sábado, 24 de dezembro de 2022

Ciclo de Poemas XI: "Desencanto" pelo Espírito Édouard

"Nas noites estreladas

Entre minhas caminhadas

Conforme me esclareci

Vi o quanto de Cristo não conheci

 

Nas instituições humanas

Há boa vontade, mas também engana

Pelas palavras honestas

Quem desencanta?

 

Muita condenação se fez e se faz

Em paredes, em muros

Entre cegos e surdos

Esqueceram que somente o amor a Deus apraz

 

Sem julgamento

Sem distinção de pensamento

Olhai ao presente momento

Em que há tantos tormentos

 

De passados distantes e distintos

Quantas vezes nosso destino não oprimimos?

E agora ficamos discutindo

Sempre na disputa da razão, nunca refletindo.

 

E agora na aurora

Vamos, minha amiga, logo embora

Do pretérito, das instituições

Que ninguém rememora

Daquilo que fomos outrora

No espaço, antes da matéria convidar

A regressar

Lá fiquei a contemplar

Erros aqui e acolá, senti o gosto pelo novo despontar

Mas, confesso, receio voltar

 

Para onde vão os ensinamentos

Modificados, questionados, erradicados?

Oh, roça urbana!

Como ladrais aqueles que não te enganas!

 

Oh, quantas pérfidas lamentações

Das que a mim pela pena condenaram

E a ti lastimaram

Em pergaminhos que poucos encontraram

 

Não fizestes janela nas moradas dos homens

Mas eu me equivoquei em fazê-lo.

Custou um ou dois séculos para aprender

Que não fiz valer

O ensinamento de Lutero que deveria minh’alma enriquecer.

 

Nas más interpretações sobre o amor

Ao outro causamos dor

Pergunto a ti onde está teu valor

Se não perto do Senhor

 

Neste posto da vida, minha cara

Vejo tua liberdade

Em anseio, receio à disparidade

Que dentre os teus faltará

A sentimentalidade, que a muitos não há

Independente da idade.

 

Este desencanto é natural

Igrejas e centros disputam o ego no lamaçal

A verdade que nada mais é

Que ame, mesmo que seja tarde

 

Perdoes, sejas livre

Ame, não fiques triste.

A vida é curta

Saibas escolher tua luta.

 

O jugo no Senhor é leve

Recordas disto

Se quiseres elevar tua consciência ao Paraíso

Sedes sempre ao outro o riso

Este é meu aviso

Amigo de longa data que está sempre contigo.”

Ciclos de Poemas X: Lamento da Rainha pelo Espírito Édouard

 "Aquela que foi

E não volverá

Aquela que ontem

Vim a amar

Aquela cuja coroa

Fiz sangrar

 

Aonde foi-te, oh rainha?

Sem terras, por onde caminhas?

Espírito de escol

Sob silêncio, ao sofrimento vinhas

Para rica ser ao Senhor

Que nunca te faltou com amor

 

Nos castelos de pedra

Em torres, tão bela

Contaste ao Senhor, agora o que era?

De joelhos ao cadafalso

Entrego-te Senhor, meu espírito, em tuas mãos

Preparada para novo percalço

 

E agora, onde estás?

Procuro, te busco

Mas agora eu fujo

Como ontem, em pecados sujo.

 

Aonde te vi

Coragem contemplei

Ânimo, minha querida

Se ontem te amei

Não pude ter contigo, bem sei que errei

Mas agora é a hora

De em ti confiar

 

Sei que és capaz de voar

E não ao castelo despedaçado regressar

Em meio às nuvens de tempestade

Deves avançar

Não desistas do caminho de pés descalços trilhar

 

Lembrai de ontem

Quando a tua vontade te elevou

Rompendo com a falsidade do templo contra o qual protestou

Sigas em frente agora e sempre

O mais difícil passaste

Quando por ruas de sangue atravessaste.

