Nota do Guia de Ogum:"Bons irmãos e irmãs, filhos do Pai Celestial, saúdo-vos outra vez. Nesta mensagem que trazemos hoje, peço-vos, como de costume, para atentar-vos ao ensinamento belíssimo que nossa amiga espiritual Sappho, da falange dos que atuam sob a égide daquela que atende por Afrodite, vem nos trazer. Pedimos para que não vos apegais tanto à identidade deste espírito diante da relevância contida na essência desta psicografia. Uma vez mais agradeço-vos pela paciência e por acompanhar-nos neste trabalho que também vos envolve em diferentes graus. Que o Senhor vos acompanhe hoje e sempre--George."
“Esqueceis em vossa
contemporaneidade que a beleza não se trata somente do aspecto físico segundo
um padrão por vós determinado. Não se refere tampouco ao superficialismo, à
vaidade do ego. Menos ainda à matéria, embora a mesma faça parte da beleza.
A verdade é que ela tem sido
objeto de culto por muitos milênios, séculos atrás, não como expressão de
apego, mas a de equilíbrio. Platão já colocava em seus estudos o balanceamento
do físico e do mental. Traduziu-se tal aspecto através da ginástica e da
música. Mas compreendemos isso como reflexo de outro aspecto: aquilo que a alma
oferece junto ao corpo. Pois um responde ao outro, sempre foi assim,
exceptuando-se, talvez, quando a criatura é dominada sobremaneira pelos
instintos animalescos.
No oriente, vemos em Ishtar,
no ocidente, em Afrodite, o culto à beleza. Traços harmonizados que não se
limitam à sedução, à cópula desenfreada, mas ao amor enquanto templo, na
admiração de produto divino. É ver na criação terrena arte que nem mesmo o
homem mais habilidoso será capaz de reproduzir, seja pelas esculturas, seja
pela tecnologia. Não é no peso, no formato do corpo ou do rosto, nem somente
pelo que oferece o cérebro. É, ao contrário, a relação de criatura e criador.
Que é a beleza? Vedes que,
no desequilíbrio, dizeis que determinado ser humano portador de admiráveis
traços e falho de caráter é um “desperdício”. Expressões como “é bonito, mas
não vale nada”; “bonitinha, mas ordinária”, dentre outras, permeiam vosso
vocabulário para pintar o descontentamento na descoberta de uma desproporção
entre o físico e o mental.
Contudo, sois vós os
responsáveis por este “culto” à vaidade, uma vez que tentaram muito pouco em
equilibrar isso. A começar, a autoestima. Não falo de Narciso, que se apaixonou
por si a tal ponto que olvidou-se de si mesmo e da divindade, mergulhando em
profundo descontentamento. Falo da auto apreciação, processo de fora para dentro
tanto quanto de dentro para fora.
Muitos de vós colocam nisto
sobre outros, responsabilizando parceiros e familiares por como se senteis
convosco. Não apreciam a vossa relação com o cósmico, por isto desvalorizais a
vós mesmos diante de crítica de sobrepeso, disto, daquilo, etc. Se Deus, em sua
máxima, expressa o amor e a fé em cada um de vós, porque esperais que outros
correspondem a isto? Não é Ele quem ama sem esperar nada de vós, não é Ele quem
perdoa sem esperar que nós conheçamos a humildade para pedir perdão por erros
cometidos?
Há elementos cósmicos em vós
que pedem diariamente por este balanço. Encontrá-los-ei em vosso espírito.
Dali, compreendereis que foram feitos à imagem D’Ele. Maior modelo enviado à
vossa orbe já vos dizia que “sois todos deuses”, que poderíeis fazer como ele,
se não “muito mais”.
Se não entendeis as
qualidades e os defeitos que caracterizam vossa alma, se não as abraceis e as
acolhei sem desfavorecer uma sobre a outra, como podeis vos apreciar? Não são
outros que direis a vós como sois, tal cabe somente a vós. Em todos há luz, e o
livre-arbítrio é Deus designando a vós o poder sobre vós mesmo.
Na Antiguidade, embora mal
compreendidas, Vênus, Afrodite e Ishtar traziam em seus templos o amor próprio
como valor ao Criador. Pois se somos o templo D’Ele, que expressão maior se não
devotarmos amor a ele através de nós? De modo que o amor sairá de dentro e
povoará tantos os que dele necessitam. Elevamos, assim, as vibrações ao amor. A
sexualidade é secundária. A vaidade, é inexistente.
Contudo, presos à matéria,
os homens entendiam tais deidades como expressões de uma sensualidade latente.
