quinta-feira, 12 de março de 2020

A história de Zé

"À época em que nasci, o Haiti passava por grandes problemas. Por muitos anos, havíamos sido submetidos ao domínio branco franco-espanhol, onde a pobreza predominava para todos os seus habitantes. Mulheres, crianças e escravos costumavam formar uma só casta que, para os caucasianos senhores de terra, era o mesmo que nada. 

Persistiram no abuso por séculos, um exercício de poder que corrompia suas almas e os carregava ao verdadeiro inferno. Pregavam a palavra de Cristo, mas agiam como se fossem Judas, o traidor. Hipócritas, eram comprados por ouro. Assim era o mundo para o qual vim encarnar. Apesar da tristeza que marca estas palavras minhas, ressalto que ter nascido naquele contexto turbulento pós-revolução/rebelião ou o que quer que preferem denominar a liberdade colonial foi a consequência de mau uso do livre arbítrio de vidas antecessoras. 

Permitam-me que me apresente: me chamo Zé, ou foi como escolhi o nome para trabalhar do plano espiritual. Mas, na verdade, Zé é apelido para Josué, ou simplesmente Joseph, como queiram chamar. Antes de descer ao Haiti como o filho bastardo de um senhor de terras com uma escrava provinda da Serra Leoa, vivi na Índia do século XVII e, ainda antes, foi um péssimo rei francês. Como consequência da ganância, da vaidade e, claro, do orgulho, optei por sofrer as correções adequadas a este tipo grave de erro que persisti por séculos a fio.

O século em que vim foi o dezenove, e as condições não pareciam ter melhorado mesmo depois da ruptura das relações com a França. A vida nunca foi fácil para aqueles que viviam à margem de uma sociedade patriarcal e materialista, cuja classe dominante fazia questão de diferenciar uns aos outros pela cor de pele. Não importa se determinado sujeito havia sido bom homem ou excelente rapariga conquanto fosse escuro como a noite ou tivesse um pigmento de pele que fugisse à branquitude alheia. A segregação existia e era forte. É de rir pensar em tais questões porque, vejam, eles eram a minoria... e mesmo assim dominavam todos os outros. O exercício do poder é enganador e não se faz apenas através de espadas, mas de línguas. 

Pois bem, prosseguimos. Meu pai, como havia dito, era um poderoso homem que concentrava em suas mãos as terras herdadas de seus ancestrais. Estes, por sua vez, vieram da França e faziam parte de uma aristocracia decadente (os mais espertos verão aqui uma ligação do passado com meu "presente", e eu rirei disso porque é verdade, não existe acaso quando se trata das aplicações das leis do Grande Pai). Podem imaginar como tudo se prosseguiu: vidas inocentes foram ceifadas, sangue foi derramado até que a conquista houvesse sido bradada para o mundo. Minha mãe, por sua vez, vinha de uma família de curandeiros da Serra Leoa, cultuavam seus próprios deuses, e faziam lá seus próprios feitiços. Não vou mentir: a mulher era conhecedora do vudu. No entanto, o vudu não era nada disso do que o estereótipo contemporâneo possa pintar aos olhos modernos: não se tratava de vingança, de espetar uma agulha no boneco e rir como um louco à espera da consumação de ódio fútil. Reverenciava-se a herança ancestral, os ensinamentos que, do outro lado (que, hoje, sabemos se tratar do plano espiritual), eram passados aos descendentes com respeito e serenidade. A magia estava nos mínimos detalhes, no equilíbrio com o qual se tratava as forças da natureza. Como sabem, porém, a História tem cor de pele e é escrita de acordo com os vencedores. Não me interpretem mal: o caráter espiritual não possui sexo, gênero, o que quer que seja. Um negro também pode ser um tremendo filho da puta, não é mesmo? Contudo, naqueles tempos, o privilégio e a dominação eram praticadas por outro grupo e, infelizmente, a distinção cabe aqui ser ressaltada. 

Minha mãe se chamava Sh'la (ou, em um português mais familiar, pode-se traduzir para Sheila) e ela teve uma infância relativamente feliz até ser capturada e separada de seus familiares. Cercada por estranhos, foi enviada por um navio negreiro onde seria escravizada por um senhor qualquer. Este homem não esperaria ela crescer para que pudessem ter relações: Sh'la era bela demais para ser poupada das crueldades de um espírito embrutecido. Apesar disso, refugiou-se em sua fé e quando me deu à luz, seu mundo parecia ter saído da escuridão. Ela mesmo me dizia isso: curiosamente, meu nascimento representou o falecimento para o outro. Em meio à rebelião, os companheiros de Sh'la gritaram por vingança. Ou justiça. E meu pai, ou aquele que me gerou, desencarnou. Como era de se esperar, foi um desencarne muito perturbado. Ele não aceitou a morte, e sua aura já era inteiramente preta. Saiu apenas recentemente do umbral e o que posso dizer é que arrependimento sincero pode curar as pessoas se elas desejarem. Mas adianto que ele reencarnará em outro planeta porque aquela encarnação ele desperdiçou, ou não soube aproveitar tanto quanto deveria, e agora cabe melhorar em circunstâncias mais difíceis. 