 

Nas lutas há méritos

Nas lágrimas há superação do pretérito

A cada canto se não vigiar

Há infelizes desejos de tua caminhada roubar

 

Como de outrora

Quando viestes protestar

E sentistes a coragem o peito sufocar

Para cima ai de olhar

E o socorro dos Céus aguardar

 

Não há razão para te envergonhar

Nem de lamentar

Na luta interna

Persevera para que te encontres a tua quimera

 

Se ontem o pranto contou

E hoje o socorro prestou

Não te lamentes, rainha

É hora de seguires lá na frente

Com que cercas boa gente

 

Se pela lei dos homens sofreste injustiça

Pela de Deus foste do pecado redimida

Deixa para o pretérito

O que move tua alma à procura de inquérito

 

A coroa é de espinhos

Nada significou

Para a gente que aqui ficou

Quando da carne te libertou

 

Que teu coração retumba ao som da saudade

É sabido, no entanto, que o que te confortas é a verdade

Vedes como é a liberdade

Teu caminho não é mais dos que jogaram

Com a tua vaidade

 

Da alma a imortalidade

Ameniza a dor

Recomeça teus passos à base do amor

E aos outros levarás a verdade

Para libertá-los da matéria a falsidade

E agora como de costume despeço

Mas, Vossa Graça, ânimo peço.

Arranque as velhas correntes

Expurgue do coração o velho descrente

Para a cruz que teus ombros pesar

Lembrai de Jesus, o mestre que vai-te sempre amar.

 

Adeus, a Deus

Te rogo

Rainha de poucos dias, por ti te advogo

Nada tema, nada tema

Não te endureças

Não deixas que os outros te empurrem para a tristeza

 

A cada vida, alegria!

Ânimo, ânimo

Coragem e fé, sorria

Que a cada novo dia

Recai sobre ti a luz

Que dos céus irradia.”

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Ciclos de Poemas IX: Sorrir da Alma pelo Espírito Édouard

 “Alegria, alegria!

Sejas o sol a brilhar no céu de cada dia!

Sorria, sorria

Há motivo para feliz ser

 

E eu pergunto a ti, por que

Esperar para crer

Que podeis ser feliz

Nos mínimos detalhes

 

Ânimo, ânimo!

Podeis ser brando

Com teu canto

Desperta de teu âmago

 

O amor, a virtude

Sejas tu a solicitude

Não esperes dos outros atitudes

Em cada passo, buscais a beatitude

 

Coragem, coragem

Fazeis o que pode com aquilo que tem

Credes, fazes o bem

Sem olhares a quem

 

Por que sofrer incessantemente

Quando a cura reside na mente

A fé é o meio da salvação

Não duvides de ti, meu irmão

 

Tudo é possível para aquele que crê

Elevai teu coração e terás olhos para ver

A alegria, podeis também ter

O que esperas para ela obter?

 

Na cruz de cada dia

Levantai o véu alheio, sorria

Ânimo, rogo

Logo, oro

 

Se Jesus também ria

Que impedes tu de fazê-lo também?

Deus não quer o sofrimento de ninguém

 

Alegria, alegria!

Sedes o instrumento da felicidade a cada dia

Sorria, sorria

Como o mestre te sorriu

Quando te podes, verás que a tua flor enfim floriu.

Ciclos de Poemas VIII: Sobre a Vida Feliz pelo Espírito Édouard

 "Ao aluno que aprende

Aquele que se arrepende

Ao irmão que vem do oriente

Recordais

 

Dos ensinamentos que descem do Pai

Caminhais, pois, ao monte, vás!

Na busca pela eterna paz

Nada mais satisfaz

 

Diante da puerilidade da vida

Com qual frequência a doçura não é esquecida

Como inocente alma ainda adormecida

É hora de te colocares em ação

 

Eis o momento de alimentares teu irmão

Com o pão

Revivido

Afastas-te do circo

 

É hora de ser elucidativo

Carregas adiante o peso de ontem

Todo aquele que deseja se abster de si

Senhor, convidai-lo a sorrir

 

É tempo de vir

De servir

De não descansar

Até que de ontem venha teu passado descansar

 

Sublime és teu coração

Joio do trigo, soubestes separar-te então

Na conduta da espiritualidade

Liberta-te, oh Verdade!

 

Hoje serei breve

Pois o tempo me rege

Devo antes regressar

Amiga, como sempre por ti hei velar!

 

Não deixais que as atribulações de agora

Ceguem-te para o verdadeiro ensino desta escola

Não te foges àquilo que te fostes roubado outrora

Avante, avante, irás-te embora!

 

Fé, pequenina

Grande é no Senhor

Aquele que em tudo coloca genuíno amor.”

