar-me, Abelardo desencarnou em meus braços em meio às lutas contra as forças de quem quer que fosse o inimigo. Afinal, eu era apenas um dos homens que serviam ao nobre que, ora favorecia a rainha, ora se rebelava contra ela. Que importava? Deste amigo, eu pranteei com o coração. Que são as perdas? Senti-me vazio, sem propósito. Mas lembrei-me desta palavra dele: "amar é libertar-se das correntes do apego", e eu não podia me prender ao buraco que ele deixou. Ele se foi para os braços de Deus e eu deveria me contentar com isso.
Quando tomei consciência disto e entendi, enfim, que nada me pertencia, que eu não detinha controle sobre nada, foi próximo do momento de desencarne. Ao contrário do que pensam, leitores, não foi um aprendizado "à toa". Muito pelo contrário, se eu aprendi e exercitei na prática todos os ensinamentos, foi porque chegou a hora. Não nego, eu chorei quando senti o frio da espada trespassar minha pobre armadura. E continuei a chorar quando a dor, como resultado desta ação, me ultrapassou o corpo e atingiu a alma. Na inconsciência, chorei. Mas quando despertei para o outro lado, não chorava mais. Havia eu me curado, enfim!
As lágrimas são curativas, e elas deveriam ser incentivadas e não vistas como sinais de fraqueza. Se não nos curarmos, quem fará isso por nós? Um médico, psicólogo? Sim, podem auxiliar-nos a melhorar, mas tudo depende de nós. Não há vergonha nisto, nem nos sentimentos que sentimos. Afinal, o amor é isso tudo que trouxe, seja ele maternal, familiar ou espiritual. Não se demore onde há posse, é o conselho final que deixo antes de concluir este conto. E o problema de hoje em dia, digo mais, não é romantizar o amor e a vida, mas ser engolido pela miséria e incontáveis desesperanças. Forte é aquele que ama e sorri nas adversidades, mas também chora em todo o resto.
Agradeço à médium pelo belíssimo trabalho que tem feito, não é fácil, de fato, mas a perseverança é sua maior aliada. Não deixe que a insegurança atrapalhe sua caminhada, estamos todos torcendo e acompanhando de longe. Que o amor seja celebrado, e adianto para não se preocupar quanto a mim, já há muito reunido com Rosalinda. Que Deus a abençoe e a ampare. Agradeço aos seus guias, em particular o de Ogum, que me trouxe aqui. Que a luz do Pai nos envolva a todos! Gratidão, irmãs e irmãos! ~Enrique.
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