Sh'la se responsabilizou pela minha educação. Em meio ao caos que os escravizados se elevaram contra seus senhores, ela preocupou-se em levar-me o mais longe disso tudo. Através de contatos, conseguiu se estabelecer no interior da capital. Lá, fui criado conforme a fé nos deuses (orixás) antigos, também aceitando os novos. Aprendi sobre magia, escutei histórias que minha mãe surpreendentemente soube guardar em sua memória (embora deva ressaltar que seus guias espirituais a tenham auxiliado neste processo). 

'Osún está conosco', ela me contou uma vez. Possuía a vidência. 'Vejo-a sempre, envolta em uma forte luz amarela.'

'E ye'san'babá?' Questionei, referindo-me à Yemanjá. 

Minha mãe, de sorriso fácil e olhos castanhos claros, me fitou amorosamente. Seu cabelo havia crescido, mas ela o escondia sob uma turbante, não sei por que. 

'Ela o acompanha, meu filho.' E, assim, ela me contava os mitos divinos e eu ouvia com muito deleite.

À época, não falava francês ou espanhol, mas a língua materna de minha mãe. Nossos companheiros, irmãos, vieram de Serra Leoa também e, juntos, praticávamos o antigo dialeto. Por um tempo, estava tudo em paz. Sh'la superou seus traumas passados e casou-se com J'olo. Foi uma união feliz. Mas eu crescia, e velhos hábitos não são facilmente sepultados.

'O que há para lá na capital?' perguntei. Já contava vinte verões, era alto, de pele doce-de-leite e olhos verdes. Gostava de manter a cabeça raspada e usava roupas largas. Não raro, era visto descalço e, de vez em quando, envolto em joias. 

'Franceses', ela respondeu e eu detectei o desprezo em sua voz. 'Por que a pergunta, filho?'

Dei de ombros, mas não consegui enganá-la. Um arquear de sobrancelhas e eu disse:

'Queria conhecer lá. Não pode ser tão ruim.'

'Você não conheceu a ruindade dos franceses', disse-me ela, simplesmente. 'Poupei-o disso depois da revolução.'

Algo dentro de mim não gostou da resposta.

'E o que a revolução nos trouxe de bom?'

Sh'la me encarou. Seu sorriso maternal agora era um resquício do que havia sido.

'Liberdade, Josué. Não percebe?'

'E o que a liberdade tem de tão valoroso, mãe?' Retruquei, sem medir as palavras. Tolo, eu era. 'O tédio predomina e só conhecemos a pobreza.'.

O lábio inferior de minha mãe tremeu, e eu percebi, tarde demais, que havia faltado com o respeito. Ela logo me deu um tapa no rosto. Merecido, reconheci.

'Como ousa? Tantos de nossos irmãos não possuem teto, sequer há o que comer! Deveria ser mais grato! Não lhe dei a vida para ser tão mesquinho!'

Eu queria discutir, era uma ânsia de ter a razão e prevalecer cujas origens desconhecia. Mas seu rosto permanecia alerta e bravo, e assim dominei meus instintos bárbaros... porque ela era minha mãe. E sua autoridade eu deveria prezar.

'Perdão', disse eu, sem saber se estava sendo sincero de fato.

Mas ela tomou minha mão na dela e me levou para o lado de fora. Nossa casa era simples, de madeira, e não havia quase nada lá. No entanto, ao sairmos dela, estávamos em constante contato com a natureza. E isso nos bastava.

'Eu por muito tempo me infligi a cegueira', Sh'la me contou, me levando para um passeio pelos "jardins". 'Tive muita paciência para tudo o que aguentei, embora meus pensamentos, às vezes, me levassem a imaginar situações onde eu não existiria mais. Sim, sofri e não nego, nem pretendo me apegar a esta vida que, hoje em dia, me é tão estranha. Pensei que, poupando-o disso tudo, estaria o salvando. Mas o tempo todo eu me acostumei com isso. Com o amor, com a vida doméstica. Não tive pai, nem mãe, não conheci o amor. Fui um objeto, um nada por muito tempo. Que Osa'l'a me perdoe, mas guardei ressentimento deste povo que deseja ardentemente conhecer. Não consigo conceber isso, filho. Sou falha como ser humano, mas...Não entendo isso. Talvez eu não tenha sido mãe adequada...'

Seu relato me tocou profundamente e, arrependido verdadeiramente do que passava comigo, a abracei. Ouvi-a prantear, soluçar e pôr para fora a dor que por longos anos aprendeu a conviver, a esconder, a conceder. Fechei os olhos e fiz uma prece sincera ao Grande Pai para que isso tudo melhorasse. Mas demoraria ainda antes que isso acontecesse.