Ora, a sensualidade enquanto expressão do amor não é desvio de conduta moral
conquanto esteja situada no equilíbrio. A sensualidade contra a qual a
espiritualidade adverte é o modo como ela é usada: para seduzir outros a troco
de que, ou de quem? A luxúria é mal vista porque é o nome atribuído aos
excessos da carne. Sabemos que tudo que trai o balanço não pode ser positivo.
Mas, como falei, ela não é o
principal fator para que admiremos a beleza. Não a vemos na criação como todo:
nas árvores, na grama, nos animais? Por que devemos ignorar em nós mesmos? Vós,
espíritos encarnados, opteis por aquele corpo, mas parecem constantemente
insatisfeitos convosco e projetais isto nos outros sob camuflada “preocupação”.
A insatisfação, porém, se transformou em vosso padrão a ser seguido: olvideis a
divindade do trabalho permeado em conjunto entre a alma e o corpo para
valorizar um sobre o outro. Disto surge a vaidade, e vedes que o vaidoso não é
feliz: está a buscar o que somente com atributos da alma se conquista. E
vice-versa, pois há o vaidoso acadêmico que crítica os corpos e expressões de
almas outrem para justificar a ausência de autoaceitação.
Esta ausência é falta de fé.
A insegurança é como um terremoto, e se não fixardes vosso pilar em Deus, como
vencerás? Não é através das expectativas dos outros, mas de vós com a
divindade. Afrodite veio nos ensinar sobre amar-nos, aceitar o que oferecemos,
fisicamente ou não. Antes de ofertar vossa beleza física ao outro, ofereçais a
vós. Antes de dar ao outro vosso intelecto, lembrais de vós. Na balança da
vida, restaurais vossa beleza como Deus a potencializou para tal. Como
resultado, sereis mais sereno e comedido, sem exageros.
Com cautela, vereis que a
insegurança é a falta de fé em vós na maioria dos casos. Para os que não
souberem podá-la, transformá-la-á em inveja, ciúme, possessividade...
expressões da matéria sobre o espírito, atuando como prisão sobre a mesma. Mas
quando souberdes que, não obstante as sombras de pretéritos vos acompanhardes
ainda no presente, há luz a oferecer, vereis que podereis fazer uso dessa para
si. Como amar e trazer outros a vossas vidas sem cuidar antes de vós?
“Amai-vos uns aos outros
como vos amei.” Vedes como o amor é inerente à beleza. Haveria de ser o
contrário? Digo-vos que não.
Uma das grandes causas dos
conflitos de famílias, amigos e outros relacionamentos resume-se a esta falta
de amor, empatia: vossas almas carregam feridas que, por orgulho, não volveis
vosso olhar para tentar-vos curar e assim projetais nos outros. Aceitais-vos
quem sois antes de criticar o próximo por não cumprir as expectativas que vós
mesmos criais. Amai-vos, meus irmãos e minhas irmãs. Olhais para vós mesmos sem
maquiagem e entendeis que há beleza que somente é reforçada por tal pintura.
Sois pintores de vós, há arte esperando ser posta em público.
Lembrai-vos de Vênus, que
venceu a guerra contra suas inseguranças para amar-se a fim de oferecer o amor
justo aos outros. Lembrai-vos de Afrodite, que sabiamente distribuiu, sem
perder de si mesma a essência, o amor que dela naturalmente fluía. Lembrai-vos
de Ishtar, cuja sensualidade jamais foi a da carne, mas a do espírito alegre
que expressava em si beleza única do contato de espírito e carne.
Há tanto a admirar sem
criticar. Há tanto a amar sem perder-se no dar. Vedes onde depositais vossas
energias. E lembrai-vos que sois parte do cósmico e como tal, espelham o amor
puro e divino que Deus colocaste em vós. Sois templos, tratai-vos como tal.
Sois como igrejas, de onde flui vossa fé. Repito aqui a máxima: “Não olheis
para vossos pecados, mas para a fé que anima vossa igreja.”
Amai-vos e admirai-vos sem
recair nas falácias da superficialidade. Amai-vos e admirai-vos na serenidade
como Cristo vos ensinou. Amai-vos e admirai-vos segundo Afrodite contemplou.
Pois se quiserdes ser
amados, há pois que encontrar o amor em vós mesmos. Na troca com o cosmo, paira
ao exterior espelho de vós mesmos. Tendeis fé e creiais mais em vós como o
cosmo credes em vós.
De vossa estimada irmã,
Sappho de Afrodite.”
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