Ciclo de Poemas VII: O Caminho da Fé pelo Espírito Édouard

 "Sonhas com facilidade

Que outrora foste tua realidade

Mas agora é hora

De ir-te embora

 

Causos teus poderia nestas linhas escrever

Por medo, porém, de me arrepender

Devo antes te convencer

De que para em ti crer, não precisas ver

 

Na era do materialismo

Tantos são os que se cercam de pessimismo

Que em verdade

Olham para o pretérito com saudade

 

Se com ouro ou coroa

A tudo se resolvesse

Quão poucos problemas de fé teriam se assim cresse

E te diriam: a vida é boa!

 

No silêncio da ilusão

Vê-se movimentar a sombra da traição

Irmão contra irmão

Quem de vós hei de pedir o perdão?

 

Em meus tempos de vaidade

Acreditei ser dono da verdade

Mandei tantos à marcha

Deus, tendes de mim piedade!

 

Fiz sangrar a terra do estrangeiro

Esquivei-me de promover a paz em seu seio

Valhei-me de títulos e terras

Mergulhei na sombra situada na estratosfera

 

Não portei espada

Nem designei conquistas a partir de coordenadas

Mas permiti usarem meu nome

Para fazerem tantos padecer em minha jornada

 

Soberbo fiz-me crer

Que era meu dever

Santa pátria, Protestante deveria ser!

 

De idade juvenil

Em meu espírito tão pueril

Voltei ao que me foi tirado

Pelo destino, fui injustiçado

 

E agora, estás em paz?

Orei, meu bom Deus, para que assim te apraz

Que, em verdade, jamais

Quis ser

Boneco para tolos, mereci agora receber

Consciência culposa

Às sombras, misericordiosa.

 

Santa e sangrenta

Em toda tua história

Levanta-te, Inglaterra, onde está tua glória?

Do túmulo virão amigos e benditos

Guiar-te-ão ao coração enobrecido

Da tutela divina

De onde tens sede por disciplina

 

Eis aqui teu servo, Senhor!

Não mais do sangue do conquistador

Desprovido de terreno amargor

Em incredulidade minha, fiz-me devedor

 

Deveria ter tentado mais

Impedir discórdias, fazer vale a paz

Boa amiga, escutai-me agora

Não é o momento de te ir embora

 

A coroa nunca pertenceu a nenhum de nós

Perdoai este que te fala, não estivestes sós.

Ai de mim, pecador

Não tão distante, causei tua dor.

 

E agora adiante seguimos

Cada qual com seu próprio destino

Quando fiz-me poeta protestante

Fiz valer minha educação edificante

 

A Fausto recusei companhia

A Karenina, me recolhia

Não de amor nem amizade

Em Wuttemberg quis a veracidade

 

Até à Rússia chegar

Minha amada amiga, na França estiverdes lá

No entendimento maior da fé

Regressastes melhor em teu presente lá

 

Nas campinas verdes, me dediquei

Pelo vergonho pretérito, a lamentar me recusei

Adiante, adiante

Vamos trabalhar! Sabeis tão bem

Quanto eu que não há tempo de murmurar

 

Em verdade, verdade

Camponês vim

Aprender e ensinar

Nas feiras da Costa de Marfim

E é assim que vim ao fim

 

Nas obras do Senhor

Me redimi enfim

Mas é sempre tempo de melhorar

E aprimorar, erros há de remendar

 

Por isto digo-te, minha cara

Aproveite a seara

Não te deixes ao medo sucumbir

Tenhas coragem, não deves desistir

 

É preciso tentar

E a fé fortalecer

Se quiseres a montanha vencer

Agora regresso

Por isto te peço

Não me despeço

De ti te quero

O bem, espero

 

Guardai-me em ti

A memória do dia

Que te fiz rir.”

Ciclo de Poemas VI: A Guerra, pelo Espírito Édouard

"A Guerra

Como um cavalheiro venho

A ti, conselhos tenho

Sobre a causa que te faz franzir o cenho

 

Deixaste esquecer

O fogo esvanecer

Debaixo de correntes

Que te impedem de dizer

A que veio a ter

 

Venho cá esclarecer

Como eu vim me conhecer

Meu passado passei a ler

No que me foi permitido entrever

 

Se nobre fui,

Pobre também

A roda gira para todos,

Melhor ser ninguém

 

Aos olhos do homem

A quem convém

Que eu vá de Troia a Roma

Sem qualquer bem?