Para agradá-la, naquele mesmo dia juntei os irmãos, nossa família, à fogueira. João foi o responsável por tocar o atabaque. E incitei-o a fazê-lo enquanto cantava louvores em alto ao bom som. Sempre gostei de dançar e quando me apresentei à mãe, chorei porque ela sorria. Reconectamo-nos e tudo parecia bem outra vez. Venci os instintos de outrora.

A felicidade terrena, porém, não dura para os errantes e isso era o que havia sido, portanto, ainda precisava pagar pelo mal que fiz. Não gosto de me demorar nesta questão, portanto, serei breve: houve um massacre. Os franceses desejavam subjugar-nos todos outra vez. Aquela noite foi memorável, mas igualmente triste. Minha mãe, pobre alma, desencarnou prontamente, mas sem sentir a dor da bala trespassando a carne. Mais tarde, no plano espiritual, ela me reencontraria com alegrias no rosto e disse que aquela vivência, por difícil que houvesse sido, foi significativa porque sua última batalha contra os resquícios passados fora vencida. Desde então, Sh'la não precisou encarnar mais. Atualmente, encontra-se encarnada em Júpiter, em sua missão designada pelo Alto. O mesmo se possa dizer de seu esposo, quem pouco mencionei aqui, mas por não ver necessidade disso. 

Embora nascido em liberdade, quão irônico seria admitir tê-la deixado escapar por meus dedos! Fui levado escravo para o centro. Dali, ouvi dizer, pretendiam enviar-me para o Caribe ou, por que não, de volta à França. Ainda que repudiasse meu pai de nascença, algo em sua ancestralidade europeia me chamava a atenção. Desejava retomar o poder perdido há tantas encarnações. Contudo, não era para ser assim: e eu aprenderia a ser humilde da pior maneira.

Passei cinco anos em uma prisão qualquer. Confesso que nos primeiros meses, desejava vingança. Mas não seria assim que a banda tocaria. Vivi com remorso, por ter desprezado os ensinamentos de minha mãe. Toda a noite, ela me visitava, acompanhada de Osún, e eu pranteava em dor. Ainda me recordo das palavras da deusa:

'Desejeis o que não possuístes, e agora quereis possuir o que perdestes. O mundo não é um brinquedo com o qual podeis manipular à vossa vontade. O tempo não se curva ao vosso poder, que, digo, não lhe pertence mais. Pretendeis persistir no erro, Joseph? Desonrarás a memória da mãe que vos amou e cuidou a despeito de tudo para alimentar a vaidade que um dia vos cegou?'

Dali em diante, substituí os pensamentos de vingança por preces. Foram anos complicados, de fato. Sequer bebia algo, comia o que tinha, e os que me vigiavam--companheiros de minha própria cor, vejam só!--... bem, eu dependia de sua vontade. Um dia, porém, a cela se abriu. Um francês da mesma pele que eu me fitou e falou, em língua que pude entender:

'Você. Como chama?'

'Joseph', falei. 

'Filho de...' ele citou o nome do meu pai. Eu confirmei. 'Ilegítimo, uh? Mas, serve. Levante-se e venha. O coronel deseja vê-lo.'

Aquele era um homem caucasiano de faces rosadas e olhos cansados. Experiente em batalhas, agora servia a alguém chamado Napoleão. 

'O imperador precisa de soldados', ele me disse. 'Sabe lutar?'

Não pensei duas vezes. 'Sim.' 

O velho me fitou com desconfiança, mas enxergou o desespero pela liberdade. Deu de ombros e disse:

'Que seja. Será enviado à Nápoles para servir a rainha e em seguida partirá à Paris.'

Hesitei. Embora uma parte de mim celebrasse aquele retorno, eu pressentia que algo ruim vinha como se fizesse um pacto com o diabo.

'Pretende permanecer aqui?' 

'Não, senhor.'

'Então, vá.'

Com isso, me despedi. Naquele dia, fiz amizade com Hughes, também bastardo de algum senhor de terras com uma ex-escrava. Seu cabelo era crespo, mas ao contrário de mim sua pele era mais escura. Usava com pompa o uniforme militar francês. 

'Sei que não sabe nada de guerras', ele me disse, me entregando uma pistola e uma espada. 'Deve saber manusear os dois se pretende sair ileso dos conflitos que iremos enfrentar.'

Tomei os objetos em minhas mãos, mas o encarei com desconfiança.

'Por que quer me ajudar?'

'Simpatizei-me com você', ele respondeu, friamente. 'Além do que, não me parece que gostava de sua situação ali.'

Era estranho ser livre outra vez, embora pensasse que agora servia a um senhor mais poderoso: o imperador da França. Apesar da pompa que isso pudesse soar, eu me sentia cada vez mais inclinado para a vida religiosa. No decorrer daquele ano, fui educado para o catolicismo, e ainda que não esquecesse os deuses de minha mãe, via-me ainda mais inclinado a adotar os ensinamentos de Cristo. Não raro, apercebia-me confuso. Quem deveria adorar? A quem deveria rezar? Por conveniência, tornei-me cristão, mas a cada noite, minhas preces seguiam a um panteão que eu criei para todos que eu insistia adorar sem excluir um ou outro.

Na realidade, não cheguei a conhecer a rainha de Nápoles. Sequer pus meus pés perto do palácio onde as marionetes de Napoleão governavam (ou assim pensavam) uma das regiões mais ricas e belas da Itália. Foi um ensinamento, portanto: quanto mais perto a vida me levava à realeza, mais dura era a queda. Sofri preconceito de cor pelos colegas militares e, como resultado, me envolvi em brigas. A belicosidade ainda estava muito fixa em mim. 

Durante a estadia na região napolesa, aprendi a beber com os poucos amigos que fiz. Hughes era um deles. Aprendi canções vulgares sobre mulheres, mas nada me queimava a alma como a vodka. Ou o vinho. Quem sabe também o conhaque. Bebidas onde exorcizava meus demônios interiores. Um dia, o padre que acompanhava o exército sentou-se ao meu lado numa espécie de bar e disse:

'O que te passa, homem, para murmurar amargamente a cada gole de bebida?'

Dei de ombros. 'Por que te interessa saber, padre?'

Apesar da minha grosseria, o homem da Igreja em sua batina sorriu para mim:

'Porque é também filho de Cristo e eu quero ajudá-lo.'

Encarei-o, mas não vi nada de impuro em suas palavras ou no semblante. Seu rosto era fino, possuía poucos cabelos em torno da cabeça e em seus olhos acinzentados havia uma infantilidade que jamais vi em outro homem. Seu nariz era longo, possivelmente característica de quem descendia de judeus, italianos, gregos ou aos três. Não havia barba que cobrisse os lábios ou parte das faces, e sua magreza indicava que praticava o jejum com frequência. Ali estava um espírito puro diante de mim.

'Não mereço ajuda de ninguém', eu falei, e percebi que a verdade estava solta em minha língua. O sabor do conhaque tinha esse efeito, percebi com desgosto. 'Muito menos de Cristo. O que Ele fez por mim ou por você? Morreu na cruz, vai me dizer, e para quê? Continuamos pecando.'

O padre ignorou minhas provocações.

'Por que é tão duro consigo mesmo? A autopiedade não lhe faz bem, meu caro rapaz. E transferir o que quer que sinta para Cristo, Nosso Senhor, tampouco apaziguará a tempestade que o atormenta.'

Sentia-me irritado, mas, antes que pudesse me controlar, falei:

'Eu poderia ter tido uma vida boa, mas Deus não quis assim'.

'Deus? Ou você?'

Engoli em seco. Que língua afiada, eu pensei com raiva. Mas não respondi, e o padre se viu no direito de prosseguir:

'Nós temos o péssimo hábito de atribuir nossos erros, defeitos, ou mesmo atos ruins que cometemos à Deus. Achamos que Ele nos castiga ao permitir que determinadas atrocidades caem sobre nós. Quando não O culpamos, fazemos isso com o diabo. Mas eu lhe pergunto: se Deus e o diabo nos fazem de marionete, o que somos nós? Onde está a consciência que Lutero um dia pregou? Ou o perdão que Erasmo salientou? Deus não é Pai, não é amor e divino? Por que concedemos a Ele nossas faltas? Os santos erraram também, mas a cada erro, subiram em vida porque lhes foi ensinado o perdão. O amor. Deus.'

Quando ele percebeu que eu não bebia e, ao contrário, o ouvia atentamente, o padre continuou alegremente:

'Muitos se esquecem do livre arbítrio, meu caro. O caminho que vamos trilhar depende somente de nós. Dificuldades existirão, é claro. Cristo sabia disso quando ceou pela última vez. Ele reconhecia a traição de Judas antes mesmo deste ter pensado em articular tamanho perjúrio. O perdão a tudo isso prevaleceu. Precisa se perdoar pelo passado e seguir em frente.'

Quando me dei conta, me ouvi confessando:

'Não tive escolha. Não queria me tornar um soldado que se afunda na bebida, padre. Não era o que pretendia.'

'E o que você propunha-se a fazer?

Hesitei, mas falei antes que pudesse controlar:

'Seguir uma vida mais tranquila. Mas minha família foi tirada de mim e eu não consegui defendê-los.'

'Compreendo', e ele de fato compreendia. 'Entrou na vida militar para vingar-se, não é mesmo? Se não dos que causaram infelicidade a sua família, mas a si mesmo por ter falhado em proteger os que amou. Não precisa seguir na violência, meu caro, não mais.'