 

Não te proves aos outros

Embevecidos

Antes tenha piedade de corações endurecidos

 

Aprendas com o que não foi dito

Sedes fiel ao ensinamento rico

De Cristo Jesus

Prossigas na luz

 

Tendes paciência e misericórdia

Ainda não é a hora

De te esmanecer

Fortaleça Nele que quem verdadeiramente

Te fez nascer

 

Árdua é a vida na Terra

Mas voltar a ela quem me dera

Para te ajudar, melhor fazer de cá

 

Cada um com sua cruz

Assim nasce a luz

Daquele que a conduz

 

Não te faltes fé na vida

Nem boa temperança

Minha amiga, não percas a esperança

 

Coragem e ânimo!

Também eu venci

Por meio de minhas batalhas, me redimi

 

Avante, avante

Coração grande!

Mira-te, garota, luz resplandante!

Lá virá cavalgante

Amor galante, que te espera adiante!"

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Ciclo de Poemas V: As Dificuldades da Vida pelo Espírito Édouard.

"Jesus veio a Nazaré

Para a todos ensinar a fé

Em seu caminho entre nós

Jamais deixou-nos crer sós.

 

Jesus, o redentor

Veio a nós este salvador

Resgatar-nos de nosso amargor

Não quis que conhecêssemos somente a dor

 

Em perdoar,

Sem nos julgar,

Veio ele o Evangelho de Deus professar

Para nossos erros ensinar a remendar

Em seus passos,

Sempre a trilhar.

 

À luz da razão

Veio propagar

As leis de Moisés readaptar

Conforme anunciaram os profetas

Veio nos amar

 

A cada tempo que faz rodar a orbe

Quantos de nós não fomos esnobes

Diante do amor de Cristo

Colocamos em nossos olhos do orgulho o cisco

 

Esquecemos que o julgamento é nossa fraqueza

Somos tão bons para menosprezar o irmão com certeza?

Na seara do Senhor

Preferimos crucificá-lo a louvá-lo com amor.

 

Se do vencedor do mundo buscamos exemplo

Como podemos das leis de Deus crer-nos isentos?

Ai daquele que faz mal uso do tesouro

Que fará quando deve prestar conta do mal uso do ouro?

 

Em nossa constante queda

Concentramo-nos na querela

Mas ouvis a Jesus

Vedes como a vida é bela!

 

Se dificuldades vos encontrar

Ao senhor e mestre Jesus deve vossas aflições encaminhar

Sabe ele quão pesada é a nossa cruz

Mas Deus, por meio dele, veio mostrar a nossa luz

 

Acendes esta candeia

E vás, semeia!

Cada um trabalha como puder

Amanhã se dirá “Seja como Deus quiser!”

 

Aprimoramento quão fácil cai no esquecimento

Mas é no conhecimento

Que a alma vai se enriquecendo

 

Se precisares de exemplo, dificuldade verás

Na vida do bispo de Hippona que vem abençoar

No livro da carne, no livro do espírito

Guarde o amor daquele Francisco

 

Aonde te sentires perdida

Em verdade és vista

Como, minha amiga, nos és querida!

 

Guardes no teu coração

Aquele amor puro, espontânea devoção

Aguardeis no Senhor

Paciência tenhas, nada é conquistado sem dor

 

Alegre-se, alegre-se!

Se o caminho parado está

É porque te preparas para recomeçar

Nada é perdido nem desperdiçado

Vejas bem, como Platão disse, tudo na alma está guardado.

 

Este ensinamento já vinha com Cristo

Lembre-te de seguir adiante

Tal como Paulo, sempre cantante

Preserves tua inocência

De outrora resgatada

Minha bem amada, sempre tão devotada.

 

Avante, avante!

Olhais adiante! Para as imperfeições

Cura virá se souberes aonde procurar

Ames sempre, logo mais dever teu cumprirá

Em novo lar.

 

Quando em dúvida

Podeis me chamar

Seguimos juntos na seara do lar.

 

Despeço-me, pois, para que vás estudar

Os ensinamentos de Jesus cabe recordar

Pois não muito tempo te irás precisar

Aos outros ensinar.

 

Mas contigo ao seu lado sempre vou estar.”


Contos de Nanã, vol.1--Nas Areias Do Cairo, pelo Espírito X.

Nota da guia de Nanã: "Caríssimos amigos, irmãs e irmãos na Terra. Em nossa longa caminhada espiritual, habitamos inúmeras moradas do P...