Eu ri. O padre sorriu, e eu fiquei zangado porque ele não se sentiu ofendido. Por outro lado, o que eu pretendia com aquilo tudo?

'Estou perdido', admiti, sem orgulho algum. 

'E não há nada de errado em estar, filho. Mas Deus me pôs em seu caminho, e nem tudo está perdido. Na verdade, nós nos encontramos.' E com um sorriso que se alargava nos lábios, ele se levantou e me ofereceu o braço. 

'O que...'

'A taverna, a prostituição barata... Não merece isso', ele disse tão bondosamente que eu comecei a chorar. 'Ah, venha, filho. Vamos à casa de Deus. Ele os chama'.

E foi ali que minha vida mudou. 
*                                                                            *                                                                    *

Mais dez anos eu passei em serviço, desta vez em um mais pacífico. Rio só de recordar, porque é curioso como um rapaz perdido, ex-escravo (de certa maneira), ex-prisioneiro, tornou-se um soldado qualquer e... adotou o celibato. Oh, sim! Percebo que em vocês, leitores, há um riso fácil. Não os julgo, é engraçado pensar um militar sério e que combateu em algumas guerras aqui e acolá tão abruptamente devoto a Deus, pacificamente.

Padre Mattio me levou à ordem franciscana em Pádua, e lá permaneci até meus trinta e cinco anos de idade. Não foram anos fáceis, ao contrário do que possam supor. Sofri com a abstinência do álcool, arranjei brigas, uma nova rotina foi desafiadora para mim e os noviços que tinham a missão de me educar para Cristo. Não raro, era comparado à Paulo, o Apóstolo, por compartilharmos temperamentos complicados. Contudo, o padre franciscano foi o meu principal mentor naquela vida terrena e com muita paciência impediu que fosse expulso de lá. Ele levava a simplicidade e o voto de pobreza de São Francisco à sério. 

'Ele ensinava bastante sobre o desapego ao material', ensinou-me o padre italiano em um desses dias em que conversávamos. 'Seu voto de pobreza não se tratava apenas de despir-se do ouro que cobria suas vestes e ignorar o passado mundano. Não era ser miserável e pedir esmola que ele tanto falava. Mas ser humilde. Reconhecer os erros, pedir desculpas mesmo que pelo outro. Lavar os pés daqueles que nele pisavam. Hoje em dia, penso que não devemos aceitar cegamente as humilhações impostas, mas antes de questioná-las, pensamos: sou merecedor da paz que busco?'

Contemplando aquelas palavras, eu me ouvi dizer:

'Por que Deus permite a riqueza, padre?'

O padre me sorriu. Faltavam-lhe alguns dentes naquela época, mas não lhe pareciam fazer falta.

'Para que os ricos sejam humildes e aprendam a compartilhar o que lhes foi concedido', disse ele com sabedoria. 'Da mesma maneira que permite a pobreza, para que o homem seja obstinado. E humilde. A caridade deveria ser praticada por ambos neste sentido, mas o orgulho, como conhece bem, corrompe o melhor dos sujeitos, temo dizer.'

A isto, nada disse, e em silêncio ficamos até que eu disse:

'O livre arbítrio, não é? Fazemos mau uso dele, sem pensar nas consequências.'

'Parece que aprendeu.' Ele aprovou, mas eu não tinha tanta certeza disso. 'Para tudo nesta vida, meu caro Joseph, há resultados com os quais devemos arcar. A impulsividade pertence ao animal, e nós somos racionais. Possuímos cérebro e deveríamos fazer bom uso dele.'

Sorri quanto a isso. Minha mãe gostaria daquele sujeito, pensei.

'É possível melhorar, padre?'

Como se estivesse aguardando aquela pergunta e já houvesse uma resposta para ela, assim me foi dito:

'Santo Agostinho foi um libertino antes que as preces de sua mãe, Santa Mônica, o houvessem definitivamente convertido à luz do Senhor. E ele é um santo, veja bem.'

Meu sorriso se estendeu em meus lábios e o padre pareceu aprovar a linha de raciocínio que se formava em minha mente.

'Faça bom proveito do livre-arbítrio, meu filho, e a fortuna o acompanhará.'

Até os trinta e cinco anos, aqueles conselhos me serviram bem. Na verdade, eu gostei bastante de ter me tornado não um padre, na realidade, mas um frade franciscano. Apreciava pregar e, continuamente, me esforçar em praticar aquilo que dizia. Testemunhei práticas de corrupção, e não hesitava em denunciá-las. Mas só era tolerado porque o padre vivia e ninguém contestaria a santidade daquele homem. Entretanto, no momento em que ele deu seu último suspiro, o céu fechou as portas para mim e o inferno parecia se anunciar a qualquer instante.
*                                                                             *                                                                              *
O que é a história de um homem sem o amor, não é mesmo? Durante aquela existência, conheci diferentes tipos de amor: o maternal, paternal, fraternal e mesmo espiritual. Todavia, me havia poupado do carnal. Apesar de ter tido uma juventude libertina e passada complicadamente nos campos de batalha, minha companheira constante não era a cama aquecida de uma mulher, mas a bebida. Entrementes, uma vez feitos os votos franciscanos, esforcei-me cotidianamente para superar esse vício. Como falei, não foi fácil viver uma vida acética e moral. Apesar do auxílio e da educação recebida pelo padre Mattio, ali foi tão turbulento quanto na prisão ou ao lado dos companheiros de batalha.

Na maturidade, porém, sucessivamente dominei estes resquícios passados e subjuguei a tristeza. Encontrei consolo nas preces e até felicidade no que fazia. Ser frade não era mais um pesar, um refúgio, mas uma alegria. Estava contente, mas o grande teste viria na pessoa de uma mulher que me acompanha há muito tempo (se vocês compreendem o que quero dizer). 

Joana era uma camponesa italiana que sentia uma grande afinidade com os ideais de Francisco de Assis e Antônio de Pádua. Embora não possuísse dinheiro, o que detinha consigo ela oferecia ao monastério o que possuía. Como era apadrinhada pelo padre Mattio, seus esforços eram bem recebidos. Ouvia dele sempre elogios daquela moça simples, de cabelos dourados como o sol e faces rosadas. Mattio falava dela com admiração e não raro sugeria uma vida de monastério para ela. Mas Joana recusava. Dizia que, por maior que fosse seu amor por Deus e pelos santos que inspiravam nela a mais sincera devoção, não deveria negligenciar seu dever para com os pais, que ansiavam em casá-la bem.

Quando Mattio adoeceu, foi Joana quem veio lhe auxiliar na cura. Sua aptidão (na verdade, mediunidade) era admirável e mesmo os padres que reprovavam tal gesto, eram forçados a admitir a expressão da divindade ali. Apesar disso, era hora do desencarne daquele que, na verdade, um dia fora o companheiro do próprio Santo Antônio. Coincidência ou não, no dia 12 de junho, ele se fora. 

Inocente que era, Joana, de bom e puro coração, pranteou a perda de seu padrinho e eu, embora embasbacado por ter notado sua beleza juvenil, procurei consolá-la. A sensação era de que sua luz iluminava meu caminho e um tolo poderia ter sido cegado, mas não eu. Lutei contra minhas trevas interiores para que pudesse desfrutar de seu sol.

'Minha senhora', eu falei, 'deve deixar que os frades tomem conta agora. O corpo há de ser velado e apropriadamente enterrado.'

Mas ela estava inconsolável. 'Eu... Eu tentei!'

Um homenzinho de má fé aproveitou-se da situação e, tendo deliberadamente ouvido mal o que ela falou, exclamou:

'Uma bruxa não poderia ser capaz de grandes feitos, não é mesmo? Deus o salvou de você!'

Pobre Joana soluçou e caiu de joelhos. Quanto a mim, não dei ouvidos à boa razão e dei um soco na fuça daquele falso franciscano. Os outros presentes correram em seu socorro, é claro, e não demoraram a me acusar de auxílio à heresia. 

'Recordo-me de Joana d'Arc', ousei dizer, já versado nas histórias bíblicas, embora a dama em questão não houvesse sido canonizada ainda. 'Ela foi queimada pela própria Igreja por ter recebido visões de santas respeitáveis. Pergunto-me se não invejam o favoritismo que Deus concedeu a esta jovem na tentativa de curar nosso amado e finado padre, já que estão perdidos numa soberba que os conduzirá a cometer o mesmo erro de outrora?'

Rosnei protetivamente e, por ora, aqueles cães falsos se afastaram. Não é de surpreender que houvessem se ofendido com o que falei, afinal, eram reencarnações dos que julgaram e condenaram a santa em questão. Mas, enfim, prossigamos.

Depois desta confusão, conduzi a dama Joana para os jardins do monastério e ali a consolei apropriadamente. Uma vez dominada sua tristeza, ela me encarou e sorriu:

'Obrigada por ter sido tão gentil comigo. Ajudou-me mais do que pensa imaginar. Não merecia esta comparação com a formidável Joana, a donzela, de quem recebi o nome'. E ela corou. 'Mas agradeço, senhor.'

Sorri e foi neste momento que, sob os raios de um sol escaldante, eu percebi a natureza dos meus sentimentos. Mas fui sábio em mantê-los sob o controle, não somente por desconhecer a reciprocidade da parte de Joana, e sim pelo voto que fiz quando me juntei à ordem franciscana. No entanto, o conflito dava-se início e eu a amava.

'Sua humildade é muito inspiradora', eu disse, e era verdade. Repensava minhas ações e sentia vergonha do meu passado, mas, assim como Santo Agostinho, desejava melhorar. Contudo, sendo Joana o objeto de minhas afeições, pretendia fazê-lo por ela acima de tudo. E, no entanto, pairava a pergunta: eu seria merecedor do amor daquela jovem? Repreendi-me mentalmente por tais pensamentos e prossegui, como se nada acontecesse. 'Rezarei pela senhora e pela alma de nosso finado amigo, padre Mattio. Não carregue aflições desnecessárias, eu peço, dama.'

Joana me sorriu e era como se Deus houvesse permitido contemplar o caminho da luz. Senti-me emocionado e ela percebeu, pois disse:

'O que houve? O que o aflige, meu caro frade?'

'Nada', menti. 'Apenas estou agradecido por tê-la aqui, senhora. São tempos difíceis, mas penso que sobreviveremos a isso'.

Eu não sabia que aquilo seria outra mentira. Nápoles, em breve, seria novamente invadida pelas forças napoleônicas, e seus monarcas seriam depostos. Prenúncios de uma guerra e, com ela, doenças, pairavam ameaçadoramente no ar. 

Apesar disso, fazia questão de auxiliar dona Joana enquanto pude. Por mais intolerável que fosse ouvir picuinhas de alguns colegas, perseverava no exercício da paciência. Vê-la alegrava meus dias e a paz era como o alimento para meu espírito sempre que nos juntávamos para rezar na capela. No entanto, nem mesmo seus pais aprovavam a constante companhia que fazia a ela. E um dia, sua mãe, dona Sophia, veio a mim dizer:

'Ora, frade, tenho certeza que outras pessoas precisam de sua ocupação.'

A leve repreensão à negligência de meus deveres causou-me rubor e eu não consegui sustentar o olhar. Nesta época, era um tolo de quase quarenta anos. Provavelmente não possuía certa maturidade para conduzir determinados assuntos, mas penso que poderia ter sido pior. Fiz o que pude, digo. 

'O que a senhora quer dizer? O padre Mattio permitiu que ocupasse a posição que ele vagaria assim que morresse', falei, sem medir palavras como de costume.

Dona Sophia me encarou com seus olhos azuis. Fora bela na juventude, mas agora a velhice havia lhe alcançado, deixando-a igualmente temperamental e sem paciência para lidar com a vida que tinha. Resquício de um espírito orgulhoso que não aceitou sua encarnação.

'Sim, mas...' ela hesitou. 'Ela não pode seguir uma vida monástica, senhor. Chamou a atenção do irmão de um nobre e o casamento será bom para nós.'

Senti um aperto no coração e uma tristeza que fazia tempos não sentir. A raiva pulsava em mim, motivada pelos ciúmes. No entanto, eu mesmo me recordava do voto que havia feito. Lembrava dos sacrifícios de que fizera Santo Agostinho quando se convertera para a vida monástica. Embora não cultivasse nenhuma pretensão a algum cargo hierárquico na igreja, tampouco pensava numa vida sem ela. 

'Compreendo', foi o que eu consegui dizer. 'Deixarei-as, portanto. Que Deus as abençoe, senhora.'

E assim, parti. Não pronunciei aquelas palavras com rancor ou raiva, sequer tristeza ou lamento. Desejava mesmo que o Grande Pai as abençoasse, não havia por que nutrir sentimentos ruins. Percebia que a vida me ensinava a despojar-me deles e eu, ansioso por me livrar daquilo que me incomodava, aceitava prontamente.

Mas a partida não seria fácil como gostaria. No dia seguinte, foi Joana quem me procurou em pessoa. Para minha surpresa, e na mesma medida o deleite e a tristeza, descobri que ela retornava meus sentimentos.

'Não permita que eu me case sem amor', ela implorou e isso me causou grande dor. 'Por favor, senhor. Sei que sente o mesmo que eu, não acredito que Deus nos tenha aproximado somente para causar uma ruptura tão... tão... drástica.'

Estávamos nos jardins, mais precisamente em uma capela que havia por ali, onde ninguém nos incomodaria. Como testemunha, Nossa Senhora nos observava de seu altar. E, claro, acompanhava-na São Francisco, suas imagens belamente talhadas (ainda que não fizessem justiça a quem haviam sido em vida, de fato).

'O que está me dizendo, minha senhora?' eu me ouvi balbuciar, como um tolo.

'Que eu o amo', ela professou seus sentimentos intensamente, seus olhos que refletiam a cor dos céus me miravam com tanto ardor que fê-me ruborizar. 'E peço aqui e agora que quebre seus votos para desposar-me. Tenho certeza de que...'

'Joana.' Eu a interrompi gentilmente e pus um dedo indicador sobre seus lábios macios e doces que, para minha consternação, não viria a senti-los. Minha garganta secou e se a morte me levasse naquele instante, abraçaria-a de bom grado a ter de enfrentar tal dissabor. 'Não posso permitir que faça isso, como me recuso a quebrar os votos. O matrimônio é santo perante os olhos do Senhor, e embora concorde que deva ser feito por amor, eu não posso voltar atrás ao que fui.'

Seus olhos enchiam-se de lágrimas e senti o lábio inferior tremer. O reflexo da dor que eu sentia, diante de mim. Mas precisava ser firme em minha decisão, por maior que fosse o remorso que aquilo me causaria. Negava uma oportunidade de grande felicidade para viver uma vida acética, guardando apenas uma vaga intuição de que deveria me limpar dos pecados, desconhecendo-os que fossem, porém.

'Perdoe-me. Sabe que eu a amo e sempre a amarei, nada me agradaria mais do que acordar todas as manhãs ao seu lado, mas...' e eu limpei a garganta, rezando para encontrar forças. 'mas não posso. Sinto muito.'

Joana, que sempre fora tão comedida e subserviente, religiosa e bondosa, permitiu que a intensidade com a qual vinha domando durante todo este tempo, tomasse conta de si. Fez o impensável e jogou seus braços ao redor do meu pescoço e envolveu-me em um abraço tão... tenro, tão gentil, que eu temi perder minha vitalidade naquele instante. 

'Eu jamais o esquecerei', ela jurou. 'Volte a mim, um dia. Esperarei por você.'

Um único beijo e nos separamos. Foi a última vez que a veria em vida.
*                                                                                *                                                                      *
Por cinco anos, fiz um voto de silêncio. Expulso da ordem que, infelizmente, havia sido corrompida pelos valores materiais, decidi caminhar à pé pelo interior da península itálica. A fim de me purificar dos pecados da carne e de me libertar de toda a dor que tais me impuseram no espírito, segui em peregrinação, rumo à Roma. 

Ainda que me recusasse a falar, havia outras formas de comunicação e nesse sentido, interagi com outras pessoas. Aperfeiçoei-me na arte da cura, e foi quando me recordei de minhas origens. Ex-escravo. Ex-prisioneiro. Quase um monge? Quem diria! Outrora um bêbado, aos poucos me voltava para a fé em Cristo na mais pura essência. 

Todavia, quando soube, de alguma maneira, que Joana havia morrido dando à luz a um menino que recebeu meu nome, meu coração se partiu irremediavelmente. E não soube suportar mais viver seja em Roma, seja em qualquer outro lugar. Mudei-me, portanto, para onde tudo começou: Serra Leoa. E lá, tudo foi voltando... 

Recordo-me de ter visto Osún no rio e ouvir dela:

'O que pensais depois de tudo o que vivestes, caro Joseph?'

Com um suspiro, encarei aquela bela mulher negra envolta em túnicas douradas e respondi:

'A liberdade não é nada sem o amor, minha senhora. O livre arbítrio é insignificante sem a fé.'

E sem esperar uma resposta, chorei. O único som na natureza, além do rio que corria tranquilamente, era de minhas lágrimas. Osún se aproximou de mim e, mais suavemente, disse:

'Aprendeis o que tinha de aprender. Por triste que tenha sido a jornada até aqui, carregais a cruz adequadamente. O Grande Pai conhece vosso coração. Não vos prenda à tristeza porquanto a eternidade o aguarda de braços abertos. Liberte-vos de vossa infelicidade, meu amigo. Está na hora.'

Com serenidade, cessei o choro. Acompanhei Osún ao rio e ali mesmo desencarnei. Foi como dormir, um sono curativo do qual despertei-me com alívio ao chegar ao outro lado. Minha mãe e minha amada Joana receberam de braços abertos. E, como minha mentora havia instruído, finalmente fui recompensado com a alegria infinita.

Fim."

Nota do espírito Zé: meus sinceros agradecimentos à médium por ter transcrito esta memória para os leitores que se dispuserem a tirar um ensinamento desta minha vivência. Aprendi tanto que, com a permissão divina, pretendia compartilhar o conhecimento adquirido naquela encarnação. Atualmente, sigo atuando tanto na linha kardecista quanto na umbandista, e creio que os mais atentos poderão constatar isso com mais "facilidade". Independentemente da linha espiritual atuante na Terra, é meu dever trabalhar junto aos que precisam, afinal, a caridade não cessa no desencarne: ao contrário, é reforçada. Por este motivo, recusei outras oportunidades de encarnar não somente aqui como em Marte ou Júpiter, ou mesmo em outra dimensão, porque creio ser mais útil no auxílio dos que precisam. Ainda preciso melhorar muito e é por isso que prossigo neste trabalho através da espiritualidade, sendo um mensageiro da paz, da caridade, e, claro, do amor como Cristo nos uniu. Mais uma vez agradeço, e para os que precisarem, pela prece atenderei.  
Com carinho, 
Zé Pelintra